EXPRESSÕES DO RIO GRANDE DO NORTE: DESCUBRA E FAÇA NEGÓCIOS POR AQUI

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Descobrir as expressões do Rio Grande do Norte é não somente entender como o nordestino se expressa, mas também descobrir como se comunicar com um dos povos mais hospitaleiros e alegres do país!

Ao longo dos anos, os habitantes do Nordeste, desenvolveram expressões que tornaram-se marca registrada de pessoas comunicativas e bem-humoradas.

Para você que está em busca de realizar negócios em nossa região, saber falar e interpretar as expressões do Rio Grande do Norte são fundamentais para você criar rapport e trazer a sua cultura corporativa para mais próximo deste público alvo.

A seguir, você vai conhecer muitas das expressões do Rio Grande do Norte que também ajudam a humanizar mensagens de marcas e graças a este trabalho de pesquisa e coleta da cultura nordestina.

Então, continue a leitura e saiba mais sobre os divertidos termos e gírias dos nordestinos! Ah, se você pensa em trazer o seu negócio para o nordeste, leia mais sobre nós.

LETRA “A”

ABALAIADO: cabelo desarrumado, cabeleira alta e despenteada (Vôte mulé, que cabelo abalaiado!)

ABANCAR: sentar, ficar à vontade (“Vamos abancar cumpadi, pode entrar!”).

ABANQUEI: sentei, fiquei à vontade (“Eu cheguei e logo me abanquei!”).

ABARDEIRO: aloprado (“Esse cabra é abardeiro!”)

ABESTADO: abestalhado (“Sai pra lá abestado!”).

ABESTALHADO: azogado, lerdo, abobalhado, abigobé, leso; bobão; atrapalhado do juízo zureta (“Esse abestalhado nunca acerta”)

ABIGOBÉ: leso, lerdo, abobalhado, abestalhado, zureta; atarantado do juízo (“Não chame aquele abigobé prá cá!”)

ABISCOITADO: doido, abigobé, maluco, abobalhado,atarantado do juízo; zureta; azogado, lerdo, abestalhado, zureta (“Tira esse abiscoitado da frente!”)

ABILOLADO: azogado, lerdo, abobalhado, abigobé, atarantado do juízo; maluco, abestalhado, arigó, zureta (“Esse homem é um abilolado!”)

ABIÚDO: metido, entrão, que se mete onde não é chamado (“Tu foi de abiúda que é!”).

ABOTICADO: arregalado; aberto ao extremo (“Que zói aboticado é este? Ta com medo?”)

ABRIR: ceder, mudar de ideologia, aceitar uma opinião que antes discordava (“Se Fátima abrir para Wilma a gente não vota nela!”).

ABUFELAR: se apossar de algo, tomar para si (“É só ele vê isso que ele abufela!”).

ABUSADO: irritante, chato, caningado, que incomoda (“Lá vem aquele abusado pra empalhar!ä).

ABUSO: chatice; irritação; caninga (“Deixe de irritação, memino rei!”).

ABRA DO ZÓI: fique atento; se ligue (“Tu abra do zói com esse cabra na sua casa!”).

ACAVALADO: que tem o pênis grande demais; aloprado (“As mulé diz que ele é acavalado!”).

ACAVALADO: desmesurado; descomunal, grande demais (“Que sapato acavalado é esse?”).

ACEIRANDO: aproximando-se com alguma intenção (“Eu não quero esse cabra lhe acerando!”).

ACEIRO: beirada, margem, acostamento (“Menino, vá pelo aceiro da pista!; Papai passou o dia nos aceiro do rio!”).

ACENTO: modos; compostura (“Tome acento de gente, seu cabra safado!”).

ACOCHÁR: apertar, arrochar (“Acocha a sela desse cavalo!”).

ACOLÁ: ali, quando se refere a um outro lugar (“Acolá tem abelha, cuidado!”).

ACOLONHADO: agrupado, junto, unido, misturado (“Você só vive acolonhado com essa mundiça!”)

ACUNHA: vai atrás para pegar; segura (“Acunha o ladrão!)

ACUNHA: dá uns arrochos, ficar com alguém esporadicamente e sem compromisso (“Acunhei Belinha sábado na festa!”).

ACUNHA: aperta, arrocha, faz força (“Acunha esse parafuso!”).

ADONDE: aonde (“Adonde tu raí?!”).

AFOGUEADO: sapecado no fogo; mal passado (“Menino, esse milho só ta afogueado vai lhe desandar a barriga!”).

AFOGUEADO: aperreado; preocupado; nervoso (“João passou aqui tão afogueado hoje!”).

AFOLOSAR: ficar folote, frouxo; corrute (“Tu vai afolosar todinha a bolsa enchendo assim!”).

AFRACOU: enfraqueceu, perdeu a força (“Ele afracou quando deu de cara com ela!”).

AGORA: mas; porém; todavia (“O cargo tá vago, agora quero vê quem tem coragem de se candidatar!”).

AGORA DEU!: era só o que faltava!; agora pofe! (“Ela disse que eu cantei ela, agora deu!”).

AGORA POFE!: agora deu!; era só o que faltava! (“O banco acabou de fechar… agora pofe!)

AGORA SEJA: OBSERVAÇÃO: expressão usada para desdenhar, debochar e afins. Normalmente é usada com caras e bocas (“Quem pensar que essa bichinha é inocente, agora seja!”).

ÁGUA GRANDE: usa-se essa expressão para designar que o leite de côco, tradicionalmente usado para preparar várias comidas, foi substituído por água (“Vovô está adoentado e pediu que fizesse o peixe na água grande!”).

AGULHADA: dor muito fina; dor estranha (“Dotô, tô sentindo umas agulhada no pé da barriga!”).

ALARIDO: gritaria, coro de vozes desencontradas (“Que diabo de alarido é esse aí na cozinha?”).

ALCANÇAR: trazer; pegar (“Esse memino, alcance esse livro para mim!”).

ALISAR O COURO: dar uma surra, arrancar o couro, dar uma peia ou cipuada (“Vou já alisar o couro desse maluvido!).

ALOPRADO: pessoa muito audaciosa, que não tem medo de nada, que surpreende as pessoas por suas atitudes, que costuma se exceder ou exagerar em suas reações, gestos ou palavras. (“Eu acho essa mulher muito aloprada!”).

ALOPRADO: homem que possui o órgão genital acima do normal. (“A mulherada reclama muito de João, pois dizem que ele é aloprado!”).

ALPERCATA: pragata; sandália de dedo (“Traz minha alpercata!”).

ALTEAR: aumentar o som (“Alteia aí essa música!”).

ALUMIAR: iluminar, clarear, trazer luz para um lugar. (“Alumia aqui a cozinha pra vê uma coisa!”).

ALUMIAR: trazer uma solução para uma situação. (“Só queria que Deus alumiasse minha cabeça para eu sair dessa!”).

AMARELO: pessoa guenza, tisga, esmilinguido; de cor pálida. (“Aquele amarelo é só se botando pra mim!”). OBS. Normalmente trata-se de deboche, embora, dependendo do contexto, pode-se dizer como brincadeira.

AMARELO-EMPALEMADO: pessoa de aparência doentia, que parece estar sem sangue. OBS. É usado também como deboche ou brincadeira, dependendo do contexto. De qualquer forma o complemento “empalemado” serve para reforçar o amarelo, ou seja, dizer que a pessoa está ainda pior.

AMARRADO: mão-de-vaca; sovina; pão duro (“Nem peça que ele é amarrado!”).

AMARRADO: concordado; deliberado (“Ficou amarrado que a última parcela eu desse no mês de agosto!”).

AMARRAR O BODE: ficar amuado (“Ela tá de bode amarrado desde que ele se foi!”).

AMARRA DE HOMEM: homenzarrão (“Dinho é uma amarra de homem!”).

AMBUANÇA: malquerença (“Ele não queria ir por causa de uma ambuança que tiveram na época da política!”). Maria de Lourdes Freire.

AMOJADO: doido; maluco; débil (“Não mexa com esse amojado!”).

AMOSTRADO: metido, gabola, pedante, orgulhoso, exibido.(“Aquele amostrado já está ali pra meu desgosto!”).

AMUADO: triste, aborrecido, cabisbaixo, de pá virada, tão assim. (“Painho tá tão amuado hoje, o que será?!”).

AMUADO: muito, demais, bastante. (“Esse veio tem um dinheiro amuado!” “Ta um forró amuado na rua!”). OBS.Trata-se de uma expressão usada para designar algo em grandes proporções.

AMUFAMBADO: que está tão bem guardado a ponto de não saber onde esteja; que está num amaranhado de coisas. (“A sua roupa é toda amufambada, seja mais organizado!”).

AMULENGADO: cansado, esgotado, mói de sola, arriado, derrubado. (“Fiquei amulengado depois que cisquei o quintal!”).

AMUNDIÇADO: pessoa portadora de hábitos, atitudes e palavreados mal educados. (“Aquela família dos Pilombo é uma mundiça do inferno, vôt!”).

AMUNHECAR: desequilibrar as pernas, ameaçar cair . (“tô aqui amunhecando de fome!”).

AMUNHECAR: cair (“Eu tentava levantar Juca, bêbado, e ele amunhecava!”).

AMUQUECADO: derrubado, amuado, jururu (“O que ele tem que só vive amuquecado?”).

ANCHO: convicto, com absoluta certeza (“Estou ancho de que essa mulher é do sertão!”).

ANDARELÁ: bater-perna, ganhar o mundo, andar muito (“Prá andarelá ela não pensa duas vezes!”).

ANDEJO: que anda muito, que vive batendo perna. (“Tu é muito andeja, ninguém te encontra em casa!”).

ANDO COM ELE PELO GOGÓ: es tou a ponto de perder a calma (“O cabra chegou e amarrou o bode aqui. Já ando com ele pelo gogó!”).

ANDOU VIROU E MEXEU: passeou muito; saiu pelo mundo (“Ele andou, virou e mexeu e deu aqui de novo!”).

ANEL DE CÔRO: frande; às de copas; ôio de porco; fiofó; furico; fundo; boga; roque mi clei; aro; roscófe (“Pegue pro seu anel de coro!”).

ANGU DE CAROÇO: coisa difícil de se resolver; situação complicada (“Eu que não me meto nesse angu de caroço!”).

ANJINHO BARROCO: homem de pênis pequeno (“Ela diz que prefere anjinho barroco que os acavalados!”).

ANTONTI: ante-onte (“Antonti ele teve aqui!”).

APAPAGAIADO: enfeitado excessivamente, marmota; timóti; adornado de mal gosto, chumbrega, chibunga, brega (“Aquela diretora é tão apapagaiada que reformou a escola, deixando apapagaiada como ela!).

APARANDO OS PEIDOS: bajulando; puxando o saco (“Meca só vive aparando os peidos de Rosa!”).

APARANDO OS PEIDOS: grudado; carne-e-unha; mala sem alça; na cola (“Menina pra viver aparando os peidos da outra, vôts!”).

APARELHO: vaso sanitário, bojo (“Vovô tá no aparelho obrando!”).

APERREIO: preocupação (“Estou tão aperriada, já é meia noite e Maria não chegou!).

APERREIO: incômodo, caninga (“Luizinho, deixe de aperreio com sua avó!”).

APOIS: pois, então, por acaso, por certo (“Apois só de ruim eu não vou no forró!” “Tu quebrou o som? apois conserte!” “Apois vocês pensam que ele é doido?”). OBS: Possui significados distintos ou parecidos – depende do contexto.

APOMBALHADO: zureta; azogado; doido; amojado (“Ele é apombalhado desde que nasceu!”).

APONTAR: surgir, aparecer (“João apontou no alto da ladeira!”).

APOQUENTADO: com raiva, cismado com alguma coisa, aborrecido, amuado, chateado (“Estou apoquentado hoje!” “Eles apoquentaram tanto o Pedro que ele plantou-lhe a mão!”).

APRAGATA: sandália de dedo (“Mãe, de minha apragata!”).

APRAGATADO: achatado, amassado (“Pisaram na lata, olha como ficou apragatada!”)

APROCHEGUE: chegue, aproxime-se, venha até aqui (“Todo mundo se aprochegue pra mesa!”).

APRUMADO: normal, correto, perfeito, certo (“Esse fulano não é muito aprumado do juízo!”).

ARARA: apelido do antigo PDS, hoje PFL; refere-se aos que são oposição aos bacuraus (“Hoje tem comício dos araras!”). OBS: Os araras têm como símbolo a cor vermelha.

ARATACA: maneira carinhosa de referir-se a uma casa pequena, simples e bem zelada. (“Entre na arataca da velha, mas não vá reparar!”).

ARENGA: briga, contenda, confusão (“Deixe de arenga aí, magote de bixiguento!”).

ARESIA: conversa fiada, conversa mole, blá-blá-blá, besteira (“Aquele doido só diz arezia!”).

ARGUÊRO: cisco no olho (“Não tô agüentando esse arguero no olho!”).

ARIADO: sem senso de localização, confuso (“Fulano se ariou em Natal!”).

ARIGÓ: abestalhado, abilolado, azogado, lerdo, tarantado; abobalhado, abigobé; atarantado (“Lá vem aquele arigó!).

ARISCO: solo arenoso, região cuja terra é constituída por areia muito grossa (“O arisco bem adubado dá cada inhame!”). OBS: Trata-se de um solo muito apreciado por ser fofo e que não cansa muito o trabalhador de enxada, mas necessita de muito adubo e de irrigação, pois não é típico de regiões que têm rios ou veios d’água à flor da terra.

ARISCO: pessoa ou animal que não se socializa ou que está sempre desconfiado (“Aquele cavalo é tão arisco quanto o fazendeiro quando vê gente!”).

ARISCOL: coisa, qualquer objeto ou pessoa (“Me dê aquele ariscol ali!” – Sr Valdemar – conjunto Jessé Freire).

ARO: legal, ótimo, bom; tampa (“O pessoal diz que aquele cara é o aro, e que a fazenda dele também!”).

ARO: ânus, boga, furico, roque mi clei, cu, anel de couro; ôio de porco; fiofó; frande; fundo; às de copas; roscófe (“Pegue pro seu aro!”).

ARRA!: urra! vixi! nossa! uia! credo! tibi! varei!(“Arra! Que homem alto!”) OBS. Lê-se como tivesse acento no primeiro “a”.

ARRANCA-RABO: discussão, cu-de-burro, confusão, briga (“Tá um arranca-rabo da piula na casa da Antonia!”).

ARRANCAR O COURO: alisar o couro, surra, lamborada, peia, simpuia, encorar, cipuada (“Eu tô pra arrancar o couro desse maluvido!”).

ARRE ÉGUA!: OBS. É uma interjeição que designa estranheza, espanto, raiva ou medo. É o mesmo que vôt! diabo é!

ARREGANHAR: abrir as pernas (“Menina, deixe de se arreganhar aí nesse sofá, olha que tem homem olhando!”).

ARREGANHOU: teve caso (“Ela arreganhou pros macho da rua toda!”).

ARREGANHANDO: rindo à toa; que só vive com brincadeiragem (“Deixe de viver se arreganhando menina cabida!”).

ARREPARE: repare; olhe; observe (“Arrepare que lapa de homem!”).

ARRETADO: muito bom, ótimo, coisa muito significativa (“Eita forró arretado!”).

ARRIADO: esgotado, muito cansado, mói de sola; amulengado; derrubado, só o pito, mói de sola (“Papai chegou da roça arriado!”).

ARRIBADA: expressão usada para referir-se às pessoas que só vivem mudando de casa ou cidade, como se fossem ciganas (“Aquele povo só vive de arribada!”).

ARRUMAÇÃO: invencionice, cavilação, apapagaiação (“Que arrumação é aquela de Preta, parece que não tem o que fazer!”).

ARROCHA: aperta, acunha (“Não arrocha as bananas!”)

ARROCHA: vai atrás para pegar, segura (“Arrocha esse boi … depressa!”).

ARROCHADINHA: com calça muito apertada (“Tá tão arrochadinha hoje, prá onde tu rái?”).

ARROCHADINHA: metida abesta, exibida, orgulhosa (“Aquela é muito arrochadinha pro meu gosto!”).

ARROCHADO: corajoso; que não tem medo de nada; audacioso (“Eu sou cabra arrochado, não brinque comigo, não!”).

ARROCHA QUE ELA PEIDA: expressão chula utilizada em circunstâncias de brincadeira ou mangação. OBS. Ouvi depoimentos que surgiu de um caso que envolvia um casal e que realmente foi tal qual a frase explica. Pessoas mais afoitas gritam-na quando vêem casais muito juntinho no escuro.

ARROJO DE DENTE: quando a criança está com os sintomas da primeira dentição; incômodo provocado pelo nascimento dos dentes (“Não chore mulé, essas perebinha no bichinho é arrojo de dente!”).

ARROZ DE LEITE: prato típico da região, feito com arroz não parbolizado cozido no leite de coco e temperado à gosto. É servido como se fosse um arroz papa.

ARRUDIAR: dar a volta (“Arrudia pelos fundos que ela tá no quintal!”).

ARRUMA: consiga; viabilize (“Arruma um emprego para mim?”).

ARRUMA: pega; busca (“Arruma um copo d’água mó d’eu!”).

ÀS DE COPAS: ânus, boga, furico, roque mi clei, aro, cu, anel de couro; fiofó; frande; fundo; aro; roscófe (“Deu hemorróida no seu às de copas!”).

ASTREVA: atreva, tente (“Tu se astreva a fazer de novo que eu lhe toro o focinho!”).

ASTÚCIA: brincadeira, presepada, palhaçada (“Quando Vevé começa com as astúcias dela a gente bola de rir!”).

ASTÚCIA: que tem tino para desempenhar certas tarefas, que faz com desenvoltura (“Lupi é astucioso demais pra desenhar!”).

ASTÚCIA: arteirice de criança (“Vá vê as astúcia de Toinho, ele tá em cima do pé de cajá-manga!”).

ASTUCIOSO: designação para quem tem facilidade de se sair de situações constrangedoras ou difíceis, pessoas matreiras e muito espertas (“Quando lhe perguntaram pelo dinheiro roubado, ele foi tão astucioso na resposta que deu a impressão de que era um santo!”).

ATARANTADO: doido, abilolado, abigobé, leso; lesado; jumento; jirico; zureta; arigó; abobalhado (“Não mexa com esse que ele é meio atarantado do juízo!”)

ATIRADA: saliente; oferecida; cabida (“Ela é muito atirada, parece que é!”).

AUXÍLIO: Trata-se de uma expressão com sentido muito peculiar, típica dos católicos que durante a festa do (a) Padroeiro (a) saem pelas casas pedindo donativos (frango, carneiro, bezerro, arroz, etc) para a festa social, os quais são administrados em prol da mesma. (“Ô de casa, um auxílio pro padroeiro do Alto!”).

AVALIE: observe, analise, verifique, imagine (“Ele é muito gabola, avalie se fosse rico. Avalie só o jeito dele ali no meio dos barão, ó…!”).

AVE-MARIA TREIS VEIS: é um tipo de “cruz-credo” reforçado (“Ave-Maria treis veis, vira essa boca prá lá que eu não quero ver aquele cabra nem pintado a ouro!”). OBS: normalmente fala-se isso dando três pancadinhas, de punho cerrado, em madeira. Trata-se de superstição.

AVEXADO: aperreado, apressado, afogueado (“Deixem de ser aperreado, esperem o café!”).

AVIA: cuida, corra, venha logo, anda, apresse-se (“Avia que o ônibus ta pasdsando!”).

AVUADO: azogado, lerdo, abestalhado, meio esquecido das coisas (“Papai ta tão avuado hoje, coitado!”).

AZEDUME: nhaca, catinga, fedor, cerôte, suor fedido (“Bélico só vive nesse azedume, faz vergonha!”).

AZEITONA: Jamelão, fruta roxa (quase preta) semelhante a zeitona em conserva. OBS: Ninguém costuma chamá-la por seu nome original, que é jamelão, embora distingam a “azeitona” (fruta) da azeitona (fruto da oliveira).

AZOGADO: confuso, ariado, abestalhado, de raciocínio lento (“Menina, tu ta azogada hoje é?”).

AZOGUE: imã, qualquer objeto magnetizado (“Caiu o azogue da caixa de som”).

AZOGUE: pessoa que está sempre acompanhada com outra, que não larga do pé; na cola; muito junto; carne e unha; grudado; pegajoso (“Esse menino é um azogue da mulesta com o outro!”).

AZUL: não tou nem aí; deixe isso pra lá; não dê atenção. (“Eles estão brigando? Azul pra eles!”). OBS: Trata-se de uma palavra típica de dona Raimunda do Pirão Bem Mole, da comunidade do Porto, sendo conhecida apenas por seus filhos e netos.

LETRA “B”

BABÃO: puxa-saco; paparicador (“Esse babão não larga do pé do filho do prefeito!”).

BABOSEIRA: aresia; palavreado sem futuro (“deixa de baboseira menino besta!”).

BACURAU: apelido do antigo PMDB; opositores dos araras, os quais usam a cor verde como símbolo; partido dos Alves (“A cidadã hoja ta verde de bacurau!”).

BADALO: gente que fala muito, qualquer tipo de barulho (“Maria boca de badalo, deixe de badalo aí na cozinha!”).

BAGANA: alimento fraco e sem muita sustança, comida muito leve e normalmente usada como lanche improvisado, tipo pipoca, sanduíche, iogurte, refrigerante, doces, etc. (“Paulo tá tisgo de tanto comer bagana!”).

BAGUIO: coisa velha e estragada, o que não presta mais para ser usado; trambelho; bascuio; burundanga (Esse sapato tá só o baguio!”).

BAIA: desregrada, à vontade, sem critério; com a mulincha; empolado; com fartura; franco (“Você colocou a comida na baia, agora não reclame!”). CURIOSIDADE: provavelmente originou-se de “beia” (“tem como beia”), que designa demais, muito.

BAIA: no cotidiano, no dia-a-dia (“Coloca toda a roupa na baia e despois fica reclamando!”).

BAIACU: pessoa gorda; bucho de lama; bucho de tintin (“João ta todinho um baiacu, nem parece aquele meninão esguio que conheci!”).

BAIÃO DE DOIS: feijão cozido juntamente com arroz e tempero à gosto. OBS: Poucos nativos ainda consomem esse prato.

BAIXA DA ÉGUA: essa expressão tem sentido de lugar emprestável ou terrível como o inferno, ou muito distante a ponto de não saber onde. (“Vá prá baixa da égua, seu reiado!” “Esse homem só vive na baixa da égua!”). OBS. Normalmente é usada como xingamento. É como se dissesse: “Vá pro inferno”).

BALADEIRA: estilingue, brinquedo feito com pequena forquilha de galho, borracha de câmara de ar (liga) amarrada nas duas pontas e um pedaço de couro, o qual serve para arremessar pedra (“Esse menino só vive com baladeira na mão, tomara que o pessoal do IBAMA veja!”). OBS. Podemos dizer que é uma arma infantil.

BALAIO DE GATO: desarrumação, desorganização (“Que balaio de gato da gota está esse quarto, vôt!”).

BALAIO DE GATO: problema, confusão (“Tá o maior balaio de gato entre eles!”)

BALDAME: alicerce (“Vou usar toda essa metralha para o meu baldame”).

BAMBELÔ: antiga dança folclórica que teve o seu apogeu na extinta Festa dos Pescadores, na comunidade do Porto.

BANDA: pedaço; uma parte (“Dá uma banda dessa melancia mó d’eu!).

BANDA DE LATA: muito, em demasia, em excesso, demais (“Tem manga prá banda lata!”).

BANGUÊ: engenho de açucar movido à tração animal (“No início aqui era tudo bangüê!”) OBS. Expessão dita pelo Sr. Humberto Paiva, do Engenho Descanso.

BARRER: varrer (“Vá barrê os oitão!”). OBS. Arcaísmo que demonstra uma nítida influência espanhola.

BARROADA: batida, pancada, esbarrão, trombada (“O carro dele deu uma barroada no poste!”).

BARROCA: pequena cavidade na buchecha, a qual torna mais visível quando a pessoa está sorrindo; buraquinho na face (“É linda a barroquinha daquela menina!”).

BASCUIO: coisa velha, lixo, burundanga, trambelho; baguio; coisa sem valor (“Esse carro tá umbascuio só!”).

BASSOURA: vassoura OBS. Considerar a mesma justificativa de “barrer”.

BATENDO PERNA: no mundo; andarelando; fora de casa; vadiando; na rua (“Tu só vive batendo perna, sua cabrita andeja!”).

BATENTE: trabalho; serviço (“Eu to num batente danado lá na praia!”).

BATER: ir, dirigir-se a determinado lugar (“Quando eu soube do assunto bati na casa dela!”).

BATER: queimar, fundir (“Você é doido de subir na quinta, vai bater o motor!”).

BATER A CAÇULETA: morrer (“Con’eu bater a caçuleta não quero fulô nem vela!”).

BATER E VALER: eficaz, eficiente, certeiro, que dá bom resultado (“Fale com Vilma Maia que é bater e valer!”).

BATERIA: espécie de prateleira redonda, alta, com vários ganchos, feita de ferro vazado usada para pendurar alumínios (“Vovó tem uma bateria tão antiga!”).

BATEU AS BOTAS: morreu; faleceu (“O coroné bateu as botas!”).

BATEU FOFO: descumpriu um acordo; deu pra trás; desfez a palavra (“Aquele covarde prometeu e depois bateu fofo!”).

BATIDO: carão, esporro, dar uma esculhambação, chamar a atenção de uma pessoa em caráter de correção (“Papai me deu um batido por causa daquele cabido!”).

BEBEU ÁGUA DE CHOCALHO: que tá com a matraca; que fala demais; papagaio (“Tu hoje bebeu água de chocalho!”).

BEBE QUE SÓ A CACHORRA: que é chegado numa cachaça, que se embriaga sempre (“O bichinho é tão novo mas bebe que só a cachorra!”).

BEIA: exagerado, muito, demais, em demasia (“Fulano mente que só a beia!”).

BEJU: iguaria típica feita com polvilho ou mandioca mole assada sobre uma frigideira, placa de ferro ou pedra. Tem formato arredondado. (“Os bejus de dona Joaninha são uma delícia!”).

BEM FEITO: bem pregado; merecido, acho é bom, teve o que mereceu (“Bem feito o fora que ele levou!”).

BEM MUITO: bastante, quantidade exagerada, beia ((“Comi bem muito só prá não deixar prá ela!”).

BEM PREGADO: merecido, bem feito, acho é bom, teve o que merecia (“Bem pregado que ele perdeu a eleição!”).

BENZA DEUS: benza o Deus (“Benza Deus que menina bonita!”). OBS. Interjeição que designa admiração.

BERADEIRO: matuto, caipira, muito tímido (“Cabra beradeiro… Assim não casa nunca!”).

BERÉU: prostíbulo, casa de prostituição, zona (“Cabra de peia, só vive no beréu!”).

BERIMBELO: adornos, enfeites (“Mulé prá gostá de berimbelo no pescoço é essa Isabé!”).

BERIMBELO: qualquer coisa, cujo nome real não foi lembrado na hora (“Prá levar esses meus berimbelos (mudança) precisa de um caminhão!”).

BESTA: bobo, abestalhado, idiota (“Deixa esse besta prá lá, é perda de tempo ouvi-lo!”).

BESTA: orgulhoso, metido, metido, rei da cocada preta, quer ser o cu da porca (“Ficou besta depois que comprou o carro novo!”).

BESTA: égua (“Essa besta é boa no trote!”).

BESTANDO: fazendo de bobo (“Ela me deixou bestando e chegou de noite!”).

BICA: trata-se de um estabelecimento público, construído pela Prefeitura, o qual abriga um recinto utilizado para banho que possui três canos grossos, permitindo o escoamento da água proveniente de uma caixa que a recebe de um olheiro próximo. É o lazer de final de semana da maioria das pessoas mais humildes.Logo ao lado ficam as lavanderias, as quais só funcionam durante os dias úteis da semana.

BICADA: gole de bebidfa alcoólica (“Aquela foi a última bicada dele!”).

BICHÃO: pessoa poderosa e que tem influência sobre algo, pistolão, peixada (“Ele só entrou na aeronáutica porque o pai dele foi empregado de confiança de um bichão lá de dentro!”).

BICHÃO: algo grande, enorme (“Eu pensei que ele era uma coisinha de nada, mas quando chegou: que bichão!”).

BICHÃO: pessoa muito atraente, filé, sensual (“A filha de Nozin tá um bichão!”).

BICHO: maioral; bonzão; tampa de furico (“Eu sou o bicho, vai encarar?!”).

BICHO TRISTE: feio demais, horrível, assustador (“Quem é esse bicho triste que chegou de São Paulo!”). OBS: A expressão “triste” não está no sentido etimológico.

BIGOBÉ: abigobel, abestalhado, abilolado, meio doido; abigobé; zureta; atarantado (“Vá prá lá bigobé chato!”). Obs. É o mesmo que abigobé.

BILAU: pênis, bilola, pinta, rola, peia, piroca (“Ele operou do bilau!”).

BILOLA: pênis, piroca, peia,, bilau (“Menino, vá cobrir essa bilola!”) OBS. É mais usada para criança.

BIQUEIRA: que come pouco (“Painho sempre foi biqueira prá comer!”).

BISACO: mochila; bolsa (“Bote tudo no bisaco e vamos!”).

BISONHO: feio e esquisito (“Vôts! Que menino bisonho!”).

BITOCA: beijo, selinho, forma carinhosa de beijar (“Dê uma bitoca na mainha!”).

BITOLA: pontaria precisa, acerto certeiro (“Por pouco eu acertava na bitola!”).

BIXIGA: gota serena, merda, porra, droga, chato (“Isso é uma bixiga mesmo, quebrou tudo!”).

BIXIGA LIXA: tem o mesmo sentido de bixiga. (“Sai prá lá bixiga lixa”). OBS: A “lixa” é apenas um complemento para reforçar o xingamento.

BIXIGA TABOCA: tem o mesmo sentido de bixiga e bixiga lixa, porém é mais usada quando se quer reforçar ainda mais o xingamento. (“Bixiga taboca! O pneu furou!”).

BIXIGUENTO: nojento, chato, incômodo (“Sua bixiguenta, eu lhe quebro a cara!”).

BIXIGUENTO: expressão usada também para brincar, quando se trata de uma pessoa muito íntima (“Bixiguento, onde você andou que tanto cabelo criou!”).

BIZÚ: fofoca (“me passa o bizú da festa!”).

BOA: grande; considerável (“Daqui prá lá é uma tirada boa!”).

BOA TODA: de primeira, de ponta, de qualidade (“Aquela casa é boa toda!”).

BOA TODA: sensual, muito atraente, filé, tesuda (“Mimi ta boa toda!”).

BOCA DE SINO: penico, urinol, capitão, mijadô (“Cadê o meu boca de sino que estava debaixo da cama!”).

BOCA RASGADA: que chora demais (“Vai pegar aquele menino da bosca rasgada!”).

BOCHECHA DE ANGU: trombudo, entufado, cara feia, chateado (“Hoje ela tá toda bochecha de angu!”).

BOCOIÓ: matuto, bestão, bobo; leso; abigobé; zureta; abilolado (“Esse bocoió não muda mesmo!”).

BODE: conquistador, garanhão, namorador (“Esse cara é bode demais para mim!”).

BODEGA: pequena venda, bar (“Chegou cabumba na bodega do rio!”).

BOFE: homem sustentado por homossexual, pessoa do sexo masculino que se prostitui em troca de bens materiais (“Dizem que fulano é bofe daquele cara!”).

BOFETE: tapa, murro, tabefe (“Pare, senão dou-lhe um bofete, seu leso!”).

BOGA: ânus, roque mi clei, às de copas; ôio de porco; furico; fundo; frande; fiofó; roscófe (“Deram um chute no boga de Quéu!”).

BOI: menstruação (“Tô de boi hoje!”).

BOI-DE-FOGO: confusão, encrenca, briga, cu-de-burro, cumbú (“Se ela não me pagar eu faço um boi-de-fogo da hora!”).

BOIOLA: fresco, gay, baitola (“Hoje houve passeata dos baitola em Natal!”).

BOJO: vaso sanitário, aparelho(“Esse menino só vive obrando na parede do bojo!”).

BOLA DE RIR: ri muito, acha muita graça; se acaba de dar risada (“A gente bola de rir com ela!”).

BOLÃO: pequena vaquejada praticada em quintal ou na zona rural, em caráter de brincadeira, sem prêmio.

BOLO: dar tapa na palma da mão de criança em sinal de castigo (“Dei tanto bolo na mão desse menino buchudo !”) OBS: Antigamente o bolo era dado com a palmatória: um instrumento de madeira semelhante a uma escumadeira, cheia de buraquinhos, os quais sugam a pele da mão ao receber a batida, provocando dor. Por muitos anos foi usado nas escolas.

BOLO PRETO: iguaria feita com rapadura, farinha de trigo, cravo, canela e erva doce, onde tudo é misturado e levado ao forno para assar.

BOM QUE SÓ: bom demais, ótimo, maravilhoso, (“O passeio foi bom que só!”).

BONITEOTÓ: bonito (“Eu sou boniteotó!”). OBS. Provêm da antiga cartilha do ABC, a qual ensinava o alfabeto soletrando.

BONITINHA: atrevida, metida, exibida (“Ei bonitinha, o que você quer aí?”). OBS: Nesse caso não há relação alguma com beleza.

BOQUETE: ânus, cu, às de copas, roque mi clei, furico; frande; fundo; fiofó (Maria tá sentindo um cumichão no boquete!”).

BOQUETE: sexo oral feito no homem (“Lá vai Rita boquete!”).

BORA LÍ: embora alí, vamos alí (“Bora lí comigo!”)

BORRA: substância que após estar suspensa num líquido, acumula-se no fundo da vasilha (“Fui tomar café da vovó e só encontrei a borra!”).

BORRACHA: merda, porra, droga, chato (“Isso é uma borracha! Furei meu dedo!” – Terezinha do cartório).

BORRACHA: esperto, inteligente, desenrolado (“Esse menino é borracha, viu!”).

BOTICA DE OLHO: olhos muito abertos, olhos arregalados típicos de pessoa assustada (“Pedrinho chegou com cada botica de olho que logo desconfiei!”).

BOTOU AREIA: dificultou, atrapalhou, fez com que algo desse errado, desejou o fracasso (“Botaram areia na candidatura de Henrique. De repente o homem apareceu com conta pelo mundo todo!”).

BOTOU PRÁ TORAR: fez bem feito, realizou algo com muita perfeição, investiu muito (“Eles botaram prá torar na Festa do Boi neste ano!”).

BOTOU PRÁ TORAR: deu um carão, chamou a atenção em caráter de correção (“Quando ela soube que foi ele botou prá torar. Chega deu pena do coitado!”).

BOTOU QUENTE: contestou, protestou, chamou a atenção, impôs algo com muita autoridade (“Pedro chegou de meia noite e sua mulher botou quente!”).

BOSSA: estilo, modo, jeito, postura (“Olha a bossa de Zezão!”). OBS: Pode ser usado tanto para expressar antipatia quanto para achar engraçado.

BOSSAL: amostrado, exibido, metido, gabola; pedante (“Esse menino que chegou do Rio é tão bossal!”).

BOZÓ: dado, jogo de dado (“Mainha, vou jogar bozó com Juninho!”).

BRECHANDO: olhando pela brecha, curiando alguém pela fechadura da porta ou buraco de parede (“Zé de Donga tem fama de brechador!”). OBS: Normalmente é mais usada para referir-se a homens, inclusive são muitos os conhecidos por esse hábito.

BREDO: planta comestível que dá no mato; espécie de hortaliça silvestre. OBS: Atualmente é raramente consumida, mas no passado era o prato preferido de muitos nativos, seja em salada ou refogada com peixe (durante a Semana Santa) e camarão.

BREGUESSO: coisa velha, coisa quebrada, quinquilharia, munturo, trambelho; uruvaio; burundanga (“Joga fora esse breguesso, seu lixeiro!”).

BREJEIRO: cigarro caseiro feito com fumo forte enrolado com palha de milho ou papel; cigarro grande e grosseiro (“Tem alguém fumando brejeiro por perto, tá sentindo a catinga!”).

BREJEIRO: desajeitado; amatutado (“De onde tuvem tão brejeiro!”).

BREU: escuridão total (“Tá um breu na rua!”).

BRIGA DE FOICE NO ESCURO: feio demais; tribufú (“Quem é essa briga de foice no escuro que chegou?!”).

BRINCANDO: com duas risadas; com facilidade; com desenvoltura; que faz algo com grande desenvoltura (“Eu faço rede de pesca brincando!”).

BROA: bolacha de leite (“Adoro broa!”).

BROCAR MATO: cortar mato com foice ou facão (“Vovô tá brocando mato na levada! – Pedro Araújo – Porto).

BROCHA: pincel grande de pêlos compridos, usado para caiação de meio-fios e muros. OBS: Normalmente a base, onde ficam fixados os pêlos, tem o formato de um retângulo (“Lave as brocha depois de usar!”).

BROCHE: acessório feminino usado para prender ou enfeitar os cabelos, presilha (“O broche machucou minha nuca!”).OBS: Não há relação com o broche que se prende na roupa na altura do peito.

BRONHA: punheta, masturbação masculina (“Esse menino adora uma bronha!”).

BROTE: bolacha de leite em formato grande. (“Se conforme que é um brote prá cada um, magote de comilão!”). OBS: É bem mais duro e de cor clara, o contrário da soda que é macia e escura.

BROTE: tipo de planta ornamental, cujas espécies variam de cor (“Mulé me dê uma muda desse brote avermelhado!”).

BRUACA: mochila, bolsa, saco de carregar qualquer coisa (“Mainha minha bruaca tá toda rombuda!”).

BRUACA: mulher feia, baranga; estrupício (“Vots! Esse homem é casado com essa bruaca, cruz credo!”).

BRUGUELO: menino pequeno (“Eu só saio daqui com os meu bruguelo!”).

BUBU: chupeta (“Os meu eu nunca dei bubu!”).

BUCHO: barriga; pança (“Hoje eu encho o bucho!”).

BUCHO DE LAMA: barriga muito grande e flácida (“Aquele bucho de lama como feito beia!”).

BUCHO DE TINTIN: barriga muito grande, arredondada e dura, semelhante a um pote d’água (“Depois que Tico casou virou um bucho de lama, faz medo!”).

BUCHO DE TINTIN OVADO: barriga em piores condições de que a bucho de tintin (“Arra! Quem é aquele bucho de tintin ovado!”).

BUCHO INCHADO: empachado, com o estômago excessivamente cheio (“Mainha ta com o bucho inçado!”).

BUCHO NA BOCA: nos últimos meses de gravidez; barriga muito grande no final da gestação (“Ritinha tá com o bucho na boca, acho que não passa de amanhã!”).

BUCHO QUEBRADO: barriga grande demais (“ Quem é esse bucho quebrado que chegou aí?”).

BUEIRA: canaleta sob estradas para escoamento de águas pluviais. (“O carro caiu na bueira!”).OBS. O substantivo masculino “bueiro” assume forma feminina devido o regionalismo.

BUFA: peido, gases intestinais “(Ô bufa podre da mulesta! Quem comeu raposa morta?”).

BUFENTO: que descoloriu-se devido o excesso de uso, coisa desgastada (“Jogue fora essa camisa, tá tão bufenta!”).

BUFENTO: desmilinguido; com ares de pessoa desgastada; empalemado (“Claudinha tá namorando esse menino bufento?”).

BULIÇOSO: que bole em tudo, arteiro (“Vot! Que menino buliçoso esse seu!”).

BUNDACANASTRA: cambalhota (“Beba se machucou brincando de bundacanastra!”).

BURRA DE PADRE: mula sem cabeça; mulher que namora padre. (“Dizem que no Porto tem uma burra de padre!”). OBS: Trata-se de uma lenda muito presente no município, que diz que mulher que tem relacionamento amoroso com padre se transforma numa mula sem cabeça, e sai após a meia noite assustando as pessoas que se aventuram pela madrugada.

BURRINHO: garrafa pequena com cachaça (“Me dê aí um burrinho do bom!”).

BURRO MULO: cruzamento de burra com cavalo. OBS: É um animal estéril.

BURUNDANGA: uma porção de coisa velha, munturo, quinquilharia, uruvaio; trambelho; qualquer coisa (“Que tanta burundanga é essa aí nesse saco?”).

BUTUCA: espreita; de olho; observando (“Fica de butuca que tu pega ela com a boca na botija!”).

BUZINANDO NOS OUVIDOS: gritando; fazendo barulho (“Menino!Deixe de ficar buzinando nos ouvidos. Se aquiete!”).

BUZINANDO NOS OUVIDOS: batendo na mesma tecla; cantiga de grilo; repetindo uma coisa o tempo todo (“Eu não aguento mais ele buzinando nos ouvidos isso!”).

LETRA “C”

CABA: cabra; homem; rapaz (“Diz aí, caba rei!”).

CABA RÉI: pessoa safada, homem emprestável (“Eu não quero esse caba réi em minha casa, não invente de teimar!”).

CABA RÉI: cara, companheiro, camarada (“Diz aí caba réi, quando é que a gente vai de novo?”). OBS. Como se percebe, a utilização de tal expressão depende do contexto.

CABEÇA DE GALO: pirão muito ralo feito com farinha de mandioca, pimenta do reino, ovo, coentro, sal, tomate, cebola e pimentão. OBS: É recomendado para restabelecer pessoas adoentadas e fracas.

CABEÇA DE TABEFE: cabeça grande, feia ou estranha; cabeção (“Vote! Que cara de tabefe, parece um ET!”).

CABIDO: indiscreto, metido, entrão; que se mete onde não é chamado (“Fale baixo que aquele menino cabido tá chegando!”).

CABIDO: enxerido, que possui segundas intenções, galanteador (“Você sabe que ele é cabido pro lado de mulher, não invente de dar conversa!”).

CABIMENTO: enxerimento, ousadia, ato de se insinuar no sentido de dar em cima de alguém com galanteio (“Dizem que ele solta muito cabimento para as meninas!”).

CABORÉ: homem feio e esquisito (“Eu que não quero esse caboré!”).

CABORÉ: OBS. Maneira carinhosa de referir-se a alguém íntimo (“Diz aí caboré, o que tú qué?”).

CABUMBA: cachaça muito forte e que não passou por processos de destilação, pinga grosseira (“Bote uma cabumba do véi Domício mó deu bebê!”).

CABRA DE PEIA: homem bom, homem de garra (“Pedro é cabra de peia, agora você vai ver a cobra fumar!”).

CABRUNCO: coisa ruim, mal, diabo (“Sai prá lá filho do cabrunco!”).

CAÇAR: procurar (“Caça o brinquedo desse menino por seu favô!”).

CACARECO: burundanda; quinquilharia; coisas sem valor (“Que tanto cacareco é esse nesse quarto!”).

CACETEIRO: cara muito legal, benquisto, camarada, amigão, tampa de furico (“Aquele cabra é caceteiro todo!”).

CACETEIRO: garanhão, que fica com muitas mulheres, gostosão (“João é caceteiro, não vá na onda dele!”).

CACHIBREMA: diz-se quando o homem está tomado por cachaça, chifre e problema (“João está numa cachimbrema danada!). OBS: Como muitos pronunciam “pobrema”, o final do vocábulo faz jus a pronúncia. Trata-se de uma palavra que aparentemente originou-se em terras nisiaflorestenses.

CACHORRA DA MULESTA: OBS: trata-se de um xingamento usado por pessoas já de uma certa idade, embora os filhos também usam (“Essa cahorra da mulesta quebrou!”). CURIOSIDADE: tanto faz dizer “cachorra da mulesta” quanto “mulesta dos cachorro”.

CACHORRO: raposa, feijão e farinha misturado e espremido na mão, formando uma espécie de bolinho (“Comi tanto cachorro no almoço que empachei!”). OBS: É uma expressão menos usada. Fala-se mais “raposa”.

CACIMBÃO: poço d’água, buraco profundo cavado para verter água (“Zé Carão fez um cacimbão bom que só na moita!” – D. Joaninha Bajal – rua da Bica).

CACIMBÃO: maneira pejorativa de referir-se a mulher que costuma ficar com muitos homens (“Aquela Maria cacimbão ficou com o meu marido!”).

CAÇOÁ: cesto de cipó normalmente utilizado no lombo dos jumentos para transportar o fruto do trabalho do homem (“Con’eu era pequena papai me levava prá praia dentro de um caçoá. Uma vez eu caí, é por isso que minhas costa é torta!”).

CAÇOAR: mangar, fazer pilhéria; debochar (“Deixe de caçoar das meninas!”).

CAÇOTE: espécie de rã pequena, não comestível (“Ta cheio de caçote debaixo da pia!”).

CAÇOTA: o mesmo que caçote.

CADÊ VOCÊ RAPAZ?: frase muito utilizada entre amigos. É como se dissesse: “onde é que você estava?” ou “por que tu não foi?”. OBS: Trata-se de uma expressão curiosa, pois mesmo vendo a pessoa próxima é dito: “cadê você?”, como se não estivesse vendo a pessoa.

CADEIRA: quadris, quartos (“To com as cadeira que não me agüento!”).

CAFIFE: piolho de galinha e certas aves (“Não entre no galinheiro que tá cheio de cafife!”).

CAGADO E CUSPIDO: cópia fié; igualzinho; dois par de jarro (“Ele é cagado e cuspido o pai!”).

CAGÃO: pessoa guiada pelos outros, sem voz ativa; besta; (“Aquele cagão só vai se a mulé deixa!”).

CAGÃO: medroso (“Aquele cagão não dorme sozinho nunca com essa história de malassombro!”).

CAGA-LONA: que viaja na carroceria (“Eu que não vou de caga-lona!”).

CAÍCO: peixe muito pequeno e seco, muito salgado, o qual é vendido nas bodegas (“Comi tanto caíco que já bebi um litro d’água!’). Obs. É muito apreciado no jantar de pessoas simples, acompanhado com macaxeira, batata ou inhame.

CAIXA BOZÓ: expressão usada quando a pessoa está com raiva ou chateada. (“Quando ela chegou eu dei a porra e mandei ela prá caixa bozó!”). OBS: É um xingamento. Como se dissesse: vá catar lata, vá prá baixa da égua, vá pro inferno; porra, merda.

CAIXÃO: problema, dificuldade, tarefa complicada (“Colocar tudo aquilo em ordem é caixão, viu!”).

CAIXÃO: tiro e queda, bateu-valeu, que vale a pena, que o resultado é ideal, (“Faça o lambedor de cupim que o bicho é caixão!”).

CAIXÃO: muito bom, legal, ótimo, maravilhoso, desenrolado, eficiente (“Esse Papa João Paulo é caixão, viu!”).

CAIXÃO: exigente a ponto de ser um pouco chato (“Não entregue esse trabalho feio assim, pois esse professor é caixão, ele vai lhe dar zero”).

CAIXÃO E VELA PRETA: pessoa que não há quem possa com ela devido às suas astúcias, artimanhas; que tem jeito prá tudo; que se sai bem de um problema constrangedor ou difícil (“Se esse dotô não resolver, procure o dotô Dióge. O cabra é caixão e vela preta!”).

CAIXÂO E VELA PRETA: qualquer coisa ou pessoa muito boa; de primeira; de qualidade, muito eficiente (“O carro dele depois que chegou da oficina é caixão e vela preta!”).

CAIXA-PREGO: lugar distante OBS. É um xingamento do tipo “vá para o inferno!”.

CALABRIAR: sujar; melar; manchar (“Ele calabriou a casa toda com graxa!”).

CALAMBICA: iguaria feita com jerimum cozido e amassado com leite, feito papa (“Luís, coma essa calambica!”).

CALÃO: nome dados às duas varas laterais que sustentam a rede de pesca (de arrasto). (“Ele não segurou o calão direito e os peixes escaparam!”).

CALIBRE: estilo, tipo, top (“Não se vê muita gente do calibre do seu Pedro. Que homem trabalhador!”).

CALIFOM: corpete; sutiã. OBS. Expressão muito antiga, mas ainda usada por raras famílias. O califom, podemos entender como pai do corpete e avô do sutiã. Segundo a professora mais idosa do município, D. Maria do Carmo Bezerra Dias, de 97 anos (ainda viva) o califom original é feito de tecido de algodão macio, cujas tiras usadas para amarrar ficavam embutidas na própria peça, semelhante a parte superior de um biquine, se bem que de temanho muito maior.

CALUNGA: desenho mal feito de pessoas ou animais, garatujas (“Com essas suas calungas você nunca será um artista).

CALVÃO: carvão (“Bote mais calvão mulé!”).

CAMBADA: magote de malandros, grupo de cabras safados (“Essa cambada de vagabundo só vive na minha porta!”).

CAMBADO: troncho, coxo, de andar desajeitado; mocorongo (“Chico cambado mora na moita”).

CAMBETA: o mesmo que cambado

CAMBITO: perna muito fina (“Olha os cambito dela, vot!”).

CAMBURÃO: panelão industrial, típico de escolas, restaurantes e ambientes que preparam grandes quantidades de comida (“Vôts! Quando fulano entregou a prefeitura, levaram até os caburões daquela escola!”).

CAMISEIRO: guarda-roupa, móvel de quarto (“O gato tá atrás do camiseiro”).

CAMPEIRA: espaçosa, assobradada, ampla (“A gente faz o ensaio lá porque a casa dela é campeira, boa que só!” – Maria da Apresentação – Campo de Santana). OBS: É usado apenas para referir-se a ambientes e lugares, não se aplica a objetos.

CANA: cachaça (“Bote uma de cana!”).

CANCHA: garra, boa qualidade, raça (“Garrincha foi um jogador que tinha cancha. Loureço adora futebó, mai nu tem cancha política, o póbi!”).

CANDIÊRO: lampião caseiro movido a querosene (“Lá eles ainda usam candiêro!”).

CANGUEIRO: motorista que dirige mal (“Eu que não ando com esse cangueiro!”).

CANHÃO: pequenos pontos pretos que nascem na pele das aves – na realidade é a ponta da pena que está se desenvolvendo (“Ainda tá cheio de canhão na galinha, bote no fogo prá tirar os penugens!”).

CANINGA: incômodo, chatice, perturbação (“Lá ren aquela caningada módi tirá u sussego da rente”!).

CANJERÊ: ambiente bagunçado, lugar cheio de farra (“Tá um canjerê a casa de Doda!”).

CANJERÊ: zona, prostíbulo (“O marido de Zilda só vive no canjerê de São José!”).

CANJICA: comida feita de milho moído (“Vô adora canjica!”).

CANJICÃO: iguaria feita de farinha de milho, leite, açucar, leite de coco e especiarias, a qual é servida no ponto bem mais duro que a canjica (“Leve uma quartinha de canjicão prá vovó!”).

CANTAR DE GALO: ser o dono do pedaço, impor-se como pessoa que dá as ordens e dita as regras a serem obedecidas, mandão (“Aqui quem canta de galo sou eu!”).

CANTIGA DE GRILO: repetir várias vezes a mesma palavra ou frase, estar sempre falando a mesma coisa (“Você diz que faz, mas eu te conheço, isso é só cantiga-de-grilo!”).

CÃO CHUPANDO MANGA: pessoa que tem o gênio muito forte, geniosa (“Ela é o cão chupando manga e eu sou mil e seiscentos cão comendo rapadura!”).

CAPAR INHAME: decepar o tubérculo exatamente no início da parte que dá origem ao tronco. É retirada para o consumo apenas o pedaço que fica entre o tronco e a raiz. Os agricultores conservam este hábito para guardar a muda para a nova safra, ou para replantar no exato momento que “capou” o inhame.

CAPE-O-GATO: vai embora; cai fora, pegue o beco, risque, vai catar coquinho; sai-te; pipoque daqui; faça carreira; espiche o gato; espiche daqui; pique a mula; risque; cisque; pique daqui; meta os pés; pinique daqui (“Cape o gato daqui, seu galado!”).

CAPENGA: coisa de má qualidade, fuleira, sem valor (“Foi muito capenga o prêmio da festa”!).

CAPENGA: pouco, coisa diminuída (“Eu pensei que você tinha feito canjica, e não essa coisa capenga!R#8221;).

CAPENGA: triste, cabisbaixo, combalido (“Que que tu tem que tá tão capenga?”).

CAPENGA: coisa de má qualidade, de quinta categoria; falsificado; fuleiro; imprestável, inferior (“Éssa bolsa é muito capenga!”).

CAPIÓ: extensa propriedade rural próxima ao centro de Nísia Floresta, na qual existe muita roça, pois a terra é muito boa”).

CAPIONGO: com o olhar de sono, olho de japonês; pichinim; triste, cabisbaixo, combalido, capenga (“(“Marcos tá com um olharzinho tão capiongo, será que tá doente?”).

CAPITÃO: penico, urinol, boca de sino (“Mia fia traga meu capitão!”).

CAQUIANDO: tateando, procurando alguma coisa com as mãos (“Menina, o que você está caquiando aí no armário?”). OBS: Normalmente quem “caqueia” é gente idosa ou cega – ou quem está no escuro.

CARA-DE-AMÉLIA: com a cara mexendo; fisionomia sem graça, desconfiado, cara lisa, sem jeito (“Quando lhe perguntei pelo dinheiro ela ficou com cara-de Amélia!”).

CARA DE TACHO: sem vergonha; cara lisa; fingido (“Lá vem ele com a cara de tacho!”).

CARA DE HEREJO: cara de besta; bestando (“Tu pensa que eu tenho cara de herejo, é sinhá puta?!”).

CARA MEXENDO: envergonhado; sem chão; cheio de perna; errado todo; com cara de Amélia, feito bobo; fisionomia sem graça; desconfiado; sem jeito (“Eu fiquei com a cara mexendo quando vi que era mentira dela!”).

CARÃO: esporro, dar um batido, chamar a atenção; dar uma inchincada (“Vovô deu um carão n`eu!”).

CARECE: necessita, precisa (“Não carece de botá mais leite no doce!”).

CARAI- DE- ASA: caralho-de-asa. OBS: Trata-se de uma expressão vulgar.

CARITÓ: maninha; mulher que nunca se casou; moça velha; solteirona; que ficou no caritó (“Netinha ficou no caritó!”).

CARNE-DE-CABEÇA: tipo de carne situada debaixo do pescoço dos bovinos vendidos em feira. OBS: Trata-se de uma expressão típica de feiras livres.

CARNE-DA-FRUTA: polpa da fruta (“Prá fazer o doce do jerimum você tira toda a carne e cozinha com açucar até apurar!”).

CARNE MORTA: carne bovina que fica entre a costela e a coxa do animal. OBS. Trata-se de uma expressão típica de feira.

CARNE-VERDE: carne fresca, carne nova que não recebeu sal e nem sol (“Zeca, traz dois quilo de carne-verde da feira!”).

CARNEIRO: carnê de aposentadoria (“O nhô Pedro foi pegar o carneiro dele!). OBS. Tal expressão, em desuso, era uma referência aos antigos carnês de aposentadoria, hoje substituídos pelos cartões magnéticos. Tal informação foi prestada pelo sr. “Cuia véia”, do distrito do Porto.

CARRADA: quantidade equivalente a uma carroceria ou carro de mão cheios (“Traga uma carrada de strumo amanhã cedo!”). OBS: Trata-se de uma medida matemática.

CARRAPETA: danado, arteiro, malino, endiabrado (“Moleque carrapeta esse seu vizinho!”).

CARREGADO: reimoso, diz-se de qualquer alimento que, se comido, inflama alguma ferida que a pessoa tenha, além de garganta inflamada ou se a mulher estiver menstruada (“Mulé não coma caranguejo, olhe o estado da sua perna!”).

CARRÊGO: agente inflamador (“Peraí que eu vô tirá o carrego da macaxeira!”). OBS: Alguns nativos costumam jogar fora a água da macaxeira assim que a mesma entra em fervura. Logo em seguida recolocam nova água (fria) para que ferva e termine o cozimento. Esse processo tem como finalidade retirar o carrego do tubérculo, pois assim como diversos alimentos, a macaxeira é considerada “carregada”.

CARREIRA DE CASA: uma seqüência de casas próximas às outras, casas de parede-meia; (“No final dessa carreira de casa fica a Casa Marista”).

CARTA DO ABC: cartilha de alfabetização; antigo método de alfabetização utilizado pelos nossos bisavós, no qual se ensinava o alfabeto por etapas, e em seguida formava-se as palavras soletrando sílaba por sílaba, por exemplo, a palavra “camelo” era soletrada assim: “ce-a-ca-mé-é-mé-élé-ó-ló é igual a cá – mé – ló”.

CARUAVE: propenso, que tem tendência a alguma coisa, principalmente a doença (“Mamãe sempre foi caruave a pipoca-roxa!”).

CARUMARU: antigo prato típico da Semana Santa, feito com bredo, leite-de-coco, sal. pimenta-do-reino, coentro, tomate, cebola e pimentão. Raras pessoas comiam peixe durante a referida semana, pois o carumaru era a tradição da época. OBS: Expressão em desuso.

CASA-DA-DINDA: apelido da Secretaria Municipal de Obras Públicas de Nísia Floresta durante a administração do Prefeito Professor João Lourenço Neto. CURIOSIDADE: No início de 1997, a referida secretaria passou a funcionar num antigo casarão construído na década de 30, no qual morou Yayá Paiva (absurdamente demolido em 2002). O pédio situava-se de frente ao Ginásio Poliesportivo. A casa tinha os compartimentos assobradados. A cozinha era imensa e foi exatamente nesse cômodo que teve origem a pitoresca expressão “Casa-da-Dinda”. Lá era preparada toda sorte de almoços e lanches fartos e isso atraia funcionários de vários setores, principalmente na hora do almoço, os quais vinham apressados, ávidos para fazer a lambança nos panelões de “cumê”. O cheiro exalava pelo casarão, atiçando os apetites. Quem chegasse e não fosse gentalha “se abancava” e comia “empolado”. Os mais íntimos chegavam e iam fazendo montanhosos pratos. A “Casa-da Dinda era deliciosa”. Era tudo “na baia”. Logo todo mundo inventava uma desculpa e “pegava o beco” para lá, pois era impossível sair dali insatisfeito. Isso fez com que os próprios funcionários dessem o epíteto de “Casa-da-Dinda” àquela repartição, numa alusão à famosa casa particular do Presidente Fernando Collor – em Brasília (sinônimo de lugar onde ocorreram gastos exorbitantes) que logo se popularizou. Em 2001 foi construído o prédio oficial da Secretaria Municipal de Obras Públicas, no Conjunto Clóvis de Carvalho; a “Casa-da-Dinda” foi abandonada e criminosamente demolida no ano seguinte. Com a sua demolição o apelido foi esquecido, exceto por algumas pessoas que logicamente sentem saudades até hoje. A expressão tem o mesmo sentido de outra nacionalmente conhecida: “casa da mãe Joana”, ou seja, local onde se chega e se faz o que bem quer.

CASCABUIO: coisa que não presta mais; troço velho; uruvaio; trambelho; burundanga (“Jogue fora esse cascabuio!”).

CASCAVIAR: procurar; investigar, pesquisar; buscar; (“Eu cascaviei tudo e não encontrei nada!”).

CATAR COQUINHO: expressão usada quando se quer dizer: vai prá lá!, cai fora!, sai daqui!, vai encher o saco de outro!; sai-te; cape o gato! (“Eu não quero nada com você, vai catar coquinho!”). OBS. Obrigatoriamente tem que ter o “vai” antes da expressão.

CATEMBA: casca do coco (“Faça uma coivara com essas catembas!”).

CATIMBÓ: feitiço; macumba (“Dizem que fizeram catimbó prá essa menina!”).

CATINGA: fedor, mal cheiro (“Arra! que catinga!”).

CATINGA-FRIA: fedor; mal cheiro (“Tá uma catinga fria nesse banheiro, hum rum!”). OBS. É dito quando um ambiente ficou mal lavado, como se o fedor tivesse piorado depois que foi lavado

CATINGUENTO: fedorento, que tem odor desagradável (“Sai prá lá catinguento!”).

CATITA: ratinho novo (“Tá cheio de catita no meu guarda-roupa!).

CATOCO: pequeno, curto, baixinho (“Um catoco desse quer ser gente!”).

CATÓLICO-DE PAU-DE-ANDOR: pessoa que se denomina católica mas que só vai à igreja uma vez perdida (“Esse católico-de-pau-de-andor só vem prá igreja quando tem procissão!”).

CATOMBO: inchaço proveniente de pancada (“Eu to toda encatombada!”)ô

CATOTA: excrementos ressequidos que saem do nariz de uma pessoa; bolinha de caraca tirada do nariz (“Esse menino só vive tirando catota do nariz!”).

CATREVAGEM: coisa errada; safadeza; coisa mal feita (“Esse cabra vive metido em catrevagem!”).

CATREVAGEM: fingimento, chilique inventado (“Foi catrevagem dela. Os médico disseram que ela tava normá!”).

CATREVAGEM: uruvaio; burundanga; quinquilharia (“É tanta catrevagem que faz medo nesse quarto!”).

CAVADEIRA: pessoa que tem facilidade para descobrir, investigar ou agilizar as coisas (“É bom você pedir isso prá Maria, ela é tão cavadeira!”).

CAVADEIRA: fofoqueira, que vive “cavando” ou “cascaviando” coisas sobre a vida alheia (“Lá vem aquela fofoqueira ver se cava alguma coisa aqui em casa!”).

CAVALO BATIZADO: grosso; mal educado; ignorante (“Esse maguila é um cavalo batizado!”).

CAVALO DO CÃO: besouro imenso (“A mata tá cheia de cavalo do cão!”).

CAVILACÃO: invencionice, inventar algo sem necessidade, procurar sarna para se coçar (“Você só vive com cavilação, mulé, tome jeito!”).

CAVILOSO: inventadeiro; criativo; (“Paulo é tão caviloso pro lado de desenho!”).

CAVILOSO: arteiro, que mexe em tudo, traquina (“Deixe isso quieto, menino caviloso!”).

CEBOLA: expressão usada como xingamento, é como se dissesse: merda, porra, caralho (“Torou o cabo do martelo. Isso é uma cebola mesmo!”). OBS: Obrigatoriamente tem que ter a palavra “uma” antes de cebola.

CELEBRO: converseiro e movimento de muita gente; ruma de pessoas farreando (“Tá um celebro danado na casa de Jorge!”).

CERCADO: propriedade; pequeno espaço de terra; espécie de sítio (“Essa água vem do cercado de Deca”!). OBS. A designação “cercado” não se refere a propriedade com cercas, embora possa ter, mas a terreno em si.

CERÔTE: sujeira que se acumula no corpo e na roupa proveniente do suor do dia inteiro; nhaca; azedume (“Letra passou aqui num cerote só!”).

CERANDO: freqüentando muito um lugar com segundas intenções (“Aquela menina tá cerando muito a bodega do meu marido!”).

CERRAR UNHA: lixar a unha (“Tenho que cerrar minhas unhas hoje!”).

CEVADEIRA: ofiício da mulher responsável pela colocação da mandioca no rodete de casa de farinha para ser moída (“Fui cevadeira muitos anos!”).

CEVADO: bem nutrido; bem alimentado (“Tô cevando esse caranguejo módi us minino que ton vindo di San Palo!”).

CEVADO: gordo, forte, encorpado (“Painho tá cevado demais, precisa de um regime!”).

CEVADO: tesudo; gostoso; filé (“Esse garoto tá cevado todo!”).

CHABOCUDA: com imperfeições (“Essa parede é toda chabocuda. Parece a cara dele!”).

CHABOQUE: pedaço (“Tiraram um chaboque da cara dele!”).

CHABOQUEIRA: grosseira; de feições feias (“Quem é essa mulher tão chaboqueira?”).

CHÁ-DE-BURRO: munguzá (“Oba! hoje tem chá-de-burro!”).

CHAFURDAR:1 fofocar; procurar confusão; mexerico (“Lá vai ela chafurdar a vida alheia!”).

CHAFURDAR: 2 mexer, bolir, revirar (“Menino, não vá chafurdar nessa lama!).

CHAFURDAR: 3fazer mal feito, de qualquer jeito (“Essa roupa parece que só foi chafurdada no sabão, tá fedendo!”).

CHAFURDAR: 4 transar, ter relações sexuais (“Dizem que ela chafurda com um homem casado!).

CHAFURDO: bagunça; tumulto (“Tá um chafurdo danado na bilheteria!”).

CHAFURDO: fofoca; picuinha; confusão (“Ela vive fazendo chafurdo pelas casas!”).

CHAMADA: uma dose de cachaça (“Bote uma chamada prá mim!”).

CHAMEGO: ficar juntinho, sussurrando segredinhos bestas; ficar com nhénhénhém pelos cantos (“Deixem de chamego vocês dois, que azogue da mulesta!”).

CHAMEGANDO: se esfregando com alguém maliciosamente (“Essa cabrita só vive chamegando com aquele cabra aí no muro, na luz do dia!”).

CHAMEGANDO: transando (“Dizem que ela tá chamegando com ele há anos”).

CHAPADO: alcoolizado; bêbado (“Ele hoje tá chapado!”).

CHAPÉU-DE-COURO: iguaria feita a base de trigo, sal, leite (ou água), onde se mistura tudo e coloca-se pequenas porções numa frigideira untada com óleo para assar, a qual fica parecendo panqueca (“O tempo passou, mas eu ainda adoro chapéu-de-couro!). OBS. Trata-se de uma comida ainda apreciada por muitas famílias humildes.

CHARANGA: pequena fanfarra composta por instrumentos básicos, a qual é muito comum nas animações de jogos de futebol, viagens de ônibus com estudantes e excursões, etc (“A charanga de Manuel Salvador vem vindo”).

CHEGADO: que gosta muito; simpatizante (“Esse cara não é muito chegado não”).

CHEGUE: venha, aproxime-se, avia (“Chegue almoçar vovô!).

CHEGOU ÀS BOAS: fez as pazes (“Ele chegou às boas com ela!”).

CHEIA-DE-PERNA: envergonhado, sem jeito, com a cara mexendo; sem chão; errado todo; envergonhado (“Ele ficou cheio-de-perna quando me viu”).

CHEIO DE ONDA: cheio de nove horas; que gosta de enrolar com conversas, cheio de nhenhenhem (“Tu é cheio de onda, cara!”).

CHEIRANDO OS PEIDOS: aparando os peidos; bajulando (“Ele não dá emprego pros meu porque eu não vivo cheirando os peido dele!”).

CHEIRANDO OS PEIDOS: que só vive junto com alguém; grudado; carne-e-unha; na cola; mala sem alça (“Ele só vive cheirando os peido de Pedu!”).

CHIBANCA: picareta; instrumento de trabalho semelhante a um grande martelo com pontas afiadas e o cabo semelhante a de um machado. Normalmente é usada para furar asfalto, quebrar calçadas , paredes, arrancar paralelepípedos e pedras.

CHIBUNGA: brega, chumbrega, apapagaiado (“Muito chibunga esse seu vestido!”).

CHIBUNGA: de má qualidade, reiêra (“Tais vendo, comprou essa bolsa chibunga e logo rasgou!”).

CHICOLETE: expressão usada para ironizar ou debochar de algo que foi dito com muita convicção de estar certo ou errado, e que, no entanto, o informante está absolutamente enganado quanto a sua colocação, por exemplo: Uma mulher coloca muitos chifres no marido, no entanto ele nem imagina que é traído (mas toda cidade sabe). De repente o marido chifrudo está conversando com uns amigos sobre chifre, dizendo que graças a Deus sua mulher é fiel. Nesse momento os amigos podem dizer entre os dentes: “É tanto chicolete!!!”.

CHINCADA: carão; chamar a atenção de alguém; dar uns esbregues; dar um esporro (“Eu dei uma chincada naquele cabido que ele ficou sem chão!”).

CHINELA: alpargata; pregata (“Grudou chiclete na minha chinela!”).

CHINELA DE DEDO: o mesmo que chinela

CHOQUE: instrumento de pesca, de origem indígena, ainda em uso, feito de taboca, com o formato de um cone. É todo peneirado. A parte de cima só cabe um braço. Os nativos caminham sorrateiramente sobre as águas e assim que dão fé do peixe, atiram o choque imediatamente. Em seguida enfiam a mão no buraco e pegam o peixe.

CHORAR MISÉRIA: reclamar das condições financeiras (“Deixa de chorar miséria e compre o carro de mão, rapaz!”).

CHOVA PAU OU PEDRA: aconteça o que acontecer; dê no que der (“Chova pau ou pedra eu vou falar com ela!”).

CHUMBREGA: brega; chibunga; apapagaiado (“Ô mulé chumbrega essa fulana!”).

CHUNCHADA: dor que cumincha, ou seja, dor fina; que vem de uma vez como agulhadas (“É cada chunchada no dente que não me aguento!”).

CHURUMINGAR: reclamar demais (“Deixa de churumingar que agora não tem mais jeito!”).

CHURUMINGAR: típico resto de choro, no qual se funde soluços com respiração profunda e uma espécie de miado (“Se continuar churumingando leva mais peia!”). OBS. É muito comum em crianças e em mocinhas que perdem o primeiro namorado. Dizem que corno também churuminga às escondidas.

CIBAZOL: OBS: é um xingamento não vulgar (“Quebrou a torneira, isso é um cibazol mesmo!” – D. Iraci – Tororomba).

CIGARREIRA: banca de revista (“Ô lugar esquecido! Aqui não tem nem cigarreira!”). OBS. Trata-se, particularmente, de uma das mais curiosas palavras da redondeza.

CIPUADA: surra; peia; cintada; lamborada, lambada; pisa; reiada (“Acabe com esse chafurdo, senão eu dou-lhe uma cipuada!”).

CIPUADA: relação sexual, transa; trepada (“Dizem que eles costumam dar uma cipuada na mata da moita quando voltam do trabalho”).

CIPUADA: carão; chamar a atenção de alguém (“Quando eu soube da fofoca, peguei ela e dei uma cipuada boa. A bicha ficou toda sem jeito e negou tudo!”).

CISCA: pegue o beco, vá logo, faça carreira, ande ligeiro; meta os pés; cape o gato; cisque; pique a mula; risque; pipoque daqui; pinique; espiche daqui; espiche o gato; pique daqui; pinique daqui. (“Cisca daqui seu atrevido!”).

CISCA: limpa o quintal com ciscador (“Cisque só do rio prá trás!”).

CISCAR: limpar o quintal com o ciscador (“Venha ciscar o quintal!”).

CISCADOR: rastelo, ancinho, instrumento usado para ciscar quintais (“O ciscador quebrou!”).

COCA: cócoras (“Trepe aqui na minha cóca!”). OBS. Dupla síncope e apócope de cócoras.

COCADINHA: a expressão “cocadinha” designa qualquer doce cortado em forma de cocada ou de pequena rapadurinha. Tanto pode ser literalmente uma cocadinha quanto uma “cocadinha” de amendoim.

COCOROTE: bater com as mãos fechadas na cabeça de alguém, de modo que acerte o quengo com a dobra dos dedos, dar um cascudo (“O cocorote foi tão grande que levantou um galo!”).

COCOROTE: bolacha de leite de gado e coco. Seu formato é grande, tem cor clara e é muito macia (“Fábio comeu tanto cocorote que inguiou!”).

COIOTE: magérrimo, esquelético, vara-de-bater-pecado; sibito baleado; franzino (“Coitado dele, tá só o coiote!”).

COISA BOTADA: feitiço, catimbó, coisa feita, macumba; macacoa (“Isso é coisa botada, leve numa curandeira!”).

COISA FEITA: É o mesmo que coisa botada.

COISINHA: um pouquinho; uma pequena quantidade; tiquinho; uma porção de qualquer coisa (“Me dê uma coisinha de açucar!”).

COISINHA: alguém; pessoa de qualquer sexo (“Coisinha, você pode me dar esse chinelo?”). OBS. A expressão “coisinha é usada quando não se sabe o nome da pessoa a que está se dirigindo.

COIVARA: ruma de mato seco juntado nos quintais e sítios após limpeza (“Painho, pode queimar as coivaras?”).

COLOIO: vocábulo usado para referir-se a uma porção de pessoas, cujos comportamentos não são muito aprovados pela sociedade, por exemplo: mafiosos, politiqueiros, vândalos (“Não se misture com esse coloio, senão eu corto relações com tú!).

COM A BEXIGA: com a porra, com a mulinga, dando a piula, com muita raiva; com o cu nas costas (“Hoje eu tô com a bexiga, nem fale comigo!”).

COM A BIXIGA LIXA: com ódio; com a porra; com a mulinga; com o cu nas costas (“Teca tá com a bixiga lixa módi o carro que quebrou!”).

COMBALIDO: estragado, rachado, fraco, inválido, piúba (“Toda a madeira da casa está combalida!”).

COMBALIDO: triste, capiongo, amulengado, derrubado (“Essa diarréia deixou ele combalido!”).

COMBINAÇÃO: peça da vestimenta feminina antiga, feita de tecido leve, a qual era usada sob o vestido ou saia (“Vó inda usa combinação!”).

COM DUAS RISADAS: com muita facilidade; com desenvoltura; com habilidade; brincando (“Fulano faz isso com duas risadas!”).

COME NO MESMO COXO: é da mesma iguala; é da mesma laia (“Xepa fala de João, mas os dois comem no mesmo coxo!”).

COMO BEIA: demais; em abundância (“Tem manga como beia!”).

COMONGOL: tipo de janela de uma peça só, pequena e de cimento, elaborada com elementos geométricos, abstratos ou figurativos, o qual faz as vezes de uma grade de proteção de casas. Normalmente é usado em banheiros como única ventilação varandas, muros ou locais que requerem passagem de ar sem precisar ser muito aberto.

COM O CÚ NAS COSTAS: com a pá virada; com muita raiva; com ódio; dando a piula; com a porra (“Espiche daqui que hoje tô com o cu nas costa!”).

COMO SEM FALTA: certamente; por certo; logicamente (“Irei como sem falta amanhã!”).

CONDENADO: amaldiçoado; desgraçado; maldito; infeliz; filho de uma égua (“Se eu pegar aquele condenado eu esfolo vivo”). OBS. Apesar de ser usado como xingamento, quando a pessoa está com muita raiva, pode ser usado também como brincadeira, dentro de um contexto lógico, por exemplo: “Diz aí, condenado, se aprochegue!”.

CONDUTO: mistura, complemento da alimentação básica (“Quando não tem conduto esse cabrito não come nada. Conduto é a língua, seu cabra!).

CON’EU: quando eu (“Con’eu como esse troço me revira o estombo!”). É cacofonia que funde a locução interrogativa quando com o pronome pessoal eu . Por sua vez torna-se um suarubacti (ou epêntese).

CONFEITO: bala, docinhos à granel (“Mainha dê dinheiro mó deu comprá confeito!”).

CÓPIA FIÉ: cagado e cuspido; igualzinho; grande semelhança (“Benza Deus! Ele é a cópia fie do pai!”).

CORDA: feixe de caranguejo, goiamum ou siri vendido de porta em porta. (Papai encomendou uma corda de caranguejo!). OBS: Os crustáceos são amarrados uns aos outros com cipó, palha de coqueiro ou embira.

CORONGO: peixe semelhante ao mussum, porém é esbranquiçado (“Quando eu era pobre comi muito corongo!”).

CORONHA: muito curta; cotó; pequena (“Essa calça já está coronha para você!”).

CORPETE: califom; sutiã (“Quebrou o meu corpete!”). OBS. Podemos dizer que o corpete é filho do sutiã e neto do califom.

CORRUTE: desgastado devido a muito uso; frouxo; folosado; afolosado; rombudo (“Tem que trocar essa torneira, pois está corrute!”).

CORRUTELA: curriola, coloio de pessoas (“Eu que não ando com gente da curriola dela!”).

COTÓ: suru; sem rabo; sem penas no traseiro (“Vovô comprou só franguinho cotó!)

COTOCO: muito pequeno, baixo, curto (“Quem é esse homem cotoco que chegou aqui!”).

COTOCO: desgastado (“O meu lápis grafite tá cotoco”).

COVO: instrumento artesanal feito de taboca ou cipó, usado para pescar camarão, mussu, moré, siri, carangueijo, cara e etc. (“Olha só como os covos estão cheios!”).

COZIDO: prato feito com pés, mãos ou pernas de gado, preparado com muitos legumes e batata doce, temperado à gosto. Normalmente se faz pirão com o caldo. (“Hoje eu faço um cozido nem que eu me réi!”).

COZINHADO: hábito tradicional de fazer cozido nos quintais das casas ou nas beiras dos rios e lagoas, reunindo a família e os amigos. (“O pessoal foi pra um cozinhado em Campo de Santana”).

CRAVO: espécie de nódulo de carne semelhante a um calo que se forma debaixo dos pés, provocando muita dor e dificultando a pisada. OBS. É uma expressão antiquíssima usada por pessoas muito idosas.

CRIATURA: tratamento pessoal (“Criatura, onde Diabo tu vai?!”).

CRISTÉ: laxante; supositório (“Vovó tá precisando de um cristé, faz dias que tá enturida”).

CROTE: planta ornamental existente em diversas cores e tipos (“É tão bonito aquele crote que tem no quintal de Luzia!”).

CUBANO: brechando; curiando (“Ele tava cubano a menina e tocano bronha!”).

CUBANO: pastorando para ter provas do que se suspeitava, lançar olhar analisador; observando com intuito investigativo (“To cubano há dias aquele safado! Quero pega-lo com a mão na massa”).

CUBANO: desejando; cobiçando; pigorando; olhando com água na boca (“Tô cubando aquela canjica!”).

CUICUI: cuscuz (“Mãe, bote meu cuicui!”).

CUIDA: avia; seja rápido; anda logo. (“Cuida, cuida que o ônibus tá saindo!”).

CUITÉ: espécie de cabaça – fruto redondo de uma árvore de médio porte, o qual atinge normalmente o tamanho de uma bola de futebol. Quando seco, corta-se ao meio obtendo-se duas tijelas, as quais são muito usadas nas residências rurais e do interior para apanhar água, cereais e outros produtos. Usa-se também como vaso de flor. É um material muito resistente.

CUMA?: como? (“Tu disseste o quê? cuma?”).

CUMAÉ: como é (“Cumaé o nome dele?”)

CUMBÁ: bolsa de pano utilizada por agricultores para apanhar feijão. Normalmente fica na altura do peito, presa por um cordão em diagonal entre a cintura e o ombro (“O cumbá de vovô furou!”).

CUMBÚ: briga, confusão, encrenca, cu-de-burro, boi-de-fogo (“Tá um cumbú da gota no Alto!”).

CUMÊ: alimento, comida de panela pronta para comer (“Mãe, bote meu cumê!”).

CUMÉ: como é (“Cumé? tu rai ou não?”).

CUMÊ QUE OFENDE: comida passível de causar algum desarranjo no organismo em virtude da pessoa estar com algum problema (“Esse cumê ofende, nem dê, pois o pobre ontem cagou até as tripa!”).

CU NAS COSTAS: com ódio; com muita raiva; com a pá virada (“Hoje levantei com o cu nas costas, nem fale comigo!”).

CURAR: tirar mal-olhado através de rituais e mezinhas de uma benzedeira (“Leve o menino prá curar antes que o sol se ponha”!).

CURIANDO: observando com muita curiosidade; olhando com intenções investigativas; curiando para ter certeza que o suspeitável é ou não verdadeiro; (“Ele ficou curiando toda tarde e ontem pegou ele com a boca na botija!”).

CURIANDO: brechando; com cada botica de olho (“Ele vive curiando as meninas quando elas vão pro rio!”).

CURRIOLA: coloio de pessoas depreciadas; grupo de gente de mal caráter, mesquinhas, de mal comportamento (“Eu não quero tu nessa curriola!”).

CURUDO: encruado; quando algum cereal não cozinha por estar muito velho (“Esse feijão tá curudo, nem invente de cozinhar!”).

CURUDO: pessoa que não cresce (“Esse menino parece que vai ficar curudo!”).

CURUDO: estagnado, que não evolui (“O viveiro de camarão de painho ficou curudo de uma hora prá outra!”).

CUSCUZ DE MANDIOCA MOLE: cuscuz feito com a massa da mandioca mole (“Eu adoro o cuscuz de mandioca mole de vó!”). OBS. É uma iguaria muito rústica e raramente apreciada nos atuais dias.

CUSPE-DE-FUMO: OBS. Essa expressão foi muito comum no linguajar das parteiras. Assim que faziam o parto, davam uma cusparada de fumo de corda no umbigo da criança e esfregavam com a mão para não infeccionar. Toda parteira ia fazer o parto já com o seu cachimbo preparado. As parteiras evangélicas, por não fumarem, pediam para alguém fazê-lo em seu lugar.

CUSPINDO BALA: nervoso, bravo, que deu a piula, deu a mulinga, deu a porra (“Paulo tá cuspindo bala!”).

CUSTÁ: demorar (“Se for custá eu venho depois!)

LETRA “D”

DADÁ: dindim (“Vovó vende dada!”).

DA HORA: ótimo; legal; massa; caiu bem; do bom; é o máximo (“Esse carro é da hora!”).

DÁ-LHE: dar uma peia, surrar, bater (“Eu vou dá-lhe se não me disser quem quebrou o pote!”).

DANAÇÃO: esculhambação, bagunça, arteirice (“Deixe de danação nos quarto seus malino!”).

DANADO: arteiro, malino, espritado (“Menino danado, desça daí!”).

DANADO: esperto, inteligente (“Que menino danado esse de Tonha, passou no vestibular sem fazer o tal cursinho!”).

DANDO MASSADA: fazendo algo com muita lentidão propositadamente, remanchando (“Ela dá cada massada no besta e ele nem percebe!”).

DANO: dando (“Você só vive dano o que tem!”). OBS. É uma caso de suarubacti.

DANO-LHE: planto-lhe, dou-lhe, sento-lhe (“Deixem de abuso senão eu dano-lhe a peia!”).

DAR CONVERSA: dar corda para alguém através de um longo papo (“Não dê conversa prá esse leso que ele é inxirido!”).

DAR PRÁ TRÁS: desandar, falir, entrar em decadência (“Eles deram prá trás porque gastam muito!”).

DAR PRÁ TRÁS: pisar prá trás, descumprir um trato, não ter palavra; não assumir o que prometeu ou o que afirmou (“Besta de quem fizer negócio com ele, pois sabe que ele gosta de dar prá trás!”).

DEIXA QUE: mas, porém, todavia, contudo, entretanto (“Marleide ficou de vir hoje, deixa que até agora nada!”).OBS. Essa expressão funciona como uma espécie de conjunção coordenativa adversativa. Não está no sentido de verbo. São duas palavras que têm o significado de uma, como se fossem fundidas “deixaquê”. É um caso curioso, cuja significância foge totalmente da seara gramatical, travestindo-se de conjunção.

DE MORTE: é o cúmulo, absurdo, horrível, demais, feio (“Essa história foi de morte!”) OBS. Designa coisas que fogem dos padrões normais.

DE PÉS: a pé, com os próprios pés (“Deixa que eu vou de pés pra a rua, chega de esperar carro!”).

DERNA: desde (“Derna dantonti Pedu num aparece!”).

DERRUBAR: humilhar, desmerecer, inferiorizar (“Você adora derrubar as coisas dos outros!”).

DERRUBADO: cansado, mói de sola, só o pito; com a ôia (“Hoje eu tô derrubado!”).

DERRUBADO: no fundo do poço, muito triste, depressivo, deprimido (“Ele tá derrubado depois da morte da esposa!”).

DESABAR NO CHORO: chorar muito, debulhar-se em lágrimas (“Ela vai desabar no choro quando souber!”).

DESAFERROU: escapou do anzol (“Ele deu a mulinga, pois o maior de todos desaferrou!”). OBS. É uma expressão usada apenas por quem pesca.

DESANDAR: disonerar, perder o ponto durante o preparo de certos alimentos (“Se você fizer isso a massa vai desandar!”).

DESANDAR: entrar em decadência, falir, regredir, dar prá trás (“Ele começou a desandar depois que assumiu os negócios do pai!”).

DESANDADO: com diarréia, desenteria (“Depois daquele cozido eu tô todo desandado!”).

DESARNAR: desenvolver, progredir, evoluir, desenrolar, (“Depois que colocaram aquela lesa naquela escola ela desarnou!”). OBS. É muito usado para designar crescimento físico e mental.

DESATOLADO: desenrolado, competente; que tem tino para certas coisas (“”Isso não é problema pra um cara desatolado como Tico!”).

DESCANSAR: dar a luz, parir (“Jordânia vai descansar em janeiro!”). OBS. É uma expressão predominantemente usada para referir-se a parto e pouco usada para designar repouso.

DESCOBRIU O BRASIL: OBS. É uma maneira irônica de se contrapor uma informação dada como grande novidade, mas que todos os informandos já sabiam. É uma forma de cortar o barato de uma notícia dada com atraso.(“Lula ganhou?!!! Poxa, você descobriu o Brasil!”).

DESENCAVAR: descobrir, elucidar, cascaviar, escafunchar, cavoucar (“Ele desencavou todos os podres do metido a santo!”).

DESENROLADO: desatolado; competente; que tem tino para resolver as coisas (“Ele é desenrolado, duvido se ele não resolve isso hoje mesmo!”).

DESENXAVIDO: com gosto aquém do normal, meio insosso; meio insípido (“Essas mangas estão muito desenxavidas!”)

DESENXAVIDO: sem tipo, feio, desmilinguido (“Márcio, o póbi, sempre foi tão desenxavido, coitado!”). CURIOSIDADE: é o mesmo que enxavido.

DESMANTELO: desordem, desorganização, bagunça (“Esse quarto tá um desmantelo!”).

DESMANTELO: confusão, briga, intriga (“Tá um desmantelo na casa deles, dizem que já saiu até sangue!”).

DESMANTELADO: quebrado (“Não mexa no guarda-roupa que tá desmantelado!”).

DESMANTELADO: amalucado, abilolado, doido, distrambelhado, sem escrúpulo (“Ele sempre foi desmantelado, besta é quem mexe com ele!”).

DESMANTELADO: irreverente, relaxado, (“Êta candidata desmantelada, é dessas que eu gosto!”).

DESMANTELADO: relaxado; que não tem zelo por si próprio e nem por nada; relaxado; (“Ele ta reiado porque sempre foi desmantelado!”).

DESMAZELO: descuido, desordem, desarrumação (“Que desmazelo nessa casa!”).

DESMAZELADO: que não tem zelo por si próprio e nem por nada designa o que está em desmazelo (“Essa mulher sempre foi muito desmazelada!”).

DESMENTIR: torcer o pé, pisar de mal jeito e machucar o pé (“Acho que desmenti o pé!”). OBS. Usa-se tanto nesse sentido como para referir-se a uma mentira que foi desfeita.

DESPADRUADO: quem gosta muito de viver deitado (“Esse cabra parece que tá despadruado!”).

DE OITO HORAS: OBS. Este horário aleatório apenas ilustra a maneira como os nativos referem-se a horas. Normalmente colocam a preposição “de” antes dos algarismos referentes as horas, por exemplo: “O comiço é de seis horas!” “De nove horas eu vô!”.

DESTÁ: deixa estar, espere para ver, me aguarde (“Destá que você me paga!”) OBS. É uma espécie de suarubacti (ou epêntese).

DESTIORADO: estragado, esculhambado, danificado (“O engenho Descanso tá muito destiorado!”).

DESTREINADO: todo errado; sem pernas; envergonhado; sem chão (“Quando ela chegou ele ficou todo destreinado!”).

DEU A BOBA: lascou; deu errado; era só o que faltava (“Agora deu a boba, o cano estourou!”).

DEU BRAVO: deu a porra, deu a mulinga, deu bravo, cuspiu bala, enfureceu-se (“Ele deu a piula quando soube do chifre que vinha recebendo!”).

DEU A MULINGA: o mesmo que deu bravo; deu a piula; deu bravo; cuspiu bala (“Tonho deu a mulinga com os meninos!”).

DEU A PIULA: o mesmo que deu bravo; deu a mulinga; deu bravo; tá com a porra; cuspiu bala (“Maria deu a piula quando viu o ex-marido!”).

DEU A PORRA: o mesmo que deu bravo; deu a mulinga; cuspiu bala; tá com a porra; deu bravo (“Ela dá a porra quando a chamam de perna de alicate!”).

DEU MOLE: deixou por isso mesmo; foi omisso; foi besta (“Ele deu mole com a parte da herança dele!”).

DEVER: tarefa escolar para ser feita em casa (“Cinara já fez o dever?”).

DIADEMA: ornamento usado na cabeça para prender ou enfeitar os cabelos; tiara (“O diadema de Ziza é lindo!”).

DIABO É!: OBS. É uma expressão exclamativa que externa espanto ou estranheza a uma situação. É muito usada por certos idosos (“Diabo é! Que furdunçu é esse aí na bodega?!”).

DINDIN: espécie de picolé preparado em saquinhos de plástico (“Vende-se dindim!”).

DISONERAR: desmanchar o ponto no preparo de certos alimentos, desandar (“Você vai desonerar isso menina!”).

DISPLANTE: ação desnecessária, na qual a pessoa que age está se rebaixando; fazer uma coisa sem precisão (“Mulé, como é que você se dá o displante de tirar satisfação com aquele tipo de gente?!”).

DISTRAMBELHADO: OBS. Tem o mesmo significado de desmantelado e suas vertentes.

DIXI: disse (“Eu num dixi derna dantonti que ia chuvê? Os passo cantaro!”).

DIZ!: diga (“Diz amigo!”). OBS. Maneira de cumprimento entre jovens na rua.

DIZ!: diga (“Quando o rapaz riscou na loja o balconista disse:- diz!”). OBS. Maneira de se questionar uma pessoa que chega a procura de alguma coisa.

DIZ AÍ!: OBS. Tem os mesmos significados de “diz!”.

DIZ AÍ,CABRA: maneira de cumprimento entre homens.

DIZ AÍ, DOIDO: o mesmo que: “diz aí, cabra!”. OBS: mais comumente usado entre jovens.

DIZ AÍ, MACHO: o mesmo que “diz aí, cabra!”

DIZ AÍ, SEU PORRA: OBS. Embora não pareça é um jeito de certos meninos se cumprimentarem.

DIZ AÍ, SONSEIRA: OBS. Embora não pareça é um jeito de certos meninos se cumprimentarem.

DÍZIMO-DO-PEIXE: OBS. Essa expressão foi muito comum durante a famosa Festa dos Pescadores, a qual foi organizada até 1947 na comunidade do Porto. Era uma festa grandiosa, cuja rua principal ficava cheia de barracas com comes e bebes.Os pescadores embarcavam no porto, logo de manhazinha ou à noite, e retornavam muitas horas depois com centenas de peixes, os quais eram vendidos durante a festa. Na ocasião, os nativos embolados pelo forró ao vivo (com sanfona, pandeiro, zabumba e triângulo) varavam a noite. Grupos folclóricos como “Fandango” e “Marujada” varavam a noite. O encerramento se dava com uma grande missa, na qual os pescadores ofertavam dez por cento do seu pescado a igreja. Esse era o dízimo do peixe.

DOENÇA-DO-MUNDO: doença venérea (“Dizem que ela tem doença do mundo há tempos!”).

DOR-DE-VIADO: espécie de cólica que dá em homem, dor insuportável que dá entre a bixiga e o rim (“Isso passa, é só uma dorzinha de viado!”).

DOR FINA: dor estranha e aguda – não muito comum (“Dotô, tô cuma dô fina no pé da barriga!”).

DORMENTE: pessoa sem atenção, lesa, abestalhada, que vive no mundo da lua (“Essa dormente tá precisando de umas peias no lombo!”).

DRAMA: espécie de teatro onde se conta uma história cantando, gesticulando e dançando, embora não seja padrão essas três inserções. (“O Pirão-Bem-Mole é um drama que a finada Biluca Gadelha ensinava muito em Tororomba!”).

LETRA “E”

É A BOAZINHA!: OBS. Maneira irônica de referir-se a uma pessoa má (“Essa sua tia é a boazinha!”).

É BOM QUE SÓ: é bom demais (“A festa foi boa que só!”).

É CHÃO: é longe, a estrada é longa demais; é uma tirada boa (“Da Barreta a Búzios é chão!”).

ÉGUE: OBS. É uma expressão que designa contentamento ou estranheza por uma determinada situação. Tem o mesmo sentide de: êêêêêê, vixi, vot, acertei, consegui, toma.

EITO: pequeno pedaço de terra cultivada (“O eito que vai até o aceiro é meu!”).

EMBIRA: palha seca da bananeira, retirada tanto do caule quanto da parte do meio da folha, a qual se usa para amarrar diversos produtos da roça (“Letra tem a mania de amarrar a saia com embira!”).

EMBIOCAR: emburacar, entrar de uma vez, meter a cara, se embrenhar (“Essa metida entra na casa dos outros e se embioca nos quartos!”).

EMBOLAR: embuluar; misturar; confundir; atrapalhar (“Menino, não invente de embolar essas linhas!”).

EMBOLÉU: ao léu, à toa, no mundo, largado (“Aquele menino só vive aos emboléu!”).

EMBOMBO: caroço, catombo (“Eu to cheio de embombo no corpo!”).

EMBRENHAR: embiocar; se enfiar; se meter; emburacar (“Ele se embrenhou na mata e fugiu!”).

EMBROMAÇÃO: enrolação, remanchamento, inventando desculpas para demorar, demora proposital (“Deixe de embromação e pague logo a conta!”).

EMBRULHANDO: enguiando, com ânsia de vômito, com azia (“Depois do pirão fique com o estômago embrulhando!”).

EMBUCHAR: pegar um bucho, engravidar (“Eu que não quero mais embuchar desse bebo réi!”).

EMBUCHOU: engravidou, fez um bucho (“Ele embuchou a fia do seu Juca!”).

EMBULUADO: misturado, confundido, atrapalhado; embolado (“Tá tudo embuluado nessa bolsa, agora nem eu sei onde é que tá o dinheiro!”).

EMBULUADO: turvo, com a visão enfraquecida (“Sem meu óculos eu fico vendo tudo embuluado!”).

EMBURACAR: embiocar, entrar de uma vez e sem permissão, se embrenhar (“Quando viram a miliça emburacaram na mata!”).

EM CIMA: perto; próximo (“Ele só chega em cima da hora!”).

EMPALHANDO: dando massada; demorando; remanchando; embromando; sendo lento; ronceiro (“Essa cabrita é só empalhando, desse jeito a gente vai sair muito tarde!”).

EMPALHANDO: atrapalhando; que fica no meio do serviço dos outros incomodando, passando no meio, dando palpites (“Se ele não ficasse aqui me empalhando, eu já teria terminado!”).

EMPALEMADO: guenzo, esquálido, pessoa descorada, amarelo-empalemado (“Esse empalemado ganhou o concurso? Êêêêê!!!”).

EMPELEITA: empreita; serviço provisório, cujo desenrolar do mesmo ocorre mediante acordo prévio, onde é dado o preço (“Esse serviço foi por empeleita!”).

EMPOLADO: com fartura, na beia, franco, à vontade; na baia; na beia (“Foi cumê empolado na festa!”).

EMPOMBADO: com muita raiva; de pá virada; com o cu nas costas; com ódio (“Hoje ele ta empombado, nem diga nada!”).

EMPOMBANDO: engravidando as moças; bolinando com as mulheres (“Ele só vive empombando as fia alhea! O dia que alguém fizé com a dele…”).

EMPRIQUITADO: muito enfeitado, apapagaiado, adornado em excesso (“Ela chegou empriquitada como um pavão!”).

ENCABRUNHADO: encabulado; desconfiado; lambido; com o pé na frente e o outro atrás (“Que ele tem que tá todo encabrunhado?!”)

ENCANGADO: montado, trepado, em cima (“Pai passou o dia encangado nesse cavalo!”).

ENCANGADO: na cola, carne e unha; azogue; grudado, muito junto (“Esses dois menino é um encangado noutro, chega enche!”).

ENCANGANDO GRILO: sem fazer nada; desocupado (“Ele passa o dia encanando grilo!”).

ENCARNAR A SANTA: OBS. Expressão antiquíssima, em desuso, usada pelos católicos quando davam uma nova demão de tinta nas imagens de santos. Era como dizer: “pintar a santa”. No passado não havia muito cuidado em recuperar as pinturas com originalidade, talvez por isso que muitas imagens folheadas receberam sucessivas demãos de tinta.

ENCHE A BOCA: se ufana, se vangloria, se orgulha (“Eles enchem a boca dizendo que fazem universidade, mas os pobres escrevem dez palavras e nove são erradas!”).

ENCHEU A RUA: fez fofoca, espalhou um fato; fez mexerico; fez enredo; divulgou uma notícia (“Ela encheu a rua, agora não adianta mais esconder!”).

ENCORAR: dar uma surra, dar uma cipuada, dar uma peia (“Eu encorei aquela danada com cipó de goiabeira!”).

ENCORAR: chamar alguém nos prumos para dar um carão, pegar alguém para dar uns esbregues (“Eu encorei aquela faladeira na rua mesmo!”).

ENCOROU: deu uns esbregues; chamou a atenção; deu um carão; deu um batido (“Eu encorei o

cabra que ele disse tudo ali mesmo!”).

ENCOROU: teve relações, transou (“Dizem que ele encorou ela uma vez!”).

ENCORUJADO: quietinho num canto, amuado, sem vida (“Vovó tá tão encorujadinha na cama, parece uma bola!”)

ENCRUADO: atrofiado, que não evoluiu, que cresceu pouco (“Esse menino tá iguá os meu mii encruado!”).

ENFADO: cansaço, desgaste físico ou mental, só o pito, só o mói de sola, amulengado (“Depois da festa fiquei com um enfado danado!”).

ENFEZADO: enraivado, chateado (“Ele tá tão enfezado com a mulé depois da baixaria!”).

ENGRAÇADO: bonito; simpático; charmoso (“Márcio é engraçado!”).

ENJIADO: enrugado (“Ele saiu d’água todo enjiado!”).

ENFIADO: metido, socado, embiocado (“Ela só vive enfiada na casa do namorado!”).

ENGOMAR: passar ferro na roupa (“Mandei engomar sua roupa ontem!”) OBS. Não está no sentido de por goma na roupa, embora é um derivado dessa antiga prática.

ENGUIANDO: com ânsia de vômito, com mal estar (“O cheiro dessa comida tá me enguiando!”).

ENREDO: fofoca, picuinha, mexerico (“Essa bichinha adora um enredo!”).

ENREDO: barulho, gaiofança, fuzarca (“Acabem com esse enredo aí na cozinha!”).

ENROLAR: fazer uma curva, virar (dobrar) uma esquina (“Enrole à direita quando chegar no supermercado!”).

ENSACAR: colocar a camisa por dento da calça usando ou não o cinto (“Quando ele tá ensacado é porque vai pra algum lugar importante!”).

ENTREGAR: dedurar, denunciar (“Eu não sou de entregar amigo meu não!”).

ENTRONCHADO: feio, desajeitado, desmazelado, descuidado (“Diga prá ela que eu náo quero aquele entronchado nem folheado a ouro!”).

ENTRONCHADO: estragado, quebrado (Esse radinho tá todo entronchado!”).

ENTRUDO: brincadeira típica do carnaval, onde as pessoas saiam às ruas atirando água, goma, farinha de mandioca e de trigo e outros produtos nas pessoas. OBS. Embora a brincadeira existe até hoje, a expressão é quase extinta. Só poucos idosos a utilizam.

ENTUFADO: trombudo, de cara feia, de cara fechada (“Zé só vive entufado!”).

ENTURIDO: com prisão de ventre; sem conseguir defecar; com o cu entupido (“Estou enturido depois das jaboticaba!”).

ENXAVIDO: de má aparência; descolorido; sem vida (“Essa moça ta tão enxavida!”).

ENXAVIDO: sem gosto; insípido; com sabor diferente do normal – entre insosso e com menos açúcar (“As manga desse pé são toda enxavida!”). CURIOSIDADE: tal expressão tem o mesmo significado que desenxavido.

ENXERIDO: metido, que se intromete no que não lhe diz respeito, cabido (“Esse enxerido chega aqui e se embioca nos quartos sem ordem de ninguém!”).

ENXERIDO: galanteador, insinuante, que se bota, que dá em cima dos outros (“Lá vem aquele enxerido que não pode ver mulé!”).

ERRADO: marginal; que pratica atos ilegais ou não apreciados pela sociedade (“Tico é cabra errado. Doido é quem se acompanha com ele!”).

ERRADO: sem pernas; sem chão; envergonhado (“Fiquei todo errado quando ela falou isso na frente de pai!”).

ESBREGUE: carão, dar um batido, chamar a atenção (“Ciça deu um esbregue que ele ficou todo errado!”).

ESCAFUNCHAR: escavacar, procurar algo, revirar, cavoucar o chão (“Escafuncha a gaveta que eu acho que você encontra as fota!”).

ESCANCHAR: montar, subir, trepar (“Eu escanchei no lombo do burro e risquei!”).

ESCANCHAR: aproveitar da bondade de outrem e se prevalecer (“Ela se escanchou na casa da amiga e dizem que até dando ordem está!”).

ESCAPANDO: sobrevivendo; driblando os problemas da vida (“É, meu fii, o véi t aqui escapando!”).

ESCAVACAR: o mesmo que escafunchar (“Eu escavaquei toda a terra e não encontrei o anel!”).

ESCAVACAR: curiar, investigar, pesquisar (“Ela só vive escavacando a vida alheia!”).

ESCROTO: escraxado, irreverente, corajoso, audacioso (“Esse escroto começou a dançar no meio do povo!”).

ESCULHAMBAÇÃO: esporro, carão, xingamento; dar um batido; dar uns esbregues; fazer um espalhafato (“Eu dei uma esculhambação boa nele!”).

ESCULHAMBAÇÃO: bagunça, espalhafato, desarrumação, desordem (“Essa casa é uma esculhambação da gota!”).

ESCULHAMBADO: quebrado, estragado, desmantelado (“O telefone tá todo esculhambado!”).

ESCURRAÇAR: dar uma esculhambação, xingar, dar um esporro (“Ele disse que vai escurraçar ela!”).

ESSE MENINO: OBS. É um tipo de vocativo usado para referir-se a alguém cujo nome é desconhecido (“Venha cá esse menino, apanha essa moeda prá mim!”).

ESMERIL DA FRANÇA: impingi, guloso, comilão, forrageira, que traça tudo; lambais; morta-fome (“Esse caba prá trabalhar é uma criança, mas prá comê é um esmeril da França!”).

ESMIGAIÁ: despedaçar, quebrar em pedacinhos, esfarelar (“Você tem que esmigaiá bem as sementes e fazer o chá!”).

ESMILINGUIDO: caindo aos pedaços, estragado (“Minha mala tá toda esmilinguida!”).

ESMILINGUIDO: amarelo-empalemado, sem vida, sem tipo; tisgo; guenzo; pálido (“Esse esmilinguido que é o namorado dela?”).

ESMULAMBENTO: mulambento, maltrapilho, mal-vestido (“Esse menino só anda esmulambento, dá até raiva!”).

ESPAÇOSO: sem desconfiômetro; cheio de liberdade em casa alheia; que se abanca em qualquer lugar, como se estivesse em casa (“Cara espaçoso aquele, nem dê cabimento!”).

ESPALHAFATO: bagunça, desarrumação, esculhambação (“Tá um espalhafato danado nesse quarto!”).

ESPALHAFATO: esporro, xingamento, carão (“Você pare senão eu faço um espalhafato que não sobra ninguém prá contar a história!”).

ESPALHAFATOSO: empriquitado, ornamentado com exagero, enfeitado ao estilo perua ou brega (“Ela estava muito espalhafatosa na festa de 15 anos!”).

ESPANAVIADA: espritada, toda sacudida, cheia de repentes (“Vôt! que menina espanaviada!”).

ESPARRAMO: boi-de-fogo; cu-de-burro; esculhambação (“Ela fez um esparramo com o marido na festa, foi o maior escândalo!”).

ESPAUTA: espátula (“Traga a espauta mó d’eu ajeitá a parede!”). OBS. Trata-se de uma epêntese muito interessante.

ESPERANÇAR: ter esperança, acreditar, confiar, imaginar (“Eu esperancei que um dia ele voltaria, mas vi que não adiantou nada eu esperançar!”).

ESPICHE DAQUI: sáite; cai fora; cape o gato; pegue o beco; espiche o gato; faça carreira; pique a mula; cisque; risque; pique daqui; meta os pés; pinique daqui; estire daqui (“Espiche daqui, seu cabra safado!”).

ESPICHE O GATO: o mesmo que espiche daqui.

ESPILONCADO: murcho, cheio de péias, flácido (“Coitada dessa póbi, tá com os peito tão espiloncado que dá prá butá nu bolso!”)

ESPINHAÇO:: costa, coluna, espinha (“Tô com o espinhaço quebrado de tanto fazer força!”).

ESPINHO DE BANANEIRA: bicho de pé (“Renha qu’eu tiro esse espinho de pé de tu!”). OBS. Trata-se de uma curiosa expressão onde o surrealismo presente faz crer que bananeira tem espinho. Os mais velhos costumam dizer que não é bom andar descalso para não pegar espinho de bananeira.

ESPÍRITO ZOMBETEIRO: excessivamente falante, brincalhão com as pessoas; frechado; com todo o gás, como que tomou água de chocalho (“Baixou o espírito zombeteiro em Dulce!”)

ESPORRO: carão, xingamento, esculhambação (“Vou dar um esporro naquele cabido!”).

ESPRAGATADO: amassado, pisoteado (“Espragatarm toda a caixa que eu ia usar!”).

ESPRITADO: danado, arteiro, bagunceiro, com o pitoco ligado (“Não traga aquele menino espritado aqui, por favor!”).

ESPRITADO: espanaviado, todo sacudido, cheio de repentes, (“Ela é muito espritada, nem combina com ele!”).

ESPUMANDO PELA BOCA: virado num bicho; virado no diabo; virado numa porra; com ódio; com a bixica lixa; dando a piula; dando bravo (“Ele tá espumando pela boca depois que soube do chifre que a mulher lhe botou!”).

ESTALECIDO: quando a pessoa está com gripe tipo coriza e espirrando muito (“Faça um chá pro estalecido de João!”).

ESTATALADO: olho aboticado, olho arregalado (“Ele ficou com o olho estatalado quando me viu!”).

ESTATALADO: que caiu de rogero, que caiu com todo o corpo (“Quando eu vi estava estatalado no chão!”).

ESTIRANDO O OLHO: olhando com muito interesse – ou de desejo, curiosidade ou ódio – depende do contexto (“O seu João da bodega estirou o olho praquele pitéuzinho o tempo todo!”).

ESTIRAR: ir, pegar o beco, riscar; pegar o beco; cair fora; espichar o gato; picar a mula; meter os pés; pinicar (“Eu não sabia disso. Vou estirar agora pra lá!”).

ESTOMBO: estômago (“Eu tô cumas facada no estombo derna dantonti di minhã!”).

ESTOPOR BALAIO: porra, caralho, merda (“Isso é um estopor balaio da porra!”). OBS. É um tipo de xingamento com muita raiva.

ESTOPORO: indigestão seguida de morte (“O pai dela morreu de estoporo na lagoa!”). OBS. Os antigos têm pavor a idéia de comer e mergulhar em rio. Eles acreditam que todos os órgãos do corpo entram em convulsão e estouram. É os estoporo.

ESTRIBADO: muito rico, estrumado (“Ela só tá com esse caboré estribado mó du dinheiro!”).

ESTRIBUCHANDO: debatendo-se no chão, esperneando-se (“Ela tá lá se estribuchando toda!”).

ESTRUMADO: estribado, muito rico (“Eta veião estrumado esse!”)

ESTRUMADO: de físico atraente e sensual (“Tá estrumada toda essa bichona… ah! eu com ela!”).

ESTRUPÍCIO: bruaca; mulher feia; baranga (“Quem é esse estrupício que chegou?”).

ESTRUPÍCIO: esculhambação; desmantelo; grande desarrumação (“Fizeram um estrupício da mulesta na cozinha!”).

EU HÉIN: cai fora, vôt, diabo é (“Ele pediu prá eu experimentar maconha… eu héim!”).

EU CEGUE!: eu duvido, eu aposto (“Eu cegue se você pagou ela!”).

EU CEGUE!: eu juro, eu dou a minha palavra (“Eu cegue que eu paguei!”).

EU CEGUE DA GOTA SERENA: OBS. Tal expressão designa uma colocação feita com convicção, com um tipo de certeza, por exemplo: “Eu cegue da gota serena se aquele caba não vaza por trás!” ou: “Eu cegue da gota serena se eu não esmigaiá a cara dela con’ela chegar!”).

EVELOPE: envelope (“Vó, me dê um evelope mó d’eu bota a carta!”).OBS. É um tipo de epêntese muito comum, inclusive já ouvi professores assim falando, inclusive uma que já ocupou por duas vezes uma respeitável pasta no município. Com certeza isso dá mais vida ao regionalismo.

LETRA “F”

FAÇA CARREIRA: cai fora; sáite; espiche daqui; cape o gato; pegue o beco; espiche o gato; pique a mula; cisque; risque; pique daqui; meta os pés; pinique daqui (“Faça carreira daqui, seu galado, senão tu se arrepende!”).

FACHIAR: hábito típico dos nativos litorâneos, no qual faz-se um cesto de arame, pendura-o numa vara comprida, enche-o com pedaços de pneu velho e coloca fogo. A peça serve para iluminar a noite nos arrecifes, nos quais se apanha os aratus. Isso é fachiar.

FANIQUITO: inquietação, espritado, muito ativo, com o pitoco ligado (“João tá com o faniquito hoje!”).

FARDA: uniforme escolar (“Painho já comprou a minha farda!”).

FARINHA DE SEMENTE DE JERIMUM: iguaria feita do miolo da semente de jerimum torrada e pilada. OBS: Serve-se pura.

FARNIZIM: cansaço nas pernas (“Tô com um farnizim danado!”).

FAROFA D’ÁGUA: farofa feita com farinha de mandioca, manteiga, sal, água fervente e coentro. Faz-se da seguinte maneira: coloca-se numa vasilha água fervente, manteiga, coentro e sal, mexe-se bem e vai acrescentando, aos poucos, a farinha – de maneira que vá ficando um pouco emboloada e levemente grudenta. OBS. É considerada uma das farofas mais deliciosas da região.

FAROFA DE BANANA VERDE: iguaria feita com banana verde cozida e coco rapado, os quais são pilados até ficar semelhante a uma farinha. A partir desse ponto, penera-se e acrescenta sal.

FAROFA DE COCO: iguaria feita com coco rapado, pilado com farinha de mandioca e sal a gosto.

FARRAMBAIO: burundanga, uruvaio, coisa velha, munturo, quinquilharia, breguesso (“Nessa casa sá tem farrambaio!”).

FASTIADO: com fastio; sem apetite (“O coitadinho ta tão fastiado!”).

FASTIO: sem apetite (“Coma, menino, não dê gosto a fastio!”).

FATO: vísceras de boi: tripa, bofe, bucho, livro (“Comi fato feito forrageira!”).

FAÚLA: variedade de miúdos do boi vendida misturada, na qual se encontra: pedaço de úbere, tripa, bofe, bucho, livro, etc. (“Não se esqueça da minha faúla na feira!”).

FECHAR A CARA: ficar trombudo, com a cara feia, encorujado; chateado, com a cara deste tamanho (“Ele fechou a cara quando viu a ex-mulher!”).

FECHAR O BELÉM: parar de comer, dar-se por satisfeito (“Por hora eu vou parar de comer!”).

FEDEGOSO: planta de folhas arredondadas e felpuda, cujo sumo, segundo a medicina popular, cura algumas doenças como o “ramo”.

FEITINHA-DE-CORPO: expressão muito usada entre mulheres para se referir às mocinhas que têm o corpo muito bem feito – tipo violão (“Amália é feitinha de corpo toda!”).

FEITIO: costume, hábito, estilo (“Não é do meu feitio falar pelas costas como tu!”).

FEITO: igual, semelhante, tal qual (“Ele come feito um bicho!”).

FERRO DE COVA: ferramenta de trabalho semelhante a uma espátula, porém grande e com o cabo do tamanho de uma foice. É usado para cavar buracos. (“Kêde o ferro de cova que estava no quartinho?!”).

FILÉ: moça nova e bonita; bichona (“Chegou um filezinho da hora de Natal!”).

FILHO DA LUA: pessoa muito branca (“Aquele filho da lua casou com um tição daquele?! Vôt!”).

FINA: bem magrinha; pouquinha (“Taciana é tão fininha!”)

FIOFÓ: ânus, furico, boga; roque mi clei; frande; aro; oio de porco; fundo; às de copas; anel de couro; roscófe (“Pegue pro seu fiofó!”).

FIQUEI BESTA: surpreendi-me, fiquei admirado (a), nem acreditei (“Eu fiquei besta com a covardia dele!”).

FIZ CARREIRA: corri, capei o gato, peguei o beco, meti os pés, risquei; saí; fui embora; pipoquei; cisquei; piquei a mula; piniquei; espichei o gato; piquei dal[i; piniquei dalí (“Quando eu vi a confusão, fiz carreira!”).

FIXI: fornida, maciça, de grande durabilidade, de qualidade (“Tem que botar uma porta fixi por causa dos ladrões!”).

FLORESTA: extenso pedaço de terra existente em Nísia Floresta, o qual tem início na propriedade do Sr. Joel Paulino e termina nas terras da D. Joaninha dos Padres. OBS. Essas terras estão na propriedade que no passado foi o famoso Sítio Floresta, onde morou a escritora cujo nome foi dado a esta cidade.

FOBÓ: forró (“Ele saiu pro fobó!”).

FOFOCA: alegria, muita conversa; quando um ambiente está muito divertido e com muita gente ccnversando (“Tá a maior fofoca na casa do seu Pedro. É que a filha dele chegou do Rio!”).

FOGO-DE-MUNTURO: fogo-de-palha, tempestade em copo d’água, fazer um cu-de-burro sem motivo e depois deixar tudo prá lá como se nada tivesse acontecido (“Isso é fogo-de-munturo; é só ele estalar o dedo que ela vai correndo com o rabo entre as pernas!”).

FOI E NÃO FOI: de vez em quando, uma vez por outra (“Foi e não foi eu visito o abrigo dos velhos!”).

FOI MAL: OBS. É uma forma usada por adolescentes para pedir desculpas por uma colocação ou situação, por exemplo: (“Foi mal, eu pensei que não tinha ninguém no banheiro!”).

FOI PODRE: foi horrível, decepcionante, não prestou (“Foi podre a briga deles!”).

FOI PODRE: foi engraçado demais (“Quando ele começou a falar piada, foi podre, ninguém se segurou!”).

FOLE: velho demais, só o pito (“O meu sofá tá só o fole!”).

FOLOSADA: que está folote, frouxo; gasto; rombudo (“Essa cueca tá tão folosada!”).

FOLOSADA: que tem a vagina muito folote, com o priquito muito usado; laxo (“Niquita tá toda folosada!”).

FOLOTE: largo demais, muito frouxo, muito mole (“Esse parafuso não encaixa mais aí; tá todo folote!”).

FOLOTE: mulher que transou com muitos homens; laxo (“Nenhum homem anda mais com ela; a bicha tá toda folote!”).

FORNIDA: fixi, maciça, muito resistente, de grande durabilidade (“Essa bacia fornida ainda é do meu casamento; tem trinta anos e está perfeita!”).

FORNIDO: robusto, cheio de carne (“Meu filhão tá é fornido!”).

FORRAGEIRA: comilão, guloso, que traça tudo o que é comestível, esmeril da França; impingi; lambais; morta-fome (“É só aquele forrageira aparecer por aqui que a geladeira fica vazia!”). OBS. É uma alusão a um maquinário agrícola que tem esse nome, o qual tritura capim em segundos.

FOTO: fota, fotografia (“Tenho que ir em Baltazar tirar um foto!”). OBS. Muitos nativos masculinizaram o substantivo feminino fotografia, denominando-o “o foto”. É falado tanto por crianças como por adultos. O mesmo ocorre com a palavra ‘tomate’. Veja: FOTA.

FOTA: foto, fotografia (“Eu fiquei tão xaboqueira nessa fota, nem parece eu!”). Muitos nativos também falam “a fota”.

FRANDE: ânus, bunda, furico, fiofó; oio de porco; frande; fundo; boga; roque mi clei; anel de couro; aro; roscófe (“Ai meu frande, quem foi o frechado botou esse espinho na cadeira?!”)

FRANDE: zinco, lata (Esse armário é todo de frande!”).

FRANGAGEM: frescura, provocar uma pessoa em caráter de brincadeira, fuleragem (“Sai prá lá com as suas frangagens seu porra!”).

FRANZIDO: ânus; boga; fiofó; roque mi clei; furico; ás de copas; oio de porco; fundo aro; roscofe (“Defequei tão duro que meu franzido tá ardendo!”).

FRANZINO: magrinho, miudinho, sibito baleado (“Ele é muito franzino prá pegar esse peso!”).

FRECHADO: brincalhão, inventador, espritado, que mexe com todos, com o espírito zombeteiro (“Zé é muito frechado que chega a incomodar!”).

FRECHADO: excomungado, fuleiro, filho-da-puta (“Eu acabo com a vida desse frechado!”). OBS. Podemos perceber pela distinção dos significados a questão do contexto em que tal palavra é usada. Isso ocorre frequentemente com muitas outras.

FRECHANDO: caningando, incomodando, chateando (“Ninguém gosta dele porque vive frechando os outros!”).

FRESCAR: provocar uma pessoa em caráter de brincadeira ou não; ficar frechando; com o espírito zombeteiro (“Deixe de frescar com a cara da gente!”).

FRESCO: gay, baitola, homossexual (“Dizem que ele deu prá fresco!”).

FRIENTO: friorento, que sente muito frio (“Eu sou tão friento!”).

FRIORENTO: friento, que sente muito frio (“Dê um lençol praquele fiorento!”).

FRISO: grampo de cabelo (“Cadê meus friso?”).

FRIVIADO: gaiofança, grande animação,converseiro, agitação, grande movimento (“Tá um friviado danado na bodega do João!”).

FRIVIADO: desarrumação, desordem (“Essas gavetas de Cida é um friviado da gota!”).

FUÁ: cabelo muito cheio, pichaim (“Prá esse fuá não dá jeito nem juá!”).

FUDEROSO: o bixão, o rei da cocada preta, o máximo (“Nem mexa com ele que o caba é fuderoso!”).

FUITI: pequeno peido que ao ser solto deixa expelir uma pequena quantidade de fezes (“Ai meu Deus! Soltei um fuiti!”). OBS. Pronuncia-se como tivesse acento agudo na vogal “U”.

FULEIRO: emprestável, filho da puta; safado; canalha (“Aquele fuleiro vai ver o que é bom pra tosse!”).

FULEIRO: material fraco; coisa de quinta categoria; produto falsificado; capenga (“Sapato véi fuleiro, comprei ontem e veja só o laxo!”).

FULEIRA: mulher vadia, rapariga; puta (“Eu não quero você com aquela fuleira!”).

FUMANDO NO CACHIMBO: bravo, com a piula, dando a porra, fora de si, com ódio (“Sua mãe vem alí fumando no cachimbo!”).

FUMANDO NUMA QUENGA: o mesmo que fumando num cachimbo.

FUNDO: furico, fiofó, frande, boga, roqui mi clei; oio de porco; fiofó; roscófe; às de copas; anel de couro; aro (“Pegue pro seu fundo!”).

FURAR O COURO: ter relação sexual com mulher, transar, furunfar, copular (“Foi lá em Maria Boa que ele furou o couro pela primeira vez!”).

FURDUNÇU: gaiofança, animação, farra, fuzarca, friviado, latumia; ruge-ruge; movimentação de gente (“Eita furdunçu bom da mulesta dos cachorro!”).

FURDUNÇU: baixaria, esculhambação, armar o barraco, fazer um cu-de-burro (“Ele fez o pior furdunçu, dizem que até chamaram a polícia!”).

FURICO: frande, fundo, fiofó, boga, roqui mi clei; oio de porco; às de copas; anel de couro; roscófe (“Eu tô com um cumichado no furico, acho que é verme!”).

FURTUM: seiva da cebola, a qual provoca ardência nos olhos (“Mulé, não lave a cebola, pois tira todo o furtum que é bom!”).

FURUNFAR: ter relação sexual, furar o couro, copular (“Dizem que ela vai pras cana furunfar com eles!”).

FUXICO: tipo de artesanato feito com retalhos, os quais são costurados em forma de círculo e posteriormente unidos, dando origem a colchas, fronhas, almofadas, peças de roupa e etc.

FUZARCA: bagunça, agitação, farra, friviado, furdunçu, gaiofança; ruge-ruge; latumia (“Essa fuzarca não vai parar hoje não é?!”).

LETRA “G”

GABIRÚ: rato bem grande (“Os gato correro cum medo dus gabirú, vot!”).

GABOLA: metido, pabulador, amostrado, que tem mania de superioridade (“Ele é gabola demais com as meninas!”).

GACHIMONHA: gaiatice, marmota, munganga, gestos feitos com o intuito de provocar (ou não) alguém (“Menino, deixe de gachimonha, que coisa feia!”).

GAGAU: mingau (“Mainha já vai dar o gagau, tá bom?!”).

GAIATO: brincalhão, divertido, que fica frescando (“Eu não sabia que você era tão gaiato!”).

GAIATO: entrão, metido, que se mete onde não é chamado (“É bom dá uns tranca porque ele é muito gaiato, daqui é pouco se embioca nos quartos!”).

GAIATO: cabido, enxerido, que se bota pros outros com malícia e galanteio (“Deixe de ser gaiato que eu já tenho namorado!”).

GAIOFANÇA: farra, bagunça, furdunçu, barulheira de gente; friviado; ruge-ruge; fuzarca; latumia (“Era a maior gaiofança na madrugada!”).

GALA: esperma (“A calça dele tá suja de gala!”).

GALADO: sujo de gala

GALADO: canalha, frechado, filho da puta (“Eu quebro a cara daquele galado!”).

GALALAU: muito alto, vara de bater pecado (“Quem é aquele galalau?”).

GALETO SEM COLORAU: pessoa excessivamente branca (“Esse galeto sem colorau não pode ficar muito tempo no sol!”).

GALO CEGO: virado um bicho, com muito ódio, com a piula, fumando num cachimbo; muito bravo; dando a porra (“Ele teve aqui igual a um galo cego atrás de você!”).

GAMBIARRA: amante, rapariga de alguém (“Aquela é só a gambiarra dele!”).

GAMBIARRA: extenso fio elétrico, portátil, com vários bocais e lâmpadas para iluminar eventos ao céu aberto, onde não existem postes. (“Cadê a gambiarra da igreja?”).

GANJENTO: criança birrenta que incomoda muito, menino sujo e chorão; menino buchudo (“Levem esse ganjento daqui que meus ouvido não tá prá alugué!”).

GANGENTO: ciumento com pertences; que faz questão de tudo (“Menino gangento! Ele não quer cumê seus brinquedo não!”).

GANGENTIA: cuidado excessivo com os próprios pertences; ciúme doentio dos bens (“Deixe de gangentia com essas bolsa veia bufenta! Me dê uma!”).

GANHAR O DIA: lucrar, obter êxito, conseguir algo muito bom (“O gringo comprou tudo assim que apareci na praia! Ganhei o dia ”).

GANHAR O MUNDO: pegar o beco, riscar, ir embora, sair, capar o gato; vadiar; fazer carreira; pipocar; ciscar; meterv os pés (“Quando eu dei fé ele já tinha ganhado o mundo!”).

GÁS: certos derivados de petróleo, como: querosene e óleo díesel utilizados em candeeiros. OBS. Não tem relação alguma com gás de cozinha.

GÁS: energia, muita disposição, estar com tudo (“Ele hoje tá com todo o gás!”).

GASGUENTO: que fala muito, que tomou água de chocalho; que parece um badalo; matraca; papagaio (“Lá vem aquele gasguento, agora o sossego acabou!”).

GASGUENTO: de voz feia (“Eu tô gasguenta por causa do estalecido!”).

GASGUITO: criança que grita fino e estridente (“Quando aquele menino gasguito chega, haja ouvido!”).

GENTINGA: minúsculas moscas (ou mosquitos) que sobrevoam aos montes sobre frutas excessivamente maduras, panos úmidos, cú de cachorro e certos lixos (“Tá uma gentinga danada aqui na cozinha!”).

GORDA: vômito aguado, amarelado e amargoso (“O coitado tá vomitando só uma gorda!”).

GORDA: uma demão de tinta (“Passe só uma gordinha de tinta!”). OBS. Pronuncia-se como se tivesse acento na voga “Ó”.

GORPADA: cusparada, expelir grande quantidade de líquido pela boca (“Vovô deu cada gorpada no chão, acho que não é cuspe, isso é vômito!”).

GORPINHO D’ÁGUA: pouquinho d’água, golinho d’água, copinho d’água (“Vovô tá pedindo um gorpinho d’água!”). OBS. Pode ser usada a expressão “gorpinho” para referir-se a outros líquidos como: leite, café, etc.

GOTA:OBS. Tal expressão tem uma diversidade de sentidos. Pode ser usada para designar admiração, raiva, xingamento ou para referir-se a uma coisa em excesso: “Eita gota, o que foi isso?” “Tô com uma dor de dente da gota!” “Papai tá com a gota atrás de você!”.

GOTA SERENA: tem quase o mesmo sentido de “gota”. A diferença é que a expressão “serena” serve para dar mais ênfase a “gota”.(“Hoje eu tô com a gota serena!”).

GOTO: ato de engolir a saliva, movimento que ocorre no interior da garganta no momento que a saliva desce goela abaixo (“ Eu tô com tanta fome que chega tô dando o goto vendo a comida!”).

GRAXA: gordura animal, a qual se forma no fundo das panelas onde se preparam carnes guisadas (“Eu gosto mais da graxa do que da própria carne!”).

GRELE: designa algo que é dito sem admitir dúvidas; uma afirmação cheia de convicção e um misto de certeza (“Eu grele se não foi ela que roubou seus ané!”). OBS: pronuncia-se como se tivesse um acento agudo no primeiro “e”.

GRELEI: ter uma sensação súbita de medo; estremeci; (“Eu chega grelei quando quebrei o copo!”).

GRELHO: clítoris, ponto “g” (“Ele adora um grelho de menininha!”).

GRENGRENA: troço, coisa errada, coisa ruim (“Essa grengrena só me faz raiva!”).

GROLADO: pirão de peixe fresco (“Menino, você comeu grolado, não vá pro rio que pode lhe dar estoporo!”). OBS. Trata-se de um costume antiquíssimo, no qual os pescadores preparam o grolado às margens do rio, assim que pescam os primeiros peixes. É a refeição que dará sustança para passarem o dia inteiro na pesca.

GROSSO: gordo, muito encorpado, forte (“Paulo ficou grosso de uma hora para outra!”).

GRUDE: estar sempre junto com alguém, na cola, muito junto, encangado; que não larga do pé; carne e unha; azogue; pegajoso (“Esses doi é um grude só!”).

GRUDE: iguaria preparada com coco rapado; goma e sal. Mistura-se tudo e coloca-se numa forma untada para assar. Normalmente é preparado no fogão à lenha, mas pode também ser à gás. OBS: os antigos ainda preparam o grude na folha de bananeira, ao invés da forma. Dizem que o gosto é melhor.

GUENZO: pálido, esquelético, amarelo, amarelo-empalemado; tisgo; esmilinguido; com feições doentias (“Ele tá muito guenzo, precisa comer coisa com sustança!”).

GUINÉ: pequeno inseto que ferroa causando dor insuportável (“Ai que dor! Um guiné me picou!”).

GUINÉ: galinha-d’Angola, uma espécie de galinha (“Adoro guiné torrada!”).

GURGUMIO: palito, pinguelo situado na garganta (“Será que esse comprimido passa no meu gurgumio?”).

LETRA “H”

HUM RUM: “é, fazê o quê?!”; “deixa pra lá!”; “tô nem aí”; “isso não me diz respeito!”; “bobagem!”; vôt!; “que besteira!”. OBS: : expressão usada em vários contextos, tendo um “quê” de deboche. É completamente nasal.

LETRA “I”

IDÉIA DE JIRICO: idéia sem nexo, sem fundamento, colocação sem sentido (“Que idéia de jirico é essa? Tá pensando que São Paulo é Nísia é? Vai nessa!”).

IMAGEM: pessoa gente (“Bom, eu vou lavar a imagem!”).

IMBINGANDO: movendo o quadril para frente e para trás, mengando, fazendo gesto de cópula (“Esse cabido fica imbingando nas meninas!”).

INFELIZ DA COSTA ÔCA: xingamento (“Esse infeliz das costa ôca não faz nada que eu peço!”). OBS. Também pode ser usada como brincadeira, dependendo a circunstância, por exemplo: “Onde tu tava infeliz da costa ôca?!”).

IMORAL: absurdo, fim do mundo, era só o que faltava (“É imoral essa rua toda escura no centro da cidade!”).

IMPANDO: espécie de gemido solto pela boca e nariz, fruto da respiração rápida quando a pessoa está fazendo muita força ou um serviço desgastante (“O coitado chega tá impando!”). OBS. É também fruto de tique nervoso.

IMPINGI: guloso, que traça tudo, comilão, forrageira, esmeril da França; morta-fome; lambais (“Essa impingi comeu todo o cumê que eu deixei na geladeira!”).

IMPRIQUITADO: enfeitado, apapagaiado, adornado excessivamente (“Lá vai ela toda empriquitada!”).

INCHADO: “de vez”, quase maduro, estado de desenvolvimento de uma fruta entre verde e maduro (“Essas gioabas estão inchadas!”).

INHACA: fedor, catinga, mal cheiro (“Esse homi só fede a inhaca!”)

INCHINCADA: chamar no eixo, dar uma lição de moral, carão; dar uma esculhambação; dar um esporro; dar um batido; chamar a atenção (“O dia que você der uma inchincada nessa menina ela deixa de ser atrevida!” – Bertoldo Marques de Carvalho – Centro)

INTIRIÇADO: cheio, com bastante, repleto (“Cumade, eu tô toda intiriçada de dor!”).

INVENTIVA: invencionice, cavilação, criar coisas sem necessidade; criar desculpas esfarrapadas (“Deixe de inventiva suas durmente!” – Natália do Nascimento – Centro).

INVERNO: chuva (“Toda era de quatro o inverno é bom!”). OBS. Em caráter de curiosidade vale salientar que tal expressão foge totalmente da significação que tem no Sul e no Sudeste, onde designa frio intenso e geada.

INVOCADO: bem apessoado, bonitão, bem arrumado (“Olha só como ela tá invocada hoje!”).

INVOCADO: cismado, desconfiado, com o pé na frente e o outro atrás (“Esse menino é invocado todo, nem fale com ele!”).

IR AQUI: sair, retirar-se, ir para outro lugar (“É, até minhã, deixa eu ir aqui!”). OBS. Trata-se da inversão do sentido dos advérbios, onde é dito “aqui” por “alí”.

ISOLA: vira essa boca prá lá OBS. É uma maneira de refutar uma colocação que não causou agrado. Normalmente bate-se a curva dos dedos (com a mão fechada) numa madeira ao mesmo tempo que diz essa expressão. É uma superstição.

ISPRITADO: muito ativo, inquieto demais, com o pitoco ligado (“Não mexa com esse menino espritado!”).

ISPRIVITADO: é o mesmo que ispritado

ISTRUÍ: desruir, estragar, esbanjar, botar na beia; deixar empolado (“Menino, não istrua o cumê!”).

ISONOR: isopor (“A professora pediu dois isonor!”).

LETRA “J”

JABURU: mulher muito feia (“Quem diabo quer um jaburu da mulesta daquele?!”).

JÁ PRESTOU: esteve bom, mas não está mais OBS. Expressão muito usada quando a pessoa se vê numa situação em que algo de súbito aconteceu e lhe desagradou. Usa-se também quando surge alguém que não foi bem vindo

JEGUE: jumento, jirico, burro (“Vá de jegue que é mais rápido!”).

JEGUE: feio demais, brega, apapagaiado, malamanhado, esquisito (“Vôt! Quem é esse jegue alí na mesa?”

JEGUE: pouco inteligente (“Seu jegue, São Paulo nunca foi Sul!”).

JEGUE: aloprado, que tem o pênis grande demais (“Nenhuma mulé fica com Zeca; dizem que o caba é um jegue da gota!”).

JEQUITAIA: molho de pimenta (“Um pirão de carangueijo é bom com bem muita jequitaia!”). OBS. Expressão antiquíssima.

JIA: espécie de grande rã comestível (“Nenéu adora jia!”).

JIA CHOCA: rã prenhe (“Corre que é jia choca!”).OBS. Dizem os nisiaflorestenses que quando a jia está choca ela corre atrás das pessoas e morde.

JIRAU: espécie de mesa de madeira, cujos pés ficam fincados no chão. Normalmente é usada para lavar e secar louça (“Menino leve a louça pro jirau!”).

JIRAU: mesa de madeira com os pés enterrados no chão, cuja lateral da parte de cima é toda emoldurada como se fosse uma caixa, onde se coloca terra adubada e se planta verduras. É uma horta suspensa (tipo palafita – estrado).

JIRICO: jegue, jumento (“Vai haver corrida de jumento no arraiá do sinhô Fídias!”).

JIRICO: pouco inteligente (“Isso é um jirico, não sabe de nada!”).

JUJUBA: doce industrializado, feito de goma. Normalmente é vendido em forma de bolinhas, cones ou rodinhas.

JUMENTO: OBS. Possui o mesmo significado de jegue.

JURURÚ: triste, deprimido, cabisbaixo, chateado; capiongo; combalido; amulengado; derrubado; tão assim; morocoxô (“Isabel tá tão jururú, o que foi?”).

LETRA “L”

LABROJEIRA: desajeitada, desarrumada, malamanhada, de qualquer jeito (“Essa labrojeira tá mais prá peniqueira que prá modelo!”).

LABROJEIRA: sebosa, fedida, mistura entre cabelo despenteado com malamanhada e suja (“Essa é uma doida, só anda assim, labrojeira, chega dá nojo!”).

LAMBADA: lamborada, surra, peia; cipuada; chicotada; reiada; surrôte (“Eu dei uma lambada boa que ele se aquietou!”).

LAMBAIS: guloso; comilão, forrageira, esmeril da França; morta-fome; impingi; que traça tudo o que é comestível (“Aquele lambais comeu tudo!”).

LAMBEDOR: remédio caseiro feito com açucar derretido (ponto de mel), no qual se acrescenta água e ervas diversas (dependendo a finalidade) deixando ferver um bom tempo. Normalmente é muito usado como expectorante, anti-gripal, antitussígeno e outras enfermidades.

LAMBIOLHA: lagartixa de parede, as quais costumam morar nos tetos das residências devido a luz próxima que lhes atrai insetos – seu prato predileto. (“Diabo de lambiolha infeliz, cagou no meu café!”).

LAMBIDO: desconfiado, com um pé na frente e outro atrás; encabulado; encabrunhado (“Ela chegou tão lambida, pois já sabia que eu sabia!”).

LAMBIDO: cabelo bem penteadinho como se um boi tivesse lambido (“Cabelinho lambido esse seu, vai prá onde?).

LAMBIDO: descampado, vazio ou com pouca coisa (“Eu achei o sítio tão lambido, parece a careca de Eugênio!”).

LAMBIOIA: o mesmo que lambiolha.

LAMBORADA: chicotada, cipuada, lambada, surra, peia (“Depois da lamborada o cabrinha ficou amuado na sala!”).

LAMBRECADO: melado de alguma coisa, todo manchado de algum produto (“Quando o mecânico deu fé o bebê tava lambrecado dos pé a cabeça!”).

LAMINHA-DE-COCO: polpa do coco verde, remela do coco novo, carne do coco verde (“Eu adoro laminha-de-coco!”).

LANÇADEIRA: excessivamente, demais, com exagero (“Eu aqui trabalhando igual a uma lançadeira, e tu no mundo, atrás de macho!”). OBS. A expressão “lançadeira” tem um “quê” de máquina ou animal que é pau para toda obra, ou algo que traça tudo.

LANGANHO: pelanca e toda a carne mole que se tira do frango quando está tratando-o para cozinhá-lo (“Paulo, enterre os langanho da galinha módi os gato num sarrabuiá no quintá!”).

LANGANHO: péia, pele flácida de pessoas muito idosas; pelanca – normalmente acomete o pescoço, a parte inferior dos braços, barriga e ancas (“Depois que Neusa fez a plástica ficou sem nenhum langanho!”).

LANGANHO DE TERRA: pequeno pedaço de terra, tripa de terra; tira de terra (“Eu herdei de papai só aquele langanho, não cabe nem uma casa!”).

LAPA: coisa avantajada, tamanho acima do comum (“Rose tem cada lapa de cocha!”).

LAPADA: surra, peia, lambada; encorada; cipuada; lamborada (“Fique quieto prá não levar mais lambada!”).

LAPADA: uma boa dose de cana (“Dê-me uma lapada da boa!”).

LÁPIS: caneta esferográfica, caneta escolar tradicional (“Alguém tem um lápis aí?”). OBS. Curiosamente a maioria das pessoas de Nísia Floresta e cidades vizinhas dizem lápis por caneta.

LAPISEIRA: apontador de lápis.

LÁPIS-GRAFITE: lápis tradicional escolar de madeira com grafite (“Ele quebrou o meu lápis grafite!”). OBS. Para diferenciar o lápis-grafite do lápis (caneta), basta acrescentar o complemento “grafite” logo à frente.

LASCAR: complicar, reiar, fazer uma coisa ruim; prejudicar (“ Eu vou lascar a vida daquele canalha!”).

LASCAR: arremessar a mão em algo, esbofetear, danar a mão (“Eu vou lascar a sua cara!”).

LASCADO: liso, na miséria, reiado (“Esse cara é um lascado, não vai te pagar nunca!”).

LASCADO: complicado, com sério problema (“Ele tá lascado com o banco!”).

LASCOU: foi mal, se reiou; se deu mal (“Quando o coitado caiu teve um gaiato que gritou: – “Lascou!”).

LATA: rosto, cara (“Mulé da lata lambida, vot!”).

LATUMIA: algazarra, furdunçu, barulhada de gente, gritaria, gaiofança; friviado; ruge-ruge (“Deixem de latumia aí no quarto, magote de menino réi nojento!”).

LAVEI A BURRA: obti muito sucesso, saí ganhando, levei lucro; venci; me dei bem; levei a melhor; consegui o que quis (“Eu lavei a burra com a troca do carro!”).

LAXO: rasgo, rachado, trincado, partido no meio (“Olha o laxo no vestido daquela crente!”).

LAXO: xereca folote, vagina muito usada (“Só qué se moça, mas espie o laxo!”).

LAXADO: rasgado, rachado, trincado, partido no meio (“O espelho tá todo laxado!”).

LEIRÃO: pequenos montes de terra de aproximadamente cinquenta centímetros, compridos, feitos com enxada, em linha reta e em seqüência, divididos com um sulco em cada um, onde os agricultores plantam tubérculos, macaxeira e etc. (“Vovô tá no leirão!”).

LEITE-NINHO: rasga anjo; quem namora pessoas que estão na puberdade ou na adolescência (“Aquela leite-ninho descarada devia sentir vergonha de se botar praquela criança!”).

LERDO: abestalhada, lesada, lesa, abigobé; azogado; zureta (“Aquela lerda não botou selo no evelope!”).

LESO: que tem o raciocínio lento, esquecido, lesado (“Dui é muito lesa, não trouxe a roupa!”).

LESADO: é o mesmo que leso

LESEIRA: mistura de cansaço com preguiça (“Hoje tô com uma leseira, acho que foi a retumba de sabo!”).

LEVADA: lugar encharcado de água, trecho pantanoso, beira de rio, margens de oleiros e lagoas (“Não dá prá ir para o Monte por aqui módi as levada!”).

LEVADA: ver levado

LEVADO: arteiro, bagunceiro, sapeca, mexelão (“Leve esse menino levado daqui!”).

LEVANDO PEIA: tendo relações sexuais com homem; recebendo o pênis (“Ela só vive levando peia dele, mas ele não quer nada com ela!”).

LEVANDO PEIA: apanhando, levando surra (“Ele tá levando uma peia da gota, agora!”).

LIGA: minúscula correia de latex, de espessura igual a um barbante, a qual é usada para prender dinheiro de cédula (“Dê-me essa liga, pois quero prender esses lápis!”).

LIGUENTO: pirão de peixe fresco preparado às margens dos rios, normalmente improvisados em panelões velhos e até latas. O tempero é o mesmo utilizado na culinária local. (“Dizem que o menino de Brechó morreu assim que comeu o liguento e pulou no rio. Foi estoporo!”). OBS. É uma prática muito comum em toda a região, principalmente por pescadores que passam o dia na água.

LÍNGUA DE TERRA: tira de terra, langanho de terra, lote muito cumprido, porém muito estreito (“Ele dá uma de fazendeiro, mas é dono de uma língua de terra!”).

LÍNGUA DE TRAPO: língua solta, pessoa faladeira, que não tem ponderação com o que fala, que não guarda segredo (“Nem diga essa história perto daquela língua de trapo!”).

LÍNGUA SOLTA: é o mesmo que língua de trapo.

LISEU: liso, sem dinheiro, duro (“Hoje eu estou no liseu!”).

LISO: ver liseu

LOCA: buraco nas partes verticais das cabeceiras (barrancos) dos rios ou nos troncos das árvores (“Isso aí é bem uma loca de sapo!”).

LOMBO: costas (“Seu maluvido, pare com isso senão lhe arranco o couro do lombo!”).

LONJURA: muito longe (“Eu que não risco prá uma lonjura daquela! Nem por ouro”).

LUNDUM: de pá virada, macacoa, com muita raiva, tão assim (“Ela tá de lundum hoje!”). OBS. Designa também uma mudança abrupta de comportamento, inclusive pra outras reações como: tristeza, quietude.

LETRA “M”

MACACA: certo tipo de chicote usado por vaqueiro (“Danei a macaca no lombo do jirico chega o bicho riscou na mata!”).

MACACA: alterado, enraivecido a ponto de não querer que ninguém chegue perto (“Tirço tá com a macaco hoje, nem peça a ele!”).

MACACO: feijão espremido na mão com farinha, cachorro (“Eu adoro um macano no almoço!”).

MACACOA: encosto, pissica; coisa ruim tipo olhado (“Mulé vá se curar, isso é macacoa de terreiro bravo!”).

MACACOA: mal estar no corpo, cansaço geral com dor até nos ossos (“A retumba de ontem me deu foi uma macacoa da mulesta dos cachorro!”).

MACACOA: lundum, que muda de estado de espírito de uma hora para outra (“Ele tá com a macacoa!”).

MACHO: ´macho, homem, cabra (“Diz aí macho, cadê o pessoal!”). OBS. É uma expressão tipica de cumprimento entre homens.

MACHOCHÔ: homem de sexualidade duvidosa (“Ui! Ui! Ele é machochô!”). OBS. Como bem ilustra esta frase, é uma expressão muito irônica e de sentido debochado).

MACHO TODO: machão, macho ao extremo (“Esse menino é igual ao pai: macho todo!”) CURIOSIDADE: Em outro contexto tem o mesmo sentido de machochô, em se tratando de duvidar da sexualidade de alguém.

MACHO TODO: fresco (“Esse aí pelo jeito é macho todo!”). CURIOSIDADE: Dita com ironia, tal frase externa duvida acerca da masculinidade de alguém.

MADORNA: determinada parte do sono (“Vovó já durmiu uma madorna boa por hoje!”). OBS. É o mesmo que dizer que a pessoa já está no 1º, no 2º, no 3º sono e aí por diante.

MAGOAR: ferir alguma parte do corpo (“Painho magoou o pé num prego!”).

MAGOAR: causar algum dano na própria ferida (“Ele magoou a ferida que já estava quaji fechada!”).

MAGOTE: razoável número de pessoas; pequena aglomeração (“Seu delegado não me prenda com esse magote de menino!”).

MAIOU NA REDE: engalhou na rede de pesca; se enganchou na rede (“Vôt! Só maiou um peixe na rede!”). OBS: linguagem de pescador.

MAIOU NA REDE: se deu mal; se lascou; se reiou (“Bem pregado, maiou na rede!”). OBS: linguagem de pescador.

MALAMANHADO: desalinhado, malenjorcado, mal arrumado, jegue, jirico, maleitoso, com roupas bufentas (“Onde tu vai todo malamanhado?”).

MALASSADA: iguaria feita de ovos misturado com verduras e tempero, cujo formado depois de pronto é semelhante a uma pequena pizza, pois normalmente se faz em frigideira (“Oba! hoje tem malassada!”).

MALASSOMBRO: coisa sobrenatural, algo do mundo dos mortos (“Dizem que naquela casa aparece uns malassombro!”).

MALASSOMBRO: pessoa muito feia (“Cruz-credo, quem é aquele malassombro alí na praça!”).

MALDA: que pensa com malícia; que raciocina com maldade, que pega por baixo (“Ela malda da minha, mas esquece de olhar o furico da fia dela!”).

MALEITOSO: malamanhado, desalinhado, malenjorcado, mal arrumado, jegue, jirico, com roupas bufentas (“Menino maleitoso, não tem mãe prá cuidar de você não?”).

MALENJORCADO: é o mesmo que malamanhado e maleitoso.

MALUVIDO: que finge que não ouve propositalmente; desobediente; desatencioso, sem atenção (“Seu maluvido, quer que eu alise já o seu lombo?”).

MANGAI: trambelhos, quinquilharias, ruma de coisas antigas – a maioria delas em desuso (“Tira esses mangai véi desse quarto!”).

MANGAR: caçoar, fazer piada com alguém, debochar, ridicularizar (“Deixem de mangar da pobre, vocês são tão bonitos!”).

MANICACA: sovino, mão de vaca, que não gosta de gastar dinheiro (“Eu não gosto de sair com gente manicaca!”).

MANICACA: homem dominado pela esposa (“Nem chame aquele manicaca que a dona dele bota areia!”).

MANINHA: mulher que fica para titia, que não se casa; que ficou no caritó; moça velha; solteirona (“A fia de Deda ficou prá maninha!”).

MANIPUEIRA: OBS. No momento que se prensa a mandioca nas casas de farinha, escorre grande quantidade de seiva. Com essa seiva as pessoas mais humildes adicionavam açúcar e leite de coco, servindo como um suco para as crianças.

MANIVA: caule e galho da macaxeira, depois que os tubérculos são arrancados OBS. Normalmente os agricultores cortam pedaços de aproximadamente 15 centímetros, plantando-os em leirões para formar nova roça.

MANJUBA: pênis, rola (“Dizem que ela adora uma manjuba!”).

MANOBRADO: dominado por alguém, manipulado (“Aquele corrupto tem manobrado muito ela, é por isso que a pobre não ganhou a política!”).

MÃO DE MILHO: medida equivalente a cinquenta espigas de milho (“Eu encomendei três mãos de milho pro São João!”).

MARMOTA: algo muito feio, mistura entre apapagaiado e esquisito (“Que marmota é essa que chegou alí na casa de Maria?”).

MARUAGEM: mentira, enrolação (“Deixe de maruagem que comigo a coisa é outra!”).

MARIA-SAI-DA-LATA: sem vergonha; cínica (“Eu não quero você no mundo, grudada com aquela Maria-sai-da-lata!”).

MARIA-TOMBA-HOMEM: mulher que se dedica mais a trabalhos considerados masculinos; mulher que gosta de lidar com serviços pesados e grosseiros, sem que isso infira em sua sexualidade (“Dona Lúcia é toda Maria-tomba-homem!”).

MARISCO: raspadeira de coco (“Mãe traga o marisco que já parti os coco!”).

MARUIM: minúsculo mosquito hematófago. OBS. Costuma incomodar mais que a moriçoca, pois são quase imperceptíveis e têm a picada mais ardida que tal inseto.

MARUJADA: fandango. OBS. Antigo folguedo folclórico que teve o seu auge na extinta festa dos pescadores, no Porto. Atualmente o único grupo que resiste no RN é o de Canguaretama.

MASSA: bom, legal, bacana, da hora (“Essa roupa ficou massa nela!”).

MASSADA: remanchar, demorar propositalmente, ficar com enrolação; embromando (“Deixe de dar massada senão eu vou embora!”).

MASSA DE PONÇAR: massa para rejunte especialmente de madeira, a qual era feita com três ingredientes: óleo de linhaça, pó de cré e pó-secante. OBS. Essa expressão “cré” não foi muito bem explícita pelo informante – sr. Bambão – por mais que ele tentasse. Por muitos anos a zelosa Yayá Paiva comprava esse material para que o pai do informante cuidasse das coisas da igreja, inclusive servia também para tapar imperfeições das madeira e de buracos feitos por cupim. Embora se trate de material totalmente diferente, tinha a função da massa corrida, de hoje.

MATEIRO: homem que tem muito conhecimento sobre as matas, que conhece muitas espécies de plantas e demais elementos que integram tal universo (“Papai era mateiro e conheceu toda a região de Camurupim!”).

MATUTO: caipira; que fala com forte carga de regionalismo e se veste mal; caboré (“Aquele matuto inventou de chegar de calça social e tênis!”).

MATRACA: pedaço de madeira do tamanho de uma tábua de carne, o qual possui um espaço vasado na parte superior onde se encaixa a mão para segurá-lo. No centro está fixado um pedaço de ferro grosso, roliço, de formato semelhante a uma trave de futebol com um “l” nas duas bases, prendidas de forma que fica flexível, o qual, às custas de movimentos rápidos, feitos com as mãos, se choca fortemente de um lado e de outro na madeira emitindo estalos bem fortes. É um instrumento usado por coroinhas que guiam procissões, cuja finalidade é avisar que o cortejo vem vindo. É uma forma de impor respeito às pessas desavisadas. OBS. A expressão “matraca”, no sentido figurado, é usada para referir-se às pessoas que falam muito, no entanto, é um regionalismo nacional.

MATRACA: que parece que bebeu água de chocalho; que parece um badalo; papagaio; gasguento; que fala sem parar (“Deixa essa matraca falando sozinha!”).

MATRACA: boca (“Fecha essa matraca, seu falado!”).

MAZARULHO: ruma; poia; monte (“Tem um mazarulho de trambelho nesse quarto!”).

ME AGUARDE!: deixa estar; você não perde por esperar; quem viver verá (“Dizem que depois de ser escurraçada, ela simplesmente falou: – me aguarde!”). OBS. É muito usada também no sentido de brincadeira.

MEDONHO: arteiro, menino danado e inquieto, com o pitoco ligado (“Diabo de menino medonho é esse, ave-Maria!”).

MEIOTA: meio copo (americano) de cachaça (“Bote uma meiota aqui pro véi!”).

MENGAR: embingar, movimentar o quadril prá frente e para trás com sentido insinuante (“A menina disse a professora que o menino ficava mengando quando passava atrás ela!”).

MELADO: alcoolizado, bêbado (“Nem venha falar comigo melado!”).

MENINÓ: menino OBS. Trata-se de uma forma curiosa de se aplicar o tão comum vocábulo “menino” no sentido de chamar autoritariamente a atenção de um menino. A pronúncia desse “menino” soa como se tivesse um acento agudo misturado com circunflexo na sílaba “o”. Dito nesse sentido tal expressão impõe respeito e ordem (“Quando Lorica chegou e viu aquela bagunça, disse: -meninó! Não ficou ninguém!”).

MENINO-BUCHUDO: criança manhosa e sem modos, que não costuma ser corrigida pelos pais, criança com maus hábitos (“Tire aquele menino buchudo dali!”).

METI OS PÉS: fiz carreira, peguei o beco, risquei (“Quando eu soube da morte meti os pés e fui avisar papai!”).

METIDO: enfiado, embiocado, socado (“Palo só vive metido na casa das guengas, vôt!”).

METIDO À BESTA: exibido, pedante, amostrado, que quer ser o que não é (“Esse metida a besta já se enfiou aqui!”).

METRALHA: entulhos de prédios demolidos, restos de paredes de alvenaria que se amontoam de fronte as obras (“Vou aproveitar aquela metralha dele para fazer o meu baldame!”).

MEU DEDINHO: OBS. Usa-se esta expressão para referir-se a pessoa que está por perto, mas sem mencionar o seu nome. Normalmente tem o propósito de não chamar atenção de quem está próximo, por exemplo: “Não diga essas palavras pois o meu dedinho está ali ó! Quem quebrou o copo foi o meu dedinho!”).

MI: homem (“Vem cá mi, eu não tô lhe chamando?”). OBS. É uma forma extrema de diminuir a palavra homem.

MIAEIRO: cofrinho (Quando abri o miaeiro tinha um bom dinheiro!”).

MILIÇA: polícia (“A miliça foi quem levou a mulé do seu João!”).

MI RÉIS: mil réis (“Eu paguei dois mí réis nesse carro!”). OBS. Trata-se do antigo nome da unidade monetária, o qual é muito falado por idosos, embora tal denominação entrou em desuso a quase meio século.

MIL E SEISCENTOS CÃO: OBS. Esta frase é usada como xingamento – e dos grandes. Pode aplicá-la também como brincadeira – depende do contexto. (“Ele que vá pro inferno dos mil e seiscentos cão!”).

MILACRIA: qualquer coisa que não presta; tanto faz referir-se a burundanga ou a doença, por exemplo: “Toda milacria pega em mim, olha minha pele!” “Menino, joga essas milacria fora!” “Saiu tanta milacria do meu ferimento!”).

MINHOQUEIRO: bolsa improvisada feita de infinitos materiais, a qual é usada por pescadores para carregar minhocas que servem de isca para peixes (“Ele não pegou mais porque o minhoqueiro virou na levada!”).

MOCONHO: enibido, meio envergonhado, cabisbaixo, ressabiado, desconfiado (“Esse moconho não entra por quê?).

MOCORONGA: desconfiado, sem jeito, meio envergonhado (“Quem é aquele mocoronga ali no canto!”).

MOCORONGA: desiludido; na mais pura tristeza; deprimido (“Depois da morte do marido ela passou a viver toda mocoronga!”).

MÓI: muito, bastante (“Tem um mói de gente no velório!”).

MÓI DE OSSO: muito magro, esquálido, vara de bater pecado (“Esse caba tá só o mói de osso!”).

MÓI DE SOLA: muito sado, derrubado, só o pito, amulengado (“Pedro chegou da moita só o mói de sola!”).

MOITA: extensa área rural dividida em vários sítios e chácaras, situada na parte mais elevada do município, cuja terra – do tipo arisco – é muito apreciada pelos agricultures principalmente no inverno. Muitos nisiaflorestenses que não têm propriedade, costumam arrendar uma tira de terra na moita.

MOLHA: molha (“Mãe, vê se a molha do macarrão ficou boa!”). OBS. O subastantivo masculino molho é muito falado no feminino.

MONDRONCO: pessoa de andar troncho (“Quem é aquele mondronco, é Zé?”).

MORGADO: pessoa sem iniciativa, alheio às coisas que estão ao seu redor (“Do jeito que ele é morgado vai terminar o serviço amanhã!”).

MORRINHA: doença epidêmica que acomete os galináceos (“A morrinha esvaziou o meu galinheiro!”).

MORTA-FOME: guloso, que não se contenta com nada (“Aquele morta-fome quer mais o quê!”).

MOUCO: surdo (“Tá mouco seu cabra maluvido?”).

MUAFO: cabelo muito cheio, cabelo pichaim (“Olha o muafo que tá a minha cabeça!”).

MUAFO: desarrumado, desorganizado (“Esse quarto de vocês tá um muafo só, vot!”).

MUCAMBO: sujo, seboso, imundo (“Menino de mucambo, vá prá dentro se banhar seu peste!”).

MUCICA: sopapo que se dá na vara de pescar assim que o peixe fisga a isca (“Assim que dei a mucica fui ver e era uma caçota!”).

MUFINO: abatido, combalido, triste, cabisbaixo, adoentado (“Esse gato tá mufino de tanto aqueles menino réi pegá o pobre!”).

MULA: antiquíssima expressão usada para referir-se a certas doenças venéreas (“Ele tá com uma mula da porra!”).

MULESTA: moléstia, gota serena, porra, diabo (“Maria tá com a mulesta hoje!”).

MULÉ: mulher. (“Mulé, dê a minha boneca!”). OBS. Tal expressão é muito usada por pessoas do sexo feminino, inclusive entre meninas. É o jeito de referir-se umas às outras.

MULINCHA: demais, bastante, em excesso, exageradamente (“Tem gente que só a mulincha!”).

MULINGA: bravo demais, dando a piula, com muita raiva, fazendo um cu-de-burro (“Ele deu a mulincha porque você não trouxe o dinheiro!”).

MUNDIÇA: pessoas sem educação e sem compostura, que não possuem o mínimo de bons modos (“Eu não quero aquela mundiça nos quinze anos da menina, por favor!”).

MUNGANGA: careta, gachimonha, macaquice, fazer gestos não obcenos (“Deixe de munganga menino chato!”).

MUNDRUNGA: feitiço, mal feito, catimbó (“Isso me cheira a mundrunga!”).

MUNGUZÁ: comida feita com milho seco inteiro, cozido na água com leite-de-coco, leite de gado, cravo, açucar ou sal – juntos (ou separados). Normalmente é servido com o mesmo aspecto do feijão, embora uns preferem mais aguado.

MUNTURO: ruma de lixo, velharias, burundanga, entulhos empilhados (“A carroça levou todo o munturo do quintal!”).

MUQUIFO: ambiente desarrumado e feio, cortiço (“O coitado tá em São Paulo morando num muquifo!”).

MURIÇOCA: pernilongo, mosquito hematófago (“Aqui no Porto dá muriçoca demais!”).

MURRINHA: suvino, mão de vaca, que não gosta de gastar dinheiro com nada (“Esse murrinha com certeza vai levar pro túmulo!”).

MUSSU: peixe de cor preto-amarelada, semelhante a uma pequena cobra (“Hoje tem mussu no coco lá em casa. Apareça lá!”).

LETRA “N”

N’ÁGUA E SAL: única; somente (“O vestido dela é esse aí n’água e sal!”). OBSERVAÇÃO: palavra ouvida em Pium.

NÃO É SÉRIO (A): expressão usada para desmerecer a sexualidade de uma pessoa; maneira de insinuar que alguém é fresco ou sapatão. No caso de referir-se a mulher também pode ter sentido de sapatão; depende da circunstância (“Sei não, mas acho que esse caba não é sério!”).

NÃO PRESTOU: expressão usada para designar que algo foi o contrário do que se esperava, podendo ser algo engraçado, feio ou desagradável.

NÃO QUERO COM NOJO: maneira debochada de recusar alguma coisa; fazer uma desfeita (“Ele tá pensando que eu vou dar bola prá ele? Nâo quero com nojo!”).

NEM ÁGUA!: OBS. Essa expressão designa negação, uma reprovação; é como se dissesse: “não deu certo”, “nada a ver”, “não valeu”, “não conseguiu”, “não teve êxito”.

NHACA: fedor, catinga, mau cheiro, azedume (“Essa mulé tem uma nhaca da mulesta!”).

NHÔ: senhor, sinhô (“Nhô, eu tô aqui!”).

NHORA: senhora (“Nhora, mainha, o que é?”).

NICO: sagui, suim, mico (“Tem nico demais no Ibama!”).

NO CRÚ: sem anestesia (“Eles costuraram o ferimento no cru!”).

NO CRÚ: sem calcinha ou sem cueca, no osso (“Eu tô no crú, não me puxa a toalha!”).

NO MUNDO: batendo perna; sem rumo; que só vive fora de casa (“Ela cria os filhos no mundo!”).

NO OSSO: no cru, sem calcinha, sem cueca (“Ai meu Deus que vento, eu tô só no osso!”).

NOJENTEZA: porqueirice, sujeiragem (“Deixem de nojenteza na mesa!”).

NOJENTEZA: atos libidinosos, gestos obcenos, comportamento vulgar (“Dizem que essa mulher faz cada nojenteza com os homens!”).

NUM PÉ E NOUTRO: rápido (“Vá num pé e noutro que eu tô querendo dormir!”).

NUM PÉ E NOUTRO: muito impaciente (“Volte logo que o seu pai tá lá num pé e noutro resmungando!”).

LETRA “O”

O Ó DO BOROGODÓ: difícil, desafiador, trabalhoso (“Limpar toda essa casa antes das três hora é o ó do borogodó!”).

Ó DO BOROGODÓ: geniosos, de personalidade muito forte, chato (“Esse professor é o ó do borogoó!”).

Ó DO BOROGODÓ: não é o que se imaginava; não condiz com o que se pensava (“Essa festa tá o ó do borogodó!”).

OBRAR: defecar, cagar (“Espere um pouco que eu vou aqui no aparelho obrar!”).

OFENDE: faz mal, causa dano (“Dizem que abacaxi com ovo ofende, não vá comer seu impingi!”).

OFENDEU: embuchou, engravidou, fez mal (“Tá um rolo danado lá, dizem que ele ofendeu a prima!”).

ÔIA: preguiça, sem vontade de fazer nada (“Hoje eu tô com uma ôia danada!”).

ÔIA: sem dinheiro, liso (“Eu passei o mês todo numa ôia danada!”).

ÔIA: nata esbranquiçada que se forma em poça de urina (“Quando ele saiu da rede olha só o tamanho da poça de mijo, tava só a ôia!”).

ÔIO DE PORCO: ânus, cu, boga, furico, roqui mi clei; franzido; ás de copas (“Mainha, meu oio de porco tá cuminchando muito!”).

OITÃO: espaço lateral da casa entre o muro e a parede (“Luís vá limpar os oitão!”).

OITEIRO: trouxa de roupa, ruma, monte (“Vou pegar o beco, pois tem um oiteiro de roupa prá mim engomar!”).

OLHADO: força negativa que recai principalmente sobre crianças, a qual é atribuida a pessoas que a tenha olhado com cobiça ou inveja (olho grande). O olhado deixa a criança mole, sem apetite, pálida, triste, com insônia, vômito ou diarréia. Nesse caso a vítima tem que ser levada imediatamente para ser curada (benzida) antes do pôr-do-sol. OBS. 1: Adultos também pegam olhado, cujos sintomas são idênticos. Plantas também, as quais murcham e secam assim que são admiradas por alguém. OBS. 2: Dizem que em muitos casos o olhado não é intencional, ou seja, a pessoa cobiçou sem intenção de proporcionar tal consequência. É por isso que diz a tradição que quando admiramos algo devemos dizer: “benza Deus”.

OLEIRO: olheiro

OLHEIRO: olho d’água, vertente (“Pegue o balde e vá pro olheiro!”).

OMBREIRA: cabide (“Bote nas ombreiras essas camisas!”).

OSSO: difícil, trabalhoso, desafiador, o ó do borogodó (“Esse exercício de matemática é osso!”).

OSSO: genioso, pessoa de personalidade forte (“Vovô é osso viu!

LETRA “P”

PÁ VIRADA: com raiva, chateado, aborrecido (“Hoje ele amanheceu de pá virada!”).

PABULOSO: contador de vantagem, gabola, metido a sabe tudo (“Esse menino é tão pabuloso, eu não quero ver você com ele!”).

PAÇOCA: comida típica feita com carne de sol pilada (ou passada no liquidificador), misturada com farinha de mandioca, cebola, alho, sal e coentro (“Hoje eu comi paçoca da boa em dona Lourdes!”). OBS 1: É uma espécie de farofa. OBS 2: Curiosamente a expressão paçoca trata-se também do doce feito de amendoim moído com açucar, cujo nome é conhecido em todo o Brasil.

PAID’ÉGUA: …………………………………………………………………………………

PALETA: pé (“Menino réi, vem botar as sandaia nessas paleta!”).

PANGAIO: coisa velha, burundanga, quinquilharia, troço (“Pegue os seus pangaio e risque daqui!”).

PANTIM: medo; susto (“Fique quieto que eu vô fazê um pantim prá ele atrás da porta!”).

PANTIM: boi-de-fogo; tempestade num copo d’água; esparramo (“Isso é só pantim dele. Daqui há meia hora acaba tudo!”).

PANTIM: chilique; síncope; piripaco (“Ela teve um pantim quando soube que o filho fumava maconha, ta lá no hospital!”).

PAPANGU: pessoas que se fantasiam com roupas estrambóticas durante o carnaval. Não é necessariamente uma fantasia tradicional, mas um desajeitamento aleatório – às vezes simples – às vezes muito apapagaiado. Os papangus saem pelas ruas (quase sempre em grupos) e passam pelas casas colhendo “auxílio” (dinheiro, comida ou cachaça), pois ficam o dia todo na folia. Ainda é algo muito presente na região (“Olha alí a ruma de papangu que vem entrando em casa!”).

PAPANGU: pessoa muito feia e esquisita (“Vot! Aninha tá namorando aquele papangu?”).

PAPARI: nome original do município de Nísia Floresta.

PAR DE JARRO: parecido demais; cagado e cuspido; cópia fie (“Quem são aqueles par de jarro que chegaram?”).

PAR DE JARRO: duas pessoas vestidas iguais “Eu vou me trocar. Não vou ficar aqui feito um par de jarro com aquela fulana!”).

PARECE QUE É: OBS. Expressão usada para desmerecer a sexualidade de alguém, maneira debochada e irônica de insinuar que alguém é homossexual (“Esse bichinho parece que é, se não for tem as ferramentas todas!”).

PARECE QUE ENGOLIU UMA VASSOURA: pessoa muito empinada, exibida e pedante (“Quem é quela ali que parece que engoliu uma vassoura!”).

PARECEIRO: pessoa que não seja da família mas que temos muito contato; colegas (“Não fale desse jeito comigo que não sou seu pareceiro, seu atrevido!”).

PAREDE-MEIA: parede que divide duas residências, casas coladas (grudadas) umas nas outras (“Eu nunca gostei desse troço de casa de paredemeia!”).

PARRUDO: pessoa entroncada – não gorda – que tem pernas, braços e todo o conjunto corporal grosso (“Esse menino de Joaninha ficou parrudo!”).

PASSANDO PITU: é o mesmo que passando sibila.

PASSANDO SIBILA: passando pitu, enganando, blefando (“Você não passa mais sibila em mim não, eu quero o dinheiro é agora!”).

PATARACA: cusparada grande no chão (“Onde vovô se senta ficam as pataracas de cuspe!”).

PATOLA: homem musculoso (“O cara era um patola da porra!”).

PAUL: região quase encharcada de água; tipo de solo muito escuro próximo de levadas. É considerado pelos agricultores um dos melhores para o plantio.

PRÁ MAIS DE METRO: que tem uma proporção ou uma dimensão muito grande, que é muito além do que se imagina (“Vai ter forró prá mais de metro!”).

PÉ DA BARRIGA: região abaixo do umbigo, onde fica a bexiga (“Dotô, tô sentindo umas agulhadas no pé da barriga!”).

PÉ DE PAREDE: base da parede (“Não encoste o rodo com cera nos pé de parede que suja!”)

PÉ DE ABANO: pé grande, pesão (“Não há sapato que sirva para aquele pé-de-abano!”).

PÉ DE GENTE: pessoa, gente (“Durante o carnaval não tem um pé de gente na rua!”).

PEGUENTO: preguento, pegajoso, grudento, melecado (“Eu fiquei todo peguento de mangaba!”).

PÉ DE PAU: árvore (“A raiz do pé de pau tá acabando com o baldame!”).

PÉ DE PRANCHA: pésão, pé grande demais, pé aloprado (“Ele é um pé de prancha da gota!”). OBS. Quando o pé é muito bizarro costumam dizer: “Esse já passou de prancha prá lancha!”.

PÉ DE QUIZUMBA: briga, confusão, cu-de-burro (“Tá um pé de quizumba amuado na casa do Dida!”).

PEBA: de má qualidade, sem valor, fuleiro (“Esse seu relógio é muito peba!”).

PECADO-MANEIRO: espécie de beju muito fino e seco feito com goma de mandioca (“O pecado-maneiro de Ciça é bom que só!”).

PEDAÇO: caminho longo, estrada comprida (“Daqui prá lá tu vai andar um pedaço viu?!”).

PEDAÇO: longo espaço de tempo, longo período (“Faz um pedaço que não vejo Daia!”).

PEDAÇO: muito atraente, sexi, sensual (“Menina, veja que pedaço de homem ali na praça!”).

PEDRÊS: aves (normalmente galináceos) cujas penas tem duas cores bem salpicadas, como se estivessem sido pintadas com a técnica de pontilhismo (“Eu acho lindo aquele galinho pedrês surú!”).

PEGA: dar uns relas, sarrar (“Eu já dei uns pega naquela caboca, foi bom que só!”).

PEGA: capta, percebe, se toca (“O namorado da abestalhada fica com a menina no nariz dela e ela não pega nada!”).

PEGAJOSO: que vive na cola, grude, quem não dá sossego para o outro, que fica em constante companhia (“Corra que lá vem aquele pegajoso!”).

PEGAR: ficar, dar uns relas, sarrar (“Tu acha que eu consigo pegar Ritinha?!”).

PEGAR: chamar uma pessoa num canto para dar uns esporros, dar uma esculhanbação, dar um carão (“Eu vou pegar ela hoje mesmo, ela vai ter que se explicar!”).

PEGOU: designa algo que foi iniciado sem promessa de parar, ou seja, algo que começou e foi longe. OBS: Está sempre seguido do artigo a mais um verbo, por ex. pegou a conversar, pegou a chorar, pegou a comer, pegou a brigar, etc.

PEGAR A CONVERSAR: dar início a uma conversa sem fim (“Côni pai pegá a conversá ele vai se cansá!”).

PEGAR A CHORAR: dar início a um chôro sem fim (“Depois do fora que recebeu do namorado ela pegou a chorar!”).

PEGAR FRIAGEM: resfriar-se, gripar, pegar vento (“Menina, não saia assim que acorda, você vai pegar friagem!”).

PEGAR O BECO: ir embora, sair, fazer carreira, capar o gato, riscar, pipocar (“Rita pegou o beco quando soube que seria chamada!”).

PEGAR O PIRÃO: comer, se alimentar, pegar a bóia (“Hoje eu vou mais cedo módi pegar o pirão da véia!”).

PEGAR VENTO: pegar friangem; gripar; resfriar-se (“Não abra essa geladeira, você está com o corpo quente, pode pegar vento!”).

PEGOU AR: ofendeu-se, chateou-se, irritou-se (“Ele pegou ar quando tu disse que o time dele era fuleiro!”).

PEGANDO MORCEGO: ciclistas e patinadores que penduram nas carrocerias dos caminhões e caminhonetes para momentos de aventura (“Ele tava pegando morcego, escapou e um carro veio por trás e passou por cima da cabeça dele!”).

PEGOU NO AR: captou, entendeu, compreendeu (“Quem pensa que me engana se engana, pois eu pego no ar!”).

PEGOU POR BAIXO: interpretou maliciosamente o contrário, entendeu de uma forma completamente contrária do que foi dito, pendendo pelo lado da malícia (“Eu não gosto nem de brincar perto dele, pois é enxirido e só pega por baixo!”).

PEGUE!: bem feito, acho é bom, teve o que merecia (“Pegue! Agora você não bole com quem tá quieto!”).

PEGUE PRÁ VOCÊ!: OBS. Essa frase necessariamente acompanha o gesto de braço dobrado para cima e punho fechado. É uma maneira até certo modo pejorativa de negar algo, até porque normalmente se levanta o dedo anular apontado para cima (“Que história é essa que eu sujei a cozinha, pegue prá você seu mentiroso!”).

PEIA: surra (“Deixe de choro senão leva outra peia!”).

PEIA: chicote, cipó, instrumento de bater em cavalos e afins (“Dane a peia nesse jirico lerdo!”).

PEIA: instrumento de couro ou corda o qual é preso ás costas e pernas, permitindo que os nativos subam em coqueiros para colher seus frutos ou limpá-los. A peça permite uma desenvoltura incrível ao subir. A agilidade é tanta que o homem chega a lembrar um macaco subindo em árvore.

PEIA: pênis, rola, pinta, pintchola (“Deixe de safadeza, senão eu corto já sua peia!”).

PEITADO: corajoso, ousado, disposto, destemido (“Não vai não, peça a Tonhão que o cabra é peitado e alí tem muito mato!”).

PEITADO: briguento, encrenqueiro (“Esse menino é peitado com todo mundo!”).

PEIXADA: pistolão, protetor, bichão, pessoa poderosa e influente (“Ele entrou na PM por peixada, pois se dependesse dele próprio não seria nem lixeiro!”).

PEIXÃO: pessoa bela e sensual, filé (“Dá uma olhada no peixão que tá saindo da farmácia!”).

PENDENGA: indecisão (“Deixe de pendenga e resolva que eu quero ir embora!”).

PENDENGA: na pior, na pindura, liso, no liseu, sem dinheiro (“O coitado tá numa pendenga danada!”).

PINDURA: na pendenga, na pior, com dificuldade financeira (“Eu tô numa pindura danada nesses dias!”).

PENDURA: anotar uma compra fiado (“Pendura aí seu Antonio que sábado eu pago!”).

PERAÍ: espere aí, me aguarde (“Nhô pai, peraí que tô indo!”).

PERDOE: OBS. Tal expressão é um padrão em toda a região, a qual é usada para explicar ao pedinte que naquele momento não tem esmola para dar. Podemos dizer que sintetiza a seguinte frase: “hoje não tenho, me desculpe! (ou: perdoe!”).

PERNA DE SIBITO: perna fina (“Aquela perna de sibito quer ser o que a folhinha não marca!”).

PESTE: OBS. É um xingamento (“Vai prá lá peste, senão eu te réio!”).

PIÇARRO: tipo de solo barrento, terra argilosa (avermelhada) muito usada para fazer estradas sobre dunas e qualquer tipo de aterro.(“Depois do piçarro a coisa ficou boa por aqui!”).

PICHINIM: olho apertado, olho de japonês (“Esse olho pichinim é todo do pai dela!”).

PICHINIM: capiongo, olho de quem tá com sono (“Com esse olho pichinim só pode ser sono!”).

PICOU A MULA: fez carreira, capou o gato, pegou o beco, riscou, sumiu, pipocou (“O cara picou a mula e deixou a conta pro dono do bar!”).

PICUINHA: mexerico, fofoca, conversinha típica de quem tem a língua de trapo (“Não venha com essas picuinhas prá dentro da minha casa, tenha vergonha!”).

PICUMÃ: pucumã; sujeira que se acumula nos tealhos, originada de fogão de lenha (“Dá uma varredinha nesses picumã!”).

PIGORAR: cobiçar, desejar, almejar (“Eu detesto quando estou na mesa e o meu dedinho fica pigorando meu cumê!”).

PILAR: esmagar grãos ou alimentos sólidos no pilão (“Neide vá pilar a paçoca!”).

PINIQUEI: corri, fiz carreira, risquei, capei o cato, peguei o beco, pipoquei (“Quando ela chegou eu piniquei prá casa de mãe!”).

PINIQUEIRA: empregada doméstica (“Ela é piniqueira deles desde criança!”). OBS. Trata-se de uma expressão debochada e humilhante de referir-se às pessoas que trabalham em casas de família.

PINIQUEIRA: mulher que faz tudo por um homem, mas que o mesmo só a quer por causa dos seus favores (“Ela é piniqueira dele, você acha que ele vai assumir ela um dia?!”).

PINTA: pênis, rola, pintchola, peia (“Solte a pinta do menino!”).

PINTCHOLA: pênis, pinta, piroca, rola (“Menino, vá lavar a pintchola!”).

PINTURA: traquinagem, invencionice, brincadeira, presepada, astúcia (“Olha as pintura dessa menina! Ô menina pinturente!”).

PINTURENTA: que só vive fazendo pintura (“Ela é muito pinturenta coni tá no paco, que história é essa de Niseuda Floresta?!”).

PIMENTA-DO-REINO: pessoa que quer estar em todos os lugares para saber tudo o que ocorreu e usufruir dos mesmos direitos dos que foram oficialmente convidados; quem se mete em todo lugar sem ser chamado; arroz de festa; entrão. OBS: Trata-se de uma curiosa expressão, tendo em vista que existem histórias antigas nas quais pessoas “presepeiras” espalhavam pimenta-do-reino, às escondidas, nos salões de festa, pois as conseqüências eram terríveis: o povo não parava de espirrar e soar o nariz. O jeito era parar a festa. Por incrível que pareça, contraditoriamente, “pimenta-do-reino” designa o que está explícito acima.

PIPOCA: pequenos pontinhos vermelhos que se formam na pele em consequência do calor, de sujeira, picada de inseto ou algum alimento. (“Eu tô com umas pipoca no corpo todinho!”).

PIPOCAR: estourar, explodir, detonar (“Isso aí vai pipocar já, já, cuidado!”).

PIPOCAR: germinar, florescer (“Colocando adubo vai pipocar tanta laranja mimo do céu!”).

PIPOCA ROXA: ferida pustulenta, infecção de pele com formato de grandes bolhas semelhantes a queimaduras, as quais acumulam pus (“É tanta pipoca roxa nela que dá medo!”).

PIPÔCO: estouro, explosão (“Foi um pipôco grande de bala no bar!”).

PIRÃO-BEM-MOLE: drama local (folclore) apresentado por duas senhoras (Raimunda e Salete).

PIROCA: pênis, rola, pintchola, peia, pinta (“Ele tá com curativo na piroca – foi fimose!”).

PISA: surra, peia, reiada (“Menino teimoso, dou-lhe já uma pisa!”).

PISAR PRÁ TRÁS: descumprir um trato, dar para trás, não ter palavra (“Na hora agá ele pisou prá trás 55!”).

PISTOLÃO: peixada, protetor, pessoa poderosa e influente (“Dizem que ele tem um bom pistolão lá dentro!”).

PISSICA: ollho grande, inveja, olho gordo (“Essa moleza é uma pissica grande!”).

PISSICA: feitiço, catimbó, macumba (“Eu não volto prá ele nem com pissica brava!”).

PITÉU: menininha nova, atraente e sensual (“Quem é aquele pitéuzinho que ta alí na praça!”).

POUQUINHA: fina; magrinha, pessoa de porte muito franzino (“Mulé, como a sua menina é pouquinha!”).

PRIZIACA: gente muito feia, pessoa esquisita (“Vot! Ele casou com aquela priziaca?”).

PRIZIACA: qualquer coisa, cujo nome real do que se está referindo foi esquecido (“Tira essa priziaca daí!”).

PROJETO: muito cansado, só o pito, só a grade, esgotado (“Depois da festa fiquei só o projeto!”).

PROJETO: excessivamente magro (“Depois da doença ele ficou só o projeto!”).

PUÇÁ: pequena rede de pesca presa a uma esfera (tipo peneira), cujo formato lembra um imenso coador de café. (“O seu puçá tá todo furado!”).

PUCUMÃ: sujeira de telhado, originada de fogão de lenha (“Tire todo os pucumã daqui com o vasculhador!”).

PRU MÓDI: por causa, para, pelo motivo (“Pru módi dele eu me reei!”).

PURU: pelo (“Não vá puru caminho das pedra, teimoso!”).

LETRA “Q”

QUAL É O PÓ: qual é a novidade?, o que foi?, o que há?, o que está acontecendo? (“Qual é o pó ali na esquina de João?!”).

QUARAR: alvejar roupas em jirau, às custas do sol intenso (“Coloque a roupa prá quarar!”). OBS. Com o advento do sabão em pó e da água sanitária essa prática é vista raramente.

QUARENTA: iguaria feita com farinha de milho cozida no leite ou na água, açucar (ou leite), manteiga. Quem prefere salgada acrescenta diversos temperos. É servida fria em tigelas ou travessas, retirando-se pedaços como um bolo.

QUARTA: medida de peso; ¼ ; um quarto de quilo (“Bote uma quarta de farinha!”).

QUARTINHA: tigela pequena, tibungo de barro, vasilha tipo cuia usada nas cozinhas (“Coloque o canjicão na quartinha!”).

QUARTOS: quadris, cadeiras (“Tô com os quartos quebrado depois do batente de ontem!”).

QUÉIS?: queres? (“Quéis munguzá venha botá!”).

QUENGA: cuia de coco (“Ele raspou os coco e deixou as quenga no chão aquele seboso!”). OBS. As pessoas mais humildes a usavam muito na cozinha. Os meninos também faziam um brinquedo muito comum à época, amarrando barbantes na quenga e calçando entre os dedos para andar em cima.

QUENGA: rapariga, puta (“Dizem que essa é a quenga dele!”).

QUENGO: cabeça (“Ai meu quango! Quem pois isso aqui?”).

QUÊRO: último dente a nascer no adulto (“O meu dente quêro nasceu quando eu tinha vinte anos!”).

QUECHÁ (OU QUEXÁ): todos os dentes que nascem após o canino (presa); dentes de trás, do fundo da boca (“Já nasceram todos os quechás do meu menino!”).

QUINHÃO: porção, um pouquinho (“Me dê só um quinhão de peixe!”).

QUICHÓ: casa velha, casebre, lugar mal arrumado tipo um cortiço (“Aquilo é um hotel ou um quichó?”).

LETRA “R”

RABISACO: gesto brusco de virar o rosto com ares de deboche (“Essa antipática perguntou do namorado, deu um rabisaco e saiu sem dizer nada!”).

RÁIDA: rádio (“Tá saindo na ráida que o ginásio de esportes vai cair!”).

RÁIDO: rádio (“Deu no ráido que a eleição será adiada!”).

RAINHA DA COCADA PRETA: é a fusão de esnobe com pedante e autoritária; pessoa que se considera melhor e superior em tudo (“Lá vem a rainha da cocada preta!”).

RAIVA: pequenos biscoitos feitos com goma, leite de coco e de gado e açucar (“Aqui em Nísia não tem quem faz raiva melhor que Dona Dorinha!”).

RAMO: enfermidade ou mal estar causado por pancada de ar, nevralgia facial cuja dor centraliza mais no globo ocular, tornando o olho avermelhado. OBS. Normalmente é curado com o sumo de uma planta denominada fedegoso, o qual é aplicado sobre o local com um pano embebido, podendo ser ingerido.

RAPARIGA: mulher de vida promíscua, puta (“Essa rapariga tá se inxirindo pro meu marido!”).

RAPARIGAR: vadiar com raparigas, sair com mulherada da vida (“Você já vai sair para raparigar!”).OBS. Pode ser usado também para mulheres.

RAPAZ: qualquer pessoa do sexo masculino – na realidade é uma força de expressão que às vezes até as mulheres a utilizam (“Mas rapaz, tu viu que chuva forte essa madrugada?).

RAPOSA: feijão com farinha espremido na mão, formando uma espécie de bolinhos, cachorro (“Vovó adora raposa!”). Natália Gomes da Silva.

RASGA ANJO: adulto que namora pessoa que mal saiu da infância (“Aquele é um rasga anjo!”).

REBARBO: resto, sobra (“Edilson levou todo o rebarbo da festa!”).

REBOLAR: arremessar, jogar algo com uma das mãos (“Deixe diso senão vou rebolar essa pedra no seu quengo!”).

REBÔLO: pedra, caco (“Pegue um rebôlo e dane no cachorro!”).

REDE DE MANJUADA: rede de pesca instalada nos rios num dia para retirar no outro (“Depois desses viveiros não adianta mais botar rede de manjuada alí!”). OBS. É também conhecida como rede de espera.

REFÉM: referente, sobre, em se tratando (“Lourenço mandou eu falar com tu refém de um canto pra eu morar na escola velha do Porto!”).

REIS: pessoa de situação financeira boa, gente bem apresentada (“Esse cabra é reis, ele não vem na minha casa nunca!”).

REIADA: surra, lamborada, peia (“Esse cabido tá precisando de uma reiada!”).

REIADA: relação sexual, transa (“Eu dei uma reiada da boa nessa bixinha!”).

REIADA: dose de cachaça, uma de cana, uma talagada (“Tomei uma reiada boa de Pitu!”).

REIADA: barroada, esbarrão, batida (“Ele deu uma reiada na cabeça do menino que o galo levantou!”).

REIADA: pessoa extremamente pobre; lascada (“Essa coitada é uma reiada, como é que vai pagar?”).

REIERA: imprestável, sem valor (“Minha calça tá uma reiera só!”).

REIS: cumprimento entre jovens (“Diz aí reis, onde tu vai?”).

RELA: carão, chamou a atenção (“Vou já dar uns rela naquele tinhoso!”).

RELAXO: esculhambação,desaforo, xingamento (“Ele disse tanto relaxo com a pobre que ela tá amuada!”).

REMANCHO: vagarosidade, lentidão, fazer as coisas com demora, ação de quem é ronceiro (“É um remancho danado a construção dessa pista!”).

REMANCHOSO: ronceiro, lento demais, vagaroso (“Lucinha é muito remanchosa para lavar as louças, vot!”).

REMEDAR: imitar, fazer igual (“Aquela cavilosa só fica remedando a vovó!”).

REMELA-DE-COCO: laminha de coco, polpa de coco verde, carne do coco bem verde (“Minha filha tira uma remela de coco prá vovó!”).

REPENTE: mudança súbita de assunto ou de pose, espécie de insigt que dá em alguém, fazendo com que a pessoa tome uma atitude de ímpeto (“Deu uns repentes nela que lavou toda a louça!”).

RESENHA: causo, história, fato, notícia (“Conte-me a resenha do carnaval!”).

RESENHA: fofoca, mexerico, picuinha (“Muito cuidado com essa menina, pois ela adora levar resenha de uma casa para outra!”).

RESSOCA: terceiro corte de cana-de-açucar da mesma toceira, o qual ocorre por fases. OBS. A cana-de-açucar tem uma vantagem: ela é plantada e assim que está no ponto é cortada, deixando-se a toceira, pois ali brotará novos frutos. Esse processo normalmente é realizado por três vezes. O terceiro corte é a ressoca. Após essa fase é retirada toda a raiz, pois os frutos vão perdendo a vitalidade.

RETUMBA: trabalheira; muito serviço (Foi uma retumba danada na fábrica; to só o pito!”).

RIM: ruim; mal (“Esse caba é rim feito a mulesta dos cachorro!”).

RINCHÃO: mulher muito bonita (“Urra! Que rinchão!”).

RIPIPUTA: mais que puta, mulher de conduta pior que de puta (“Aquela é puta e ripiputa!”).

RISQUE: caminhe, saia, daqui, faça carreira, vá, cape o gato (“Risque prá casa agora, sua andeja!”).

ROEDEIRA: dor de cotovelo; ouvir música brega ou romântica pensando em alguém (“Maurício tá numa roedeira danada desde terça-feira!”).

RÓI RÓI: “ronco” no estômago; “embrulhamento” no bucho; reviração no estômago, causando barulho que às vezes pode ser ouvido até por quem está próximo (“Tô com um rói rói da mulesta, acho que já é meio dia!”).

RODIA: rolo grosso de tecido qualquer, moldado em forma de roda, o qual é utilizado para carregar potes com água, feixe de lenha e certos pesos, amenizando sua pressão sobre a cabeça. CURIOSIDADE: Existem pessoas tão experientes, principalmente mulheres, às quais caminham com desenvoltura, com os braços abaixados, não importando o grande peso que carregam (“Quem não pode com o pote, não pega na ródia!”).

ROGERO: cair de uma vez, despencar com todo o corpo, levar uma topada brusca e se estatalar no chão (“A pobre da vovô caiu de rogero na calçada da igreja!”).

ROJÃO: muito trabalho, retumba, trabalheira, serviceira (“Hoje foi rojão no restaurante!”).

ROJÃO: arteiro; malino; sapeca (“Esse menino é rojão, nem deixe ele com vovó!”).

ROLO: relação amorosa sem compromisso; ficar com alguém esporadicamente (“Eles têm só um rolo!”).

ROLO: confusão, problema, cu-de-burro (“Ta um rolo danado entre ele e o pessoal da associação!”).

ROMBUDA: desgastada, com a ponta estragada (“Essa agulha ta rombuda toda, me dê outra!”).

ROMBUDA: com rombos, toda furada, carcomida, folote, corrute (“Sua bolsa tá muito rombuda, muito rombuda, faz vergonha sair assim!”).

RONCEIRA: vagarosa, lenta, remanchosa (“Mércia sempre foi ronceira pros leirão!”).

ROQUE MI CLEI: boga, ânus, fiofó, furico, roscófe, ás-de-copas (“Pegue pro seu roque mi clei!”).

ROSCÓFE: o mesmo que roque mi clei (“Pegue pro seu roscófe!”).

ROSCÓFE: relógio (“São que horas no seu roscófe!”).

RUA: centro da cidade; praça principal (“Aproveita que ele vai prá rua e manda a carta!”). OBS. A expressão “rua”, nesse caso refere-se unicamente ao centro da cidade, não tem relação alguma com rua x ou rua y.

RUDEIA: rodeia (do verbo rodear) circular, dar a volta (“Quando você voltar rudeia por trás que eu vou lavar a sala!”)

RUDIA: o mesmo que rodeia (“Rudia pelo quintal que ela tá lá!”).

RUGE-RUGE: barulheira, friviado, movimento de muita gente (“Tá um ruge-ruge da mulesta no Banco, deixe pra ir depois!”).

RUGERO: movimentação excessiva de gente, concentração do povão com muito barulho (“O comício foi um rugero que fez gosto!”).

RUMA: monte, muito, pôia, grande quantidade (“Tem uma ruma de gente na casa do seu Tom!”).

LETRA “S”

SABÃO: relação homossexual feminina (“Diz o povo que elas fazem sabão!”).

SABO: sábado (“Sabo eu vô!”).

SAIA VELHA: pessoa mulambenta; maltrapilha; com roupas bufentas (“Eu que não ando com essa saia velha do meu lado, faz vergonha!”).

SAÍDA: cabida, inconveniete, entrona (Maria tá tão saída. É só se botando pros caba!”).

SÁITE: sai-te, cai fora, arrede, cape o gato, pegue o beco, espiche o gato (“Sáite daqui caba safado!”).

SAMBADO: usado, desgastado, velho (“Essa sua blusa tá muito sambada!”). OBS. Pode também ser usada com relação a pessoa: (“Ela pegou aquele véi sambado só mode a aposentadoria!”).

SAMBURÁ: cesto grande de cipó (“Deixe as manga no samburá!”).

SANDÁLIA DE DEDO: chinelo; pregata; alpargata (“Dê-me a sandália de dedo!”).

SANGRAR: vazar pelas bordas, encher demais (“A caixa d’água sangrou!”).

SARJAR: espremer furúnculo com as mãos para retirar o pus; comprimir tumor para retirar o líquido orgânico.

SARRABUIAR: espojar-se no chão (“Se você se sarrabuiar nesse quintal eu lhe dou uma pisa!”).

SARRABUIAR: lambrecar sabão na roupa rapidamente para deixar de molho (“Mulé, só sarrabui essa roupa, que ela não tá muito suja!”).

SARRABUIAR: sarrar, esfregar-se com alguém (“Essa imunda só vive sarrabuiando com os macho!”).

SEBO DE JOLI: metida a besta; rainha da cocada preta (“Essa aí só quer ser o sebo de Joli!”).

SE BOTANDO: se oferecendo; dando em cima de alguém (“Cláudia se bota pra todo macho!”).

SEIO: sei (“Não carece mi ensiná que eu seio!”).

SELA: assento do ciclista, selim (“Roubaram minha sela!”).

SELADO: pessoa que tem a coluna muito curvada para dentro, permitindo assim que as nádegas fiquem naturalmente empinadas (“Que menina seladinha aquela, pia!”).

SEM CHÃO: sem jeito, cheio de pernas, envergonhado (“Eu fiquei sem chão quando vaiaram ele!”).

SE SENTIU: se ofendeu; se chateou (“Ele se sentiu com as tuas coisas!”).

SE SENTIU: percebeu; notou (“Eu pensei que ele tinha visto, mas ele nem se sentiu!”).

SIBITO: franzino, magro, miudinho (“Esse menino como feito forrageira, mas é só o sibito!”).

SIBIT0-BALEADO: excessivamente magro e feio; vara de bater pecado (“Saite pra lá sibito baleado!”).

SIMPUIA: cipuada; cipozada; surra; peia; mãozada (“Deixe disso, seu varado, senão eu planto-lhe a simpuia!”).

SINHÁ-PUTA: mulher da vida; rapariga; vadia (“Aquela sinhá puta só quer ser a santa!”).

SINHÔ: senhor (“Pai, o sinhô chamou?”).

SIRI-NA-LATA: feroz; muito bravo; com a porra; dando a piula (“Hoje ela ta um siri na lata, nem fale desse assunto!”).

SIRIRICA: masturbação feminina (“Dizem que as duas só vivem na siririca!”).

SÓ A GRADE: só o pito; mói de sola; derrubado; amulengado (“Hoje eu to só a grade!”).

SOCA: que antecede a ressoca, ou seja, a partir do segundo corte de cana (“Depois da soca foi bom porque choveu!”).

SOCADO: embiocado; enfiado; metido em algum lugar (“Tu só vive socado na casa daquele povo, tome vergonha!”).

SOLA: gases intestinais, peido insuportável (“Urra! que sola infeliz da mulesta!”).

SÓ O PITO: só o projeto; magro demais; sibito baleado (“Depoi dessa retumba fiquei só o pito!”).

SÓ O PÓ: o mesmo que só o pito

SÓ O PROJETO: o mesmo que só o pito

SOSTÔ: como pode?, como se permitiu? (“Sostô tu deixa sua fia i praquele lugá!”).

SÓ VIVE NO MUNDO: que está constantemente fora de casa; na rua; batendo perna (“Essa mulé só vive no mundo, coitado do marido!”).

SUNEL: suné; fresco; homossexual; gay (“Aquele cabra parece que é sunel!”).

SURÚ: galináceos que não possuem penas no sobrecu; que tem o rabo cotó (“Ele comprou uns frangos surú!”).

SURRÔTE: surra; peia; reiada (“Vou acabar dando um surrôte nessa cavilosa!”).

SURRUPEIO: animal semelhante a uma cobra de cor avermelhada, normalmente seu tamanho chega a vinte e cinco centímetros de comprimento. Seu corpo é anelado e repleto de pernas (parecido com “piolho de cobra”). Possui duas garras próximas a boca, cuja picada, segundo os antigos, passa veneno letal até para os humanos. A reação é de dor aguda, seguida de suor frio, tremedeira, febre alta e morte, se a pessoa não for medicada.

SUSTANÇA: substância; nutrientes; comida forte; alimento muito rico em vitaminas (“Mãe, prepare uma comida com sustança que eu vou cavar o cacimbão hoje!”).

SUVINO: pessoa exageradamente econômica; mão de vaca; manicaca; quem priva a si próprio de coisas que deseja, mesmo tendo dinheiro para comprá-las.

STRUDIA: outro dia (“Strudia a gente aparece, cumadi!”).

LETRA “T”

TABATINGA: tipo de solo de ótima qualidade para agricultura, normalmente é branco ou vermelho. CURIOSIDADE: Um sítio com boa extensão de tabatinga existe dentro da cidade de Nísia Floresta, exatamente atrás da Igreja Matriz, de propriedade do Sr. Deca Severo.

TABOCA: área rural que tem início no Sítio Floresta, partindo do túmulo de Nísia – numa elevação que se estende até a moita. Possui esse nome em virtude de a vegetação original ter sido repleta de “taboca” (tipo de cipó) conhecido também como “taquara”, usado para confeccionar principalmente gaiola para pássaros. Sua existência hoje é mais limitada. A própria Taboca não o possui.

TABULEIRO: toda e qualquer área cultivável margeada às lagoas, rios e trechos com água, distantes de mangues. A área mais conhecida de Tabuleiro em Nísia Floresta tem início na lagoa Carnaúba, seguindo um longo trecho que vai até as proximidades de Pium e Alcaçuz.

TAQUINHO: naco; pedacinho; pouquinho (“me dê um taquinho dessa carne!”).

TAIS VENO: estás vendo?; vês isso? (“Tais veno como essa cabrita não prestava!”).

TALABADA: grande; anormal; bizarro (“Antigamente o charque vinha com cada talabada de carne, hoje é só uma tira, o resto é gordura!”).

TALAGADA: gole; dose; pedaço (“Me dê uma talagada de montila!”).

TAMBORETE: pequeno banco individual e sem encosto (“Se abanque aí nesse tamborete!”).

TAMBORETE DE FORRÓ: baixinho; pessoa de baixa estatura; toco de amarrar jegue (“Eu que não quero aquele tamborete de forró!”).

TAMPA: gente boa; pessoa muito legal; cabra arretado (“Ele é tampa, pode falar com ele e diga que foi eu que mandei!”.

TAMPA DE FURICO: superior a “tampa”; pessoa super benquista – idolatrada por todos (“Um amigo tampa de furico como aquele nunca vai existir igual!”).

TÃO ASSIM: diferente do normal; amuado; cabisbaixo; aborrecido; triste; esquisito (“Hoje papai ta tão assim!”).

TÃO BESTA: exibido; pedante; que quer ser o que não é (“Tá tão besta essa menina de Chico!”).

TAIS CONVERSANDO: dizendo asneira; falando coisa que não procede (“Tais conversando, rapaz, deixe de suas coisa!”).

TAPIOCA: iguaria tradicional feita de goma de macaxeira ou mandioca, semelhante ao beju. OBS. Origem indígena. Penera-se a goma, acrescenta-se sal e despeja-se pequenas quantidades em forma circular numa frigideira seca.

TASCAR: dar; danar; rebolar (“Eu quero lhe tascar um beijo de felicidade!”).

TATACA: mal cheiro; fedor; catinga; cerôte; inhaca (“Essa mulé tem uma tataca medonha!”).

TEMPERAR A GUELA: emitir som forçando a garganta para limpá-la – o famoso han, han. (“Deixa eu temperar a guela para lhes dar uma capelinha!”).

TEMPERAR A GUELA: tomar cachaça (“Vou já pra bodega, temperar a guela!”).

TESO: duro; esticado (“Tu parece que tá com o pescoço teso!”).

TIARA: diadema (“Ganhei uma tiara linda de mainha!”).

TIBI: vot!; vots!; urra!; arra!; varei!; diaboé! (“Tibi! Que é aquilo na rua?!”).

TIBUNGO: pratinho de barro (“Ajeita os tibungo módi bota canjica!”). OBS. Falado por D. Raimunda do Pirão Bem Mole.

TIÇÃO: pessoa negra. OBS. Expressão preconceituosa, usada como deboche, embora tem quem a use sem esse sentido, e tem quem a ouça sem se sentir humilhado. (“O Pedrinho é um tição só!”).

TICAR: tocar; encostar a mão (“Deixe de ticar em mim com essas pata suja!”). OBS. Existe uma brincadeira infantil denominada “tica”, na qual todos os brincantes saem correndo e um deles corre para ticar em quem conseguir. Quem for ticado é eliminado. O último que sobrar, e não for ticado, é o vencedor.

TILOGA: curso de datilografia. (“Côni eu era jovem esperançava muito tê o curso de tiloga. Achava lindo!”). OBS. Trata-se de um regionalismo muito antigo – usado para designar quem tem curso de datilografia.

TIMÓTI: marmota; apapagaiado; desengonçado; feio; desajeitado (“Quem é esse timóti que chegou agora?!”).

TINHOSO: endiabrado, teimoso, caviloso, danado (“Haja paciência com esse menino tinhoso!”).

TININDO: bom demais; excelente; muito bem feito (“Ficou tinindo o seu motor!”).

TININDO: brilhante; reluzente; faiscante (“O sol ta tinindo hoje!”).

TIPÓIA: rede (“Dê minha tióia mó d’eu descansa!”).

TIQUINHO: pouquinho; pedacinho (“Eu quero um tiquinho do seu beju!”).

TIRADA BOA: viagem distante, caminhada grande (“Daqui pra lá é uma tirada boa!”).

TIRA DE TERRA: terreno muito comprido, mas estreito; língua de terra (“Com a partilha da herança ele ficou com uma tira de terra!”).

TIRINETE: tiro; estampido, estouro; explosão (“Foi um tirinete de fogos da mulesta!”).

TIRINETE: muita gente, tumulto (“Com aquele tirinete de gente eu não entro lá!”).

TIRNA: camada grossa e preta – proveniente da queima de lenha – que se acumula no fundo das panelas. Ocorre também quando o gás está acabando. (“O cão do Boi-de-reis se lambrecou de tirna!”).

TISGO: amarelo-empalemado; magro demais e com feições doentias; esquálido (“Tú tá tão tisgo, já foi ao médico?”).

TODAS AS FERRAMENTAS: todo o jeito; toda a aparência; parece muito com algo (“Ele pode até não ser, mas tem todas as ferramentas!”). OBS. Normalmente é usado para debochar de homossexuais.

TODO: OBS. Adjetivo muito usado para reforçar o adjetivo que o antecede, com a finalidade de dar mais ênfase a qualidade, defeito, tamanho, etc, por ex. “bom todo”; “feio todo”; “legal todo”.

TODO CHEIO: satisfeito; feliz; realizado (“Ele fica todo cheio perto do pai!”).

TOMATE: OBS. Este substantivo masculino é grandemente usado pelos nisiaflorestenses de forma feminina, por ex. (“Coloque só duas tomate na salada!”).

TOMBÉM: também; tombém; tumêm (“Eu tomém quero caju!”).

TOMÊM: mesmo que tombém.

TUMÊM: mesmo que tombém.

TOP: calibre; protótipo; estilo; personalidade; jeito de ser (“Eles são gêmeos, mas o top desse é totalmente diferente do outro!”).

TOPAR: tropeçar (“Ela me jogou uma praga d’eu me topar e eu topei num cepo de pau que o sangue espirrou longe. Foi a pior topada da minha vida!”).

TOPEI: tropecei, bati o pé em alguma coisa no chão (“eu topei numa metralha do chão!”).

TOPEI: defrontei com alguém, vi alguém (“Eu topei com ela na feira, mas ela nem me viu!”).

TOPEI: esbarrei; barroei (“Eu topei com ela na esquina, a pancada foi grande!”).

TORNAR: recobrar os sentidos; sair de um desmaio; ficar consciente (“No velório, assim que uma tornava a outra desmaiava!”).

TORÔ DENTRO: deu errado; foi mal; lascou; não saiu como esperavam; sujou (“Agora não adianta. Torô dentro!”).

TORÔ: quebrou; partiu; rachou (“Torô o cabo do martelo!”).

TRAÇAR: devorar tudo; comer algo com gulodice; saciar-se à vontade (“Se ele vê essa mesa traça tudo!”).

TRINCHO: pedaço do tijolo de oito furos (“Me dá um trincho de uns quatro furos mó d’eu completar esse pedaço aqui!”). OBS. Expressão normalmente usada por pedreiros.

TROÇO: coisa imprestável; o que não tem serventia (“Jogue esses troço fora!”).

TROÇO: gente desqualificada; pessoa indesejável (“Isso é um troço, não queira papo!”).

TROFÉU: garrafa ou litro completo de cachaça (“Seu João, hoje eu quero um troféu!”).

TROMBUDO: de cara virada; cara fechada; entufado; com raiva; aparência chateada (“Ele picou a mula todo trombudo!”).

TRONCHO: torto; desconjuntado; desajeitado; aleijado (“Essa mesa ta toda troncha!”).

TROVE: trouxe (“Pai trove todo o dinheiro!).

TUBIBA: espaço situado entre o ânus e o órgão genital (“To com uma dor no tubiba!”)

LETRA “U”

UMA-DE-CANA: cachaça; pinga (“Bote uma de cana aí!”).

UMA VEZ PERDIDA: esporadicamente; de vez em quando (“Tu só aparece lá uma vez perdida!”).

UM PÉ: desculpa; subterfúgio; álibe (“Tu só qué um pé prá brigar comigo!”).

UNHA DE VELHO: crustáceo comestível, preparado no leite de coco (“Adoro uma unha de velho!”).

UNS PAR DE GENTE: uma porção de pessoas; aglomeração de gente (“Tinha uns par de gente no protesto!”).

UÓ: chato; desagradável; feio (“Esse cara é uó!”).

U Ó DO BOROGODÓ: ……………………………………………….

URINOL: penico; mijadô (“Menina, bote meu urinol debaixo da cama!”).

URINOL: vaso sanitário; aparelho; bojo (“Me leve pro urinol!”).

URUPEMA: peneira feita com palha de coqueiro. OBS. de origem indígena. Apesar da evolução, felizmente ainda é algo muito comum, tanto para o uso óbvio quanto para ornamentações e até mesmo coreografias escolares.

URUVAIO: burundanga; farramangaio; coisa velha; munturo;trambelho (“Nesse quarto só tem uruvaio!”).

USURA: intenção; objetivo; finalidade (“Ele é mal. Fez isso na usura de lhe prejudicar!”).

URRA: interjeição de espanto, equivalente a oh!, vôt!, cruz-credo (“Urra! que cobra grande!”).

LETRA “V”

VADIAR: ganhar o mundo; sair sem rumo para farrear (“Tu só vive vadiando! Pare em casa!”).

VARA: pênis; órgão genital masculino (“Menino, eu corto a sua vara!”).

VARA DE BATER PECADO: franzino; esquálido; sibito baleado (“As modelo dagora é uma vara de bate pecado!”).

VARA PAU: pessoa alta demais (“Ela, um tamborete de forró, ele, um vara pau!”).

VAREI: interjeição dê espanto, equivalente a arra! urra! vôt! (“Varei! cai fora!”).

VAREI-TE: o mesmo que varei!

VAZANTE: trechos de terra úmida próximos a rios e olhos d’água; lugares levemente encharcados (“Vá levar o cume de vovô na vazante!”). OBS: Normalmente, em época de chuva, as vazantes ficam cobertas d’água e com o estio ficam normais, ou seja, as águas acumuladas vazam (talvez por isso tal expressão). Tais terrenos são muito férteis, pois as águas deixam todo o material orgânico que arrastou durante o inverno.

VAZANTE: OBS: Expressão muito usada por pescadores quando querem dizer que a maré está baixando, ou seja, secando: vazante.

VAZA POR TRÁS: insinuar que o homem é fresco (“Duvido se esse cabra não vaza por trás!”). OBS. Empregado apenas para o sexo masculino.

VENTA: nariz; (“Hoje eu tô soltando fogo pelas venta!”).

VENTA DE SUVELA: nariz comprido e pontudo; nariz grande e esquisito (“Eu que não quero aquele venta de suvela!”).

VER A COR DA CHITA: ver a coisa preta; ver a coisa feder; ver um cu de burro; ver o que é bom prá tosse; ver tocha (“Quando eu pegá-la ela vai ver a cor da chita!”).

VERDOSO: processo entre inchado e verde; que não está nem verde e nem maduro (“Esse mamão ta verdoso!”).

VERGONTA: broto; planta novinha; muda (“Me lembro como se fosse hoje: eles chegaram com um imenso pé de pau, cheio de vergonta e jogaram num imenso buraco – é o Pau do Moura!” – D. Dora – 105 anos).

VER TOCHA: ver a coisa preta; ver a coisa feder; ver um cu de burro; ver o que é bom prá tosse (“Ela vai ver tocha comigo quando aparecer aqui!”).

VIÇANDO: querendo sexo; a fim de transar (“Menino, tome um banho frio! Tá viçando é?!”).

VINGAR: dar certo; prosperar; obter êxito (“Eu avisei a tu que nesse tempo essa roça não ia vingar! Não era época de plantio!”).

VIRAÇÃO: meio de vida; alternativa de trabalho (“Ele não é empregado, mas sempre teve uma viração na vida!”).

VIRADO NUM BICHO: bravo demais; com ódio; com a porra; espumando pela boca (“Hoje eu tô virado num bicho! Se eu pegá ele eu esgano!”).

VIRADO NUM DIABO: bravo demais; com ódio; com a porra; espumando pela boca (“Hoje eu tô virado num bicho! Se eu pegá ele eu esgano!”).

VIRADO NUMA PORRA: equivale às duas expressões acima.

VIRADO NUM BODE: bode; bodão; que tem sorte com mulher (“Juba é virado num bode a vida toda. Cabra tampa de furico da mulesta!

VIRA E MEXE: de vez em quando (“Vira e mexe eu apareço lá!”).

VISAGEM: vulto; assombração; espectro (“Ele tá tendo visagem!”).

VISSE: viste?, certo, concorda; tá bom? (“Eu já vô, visse?”).

VIÚVA RICA: prefeitura (“Por quê será que todo mundo quer a viúva rica? O que será que ela tem?” – Prof. José Maria – FM Executivo).

VOINHO: vovozinho; vozinho (“Voinho tá chamando a voinha!”).

VÔTE: interjeição de espanto, equivalente a urra! arra! vôts; etc. (“Vote! Bicho feio da mulinga!”).

VÔTS: equivale a vote!

VOTO DE CARBONO: voto eleitoral anterior ao eletrônico, no qual se coloca a cédula oficial sobre um carbono, tendo sob este num outro papel, onde fica escrito o que se escreveu na primeira folha.

Letra “X”

XABOCUDO: cheio de xaboque; com muitas imperfeições (“Ela é até bem feitinha, mas a cara é xabocuda!”).

XABOQUE: buraqueira; parede cheia de imperfeição (“Essa parede é um xaboque só. Tem que ajeitar, senão cai o resto!”).

XABOQUEIRA: grosseira; de feições feias (“Mulé veia xaboqueira essa minha vizinha que chegou agora!”).

XANHA: coceira de origem venérea; sarna (“Menino, tu parece que tá com xanha, vá se tratar!”).

XARELETE: certo tipo de peixe do mar, comum na região (“Traga xerelete da feira!”).

XARÉU: um tipo de peixe (“Ele pescou só xaréu!”).

XAXADO: sobras de carne da feira; pedaços de carnes variadas, vendidas juntas (“Eu já comprei muito xaxado. Hoje sou rica!”).

XELELEU: puxa-saco (“Tico é xeleléu dele!”).

XERECA: priquito; vagina (“Ele alisou a xereca dela!”).

XERÉM: cocô de cupim e de minúsculos insetos que se alojam nos caibros e cumeeiras das casas (“Eu vivo varrendo esses xerém, mas não tem jeito!”).

XERÉM: milho triturado – próprio para pintinhos novos (“Vá dá xerém aos pinto!”)

XEXEIRO: nó cego; caloteiro; velhaco; mal pagador (“Ele dá xexo em todo mundo. È um xexeiro de carteirinha!”).

XIXADO: urinado; mijado; que urina em si próprio (“Ele tá todo xixado, dê um banhozinho no póbi!”).

LETRA “Z”

ZAINO: estranho; diferente; desconfiado (“O pessoal ficou zaino comigo!”).

ZANOI: olho estrábico; vesgo (“O professor é zanoi!”).

ZIG ZIG: libélula (“O quintal ta cheio de zig zig!”). OBS. As crianças costumam chamar esse inseto também de helicóptero.

ZIMBOLÉ: ao léu; à toa; jogado ás traças (“Pedrinho só vive ao zimbolé, parece que não tem mãe!”).

ZOAR: mangar; caçoar; zonar; fazer pilhéria (“É bem pregado!Ele vai zonar com a lata dela!”).

ZÓI: olho (“O zói dele é torto!”).

ZONAR: o mesmo que zoar.

ZUADA: barulho; zuera; galhofança; anarquia (“Não aguento essa zuada dos menino!”).

ZUÊRA: o mesmo que zuada.

ZURETA: ariado; abobalhado; confuso (“Sai daí menino zureta!”).

As expressões e gírias do Rio Grande do Norte apresentadas aqui são de cunho popular e suas formas de escrita e fala são galgadas em interpretações diversas.

Parte deste conteúdo vem de autores renomados do nordeste como Câmara Cascudo, Ariano Suassuna, dentre outros.

Ache suas expressões aqui e pratique com algum amigo do nordeste que poderá te ensinar mais que as palavras, mas também as entonações e os momentos certos de se aplicar.

Sobre o autor

Ubirajara Carratu
Ubirajara Carratu

Fundador da Carratu Digital, especialista em Inbound Marketing, com um pé em SEO e outro em Google Ads. Tudo o que for desafiador, se torna mais apaixonante.

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